23 de janeiro de 2018

As forças femininas em Supergirl

Reprodução: Google
"Kara Zor-El escapou de seu planeta, Krypton, durante sua destruição há anos. Desde que chegou à Terra, ela conseguiu esconder seus poderes, os quais compartilha com seu primo, o Super-Homem. Agora, aos 24 anos, Kara decide assumir suas habilidades sobre-humanas e ser a heroína que sempre foi destinada a ser."
Olá leitores!
Vocês conhecem a série Supergirl, que é transmitida no Brasil pelo canal Warner e já está em sua 3º temporada? Eu acompanhei as duas primeiras e posso dizer que uma evolução é perceptível ao longo dos episódios. Mesmo tendo uma primeira temporada fraca, a série consegue "engatar" a história e em seguida trazer mais conteúdo na próxima. Talvez a mudança de emissora tenha agregado nesse quesito ou talvez os roteiristas tenham percebido que mudanças eram necessárias em alguns pontos da trama. Com isso, a série vem tratando de assuntos como empoderamento, a descoberta da sexualidade e da auto aceitação, a importância da família e da amizade, mesclando o drama com muito girl power e muitas cenas de luta.

Embora falar sobre a história seja essencial para se conhecer melhor a série e saber se é do seu agrado, o foco desse post não é esse e muito menos os romances que ocorrem na série. O foco hoje são as mulheres e apenas elas! A série pode ser conhecida mais pela sua personagem principal, Kara, mas, as outras personagens femininas não ficam para trás quando o quesito é empoderamento e auto suficiência (aquele quesito de ser totalmente suficiente para si mesma, sabem?). E é por isso que venho apresentá-las e torná-las motivos mais do que suficientes para vocês começarem a acompanhar a série (ou ao menos conhecerem um pouco mais sobre as personagens).

E ah, não terá spoilers, tá? Talvez um sobre a Alex, mas nada que transforme drasticamente a sua experiência com a história da personagem.

Reprodução: Google
As personagens que irei citar não são as únicas mulheres da série, mas decidi focar nessas por serem as que se mantém no elenco regular, pelo menos até o final da segunda temporada. É claro que todas as personagens merecem um espaço maior e uma atenção redobrada em seu desenvolvimento, mas por hoje elas ficarão como menções honrosas. Quem sabe no futuro poderei trazer uma segunda parte desse post e explorar as personagens secundárias com mais afinco e atenção.


KARA ZOR-EL

Por ser prima do maior super herói de Metrópolis, as comparações entre a Supergirl e o Superman acabam sendo inevitáveis pela maioria das pessoas, porém a Kara sempre deixa claro que serem parentes (e ela sendo uma mulher) não a faz inferior ao primo ou menos capaz de ser uma heroína. A personagem vai crescendo muito durante as duas temporadas da série, sendo no começo uma garota inocente e que acredita na bondade das pessoas, mas que ao longo do tempo através dos problemas enfrentados, tanto pessoais como também profissionais, se transforma em uma mulher convicta e de cabeça formada, sabendo muito bem o que quer e lutando para alcançar seus objetivos e conquistas.
Por mais que em alguns momentos a Kara possa parecer chata e inocente demais, sempre acreditando na boa índole dos demais, isso deve-se ao seu jeito tímido e carinhoso, tendo sempre o pensamento de que todos são bondosos em seu interior e, como outros super heróis, mantendo a conduta de não matar os seus inimigos. É fácil se identificar com ela, e isso faz com que você se sinta ainda mais próxima da personagem, criando aquele elo e carinho imensos. Ela conquista o telespectador e traz alguns debates interessantes sobre a bondade e maldade que prevalece em cada um de nós. Suas cenas de luta também são ótimas e importantes para conhecermos a totalidade e imensidão de seus poderes, principalmente para os novos fãs que nunca tiveram contato com a heroína. 
Assim como as demais personagens, o drama familiar também é explorado, mas de uma forma ainda maior por se tratar de ser a protagonista. Então, Kara irá sofrer por amor (às vezes até dando a impressão de um romance adolescente), enfrentará problemas de submissão no trabalho e se descobrirá no seu íntimo.

ALEX DANVERS

Representatividade transborda dessa personagem! Alex trabalha no DEO, uma empresa secreta que prende criminosos alienígenas, lidando pessoalmente com serviços de abordagem e capturas de seres perigosos. Por se tratar de um cargo que exige força e com possíveis chances de resultar em sua morte, muitas pessoas o veem como sendo um emprego especialmente masculino e por isso ela ainda tem que se dar ao trabalho de calar os comentários machistas e constantemente mostrar que é apita e capaz para aquilo, deixando perceptível para todos (inclusive para nós) que é a pessoa certa para o cargo.
Na segunda temporada a personagem descobre a sua sexualidade e nos revela que é homossexual. Eu digo "descobre", pois até o momento Alex ainda não sabia que sentia atração por mulheres, sendo assim uma descoberta para si mesma. A partir desse momento há uma busca por auto aceitação, já que ela não acredita nos próprios sentimentos e chega até a policiá-los, há uma insegurança em se assumir para a família, a procura por apoio dos familiares e, posteriormente, a felicidade por estar sendo quem ela é. As cenas de auto aceitação são lindas e carregam um peso emocional grande, fazendo com que você fique instantaneamente emocionado e torça por sua felicidade.
Acredito que muitas moças irão se identificar com a Alex, e isso poderá se transformar em algo inspirador e que acrescentará na vida de cada uma. A personagem trará uma força maior para essas garotas e uma confiança ainda não descoberta, mas que precisa ser colocada em prática. Poderá ajudar e motivar muitas mulheres homossexuais ou bissexuais que estão a procura de auto aceitação e da aceitação da própria família. Alex é a uma mulher fortíssima, inspiradora e encantadora, sendo a minha personagem preferida da série e o motivo principal pelo qual eu ainda acompanhava.


CAT GRANT

A Cat é aquele tipo de personagem que há momentos em que você irá odiá-la e há momentos em que você irá querer abraçá-la. Aquele tipo de personagem que você a princípio odeia, mas ao decorrer do tempo começa a nutrir um grande afeto. E como se ainda não fosse o bastante, provavelmente é a personagem com mais frases inspiradoras e que ao mesmo tempo são um tapa na nossa cara, frases que dão vontade de tatuá-las na testa e levá-las para a vida inteira como grande ensinamentos e reflexões. Ela é sincera, não tem medo de magoar os empregados ou a sua própria família e construiu o seu sucesso, sendo dona e criadora de uma das revistas mais poderosas.
A personagem tem um papel mais frequente na primeira temporada, onde é a chefe da Kara, mas sai do elenco principal a partir da segunda, tendo poucas aparições. Mesmo assim, acredito que a Cat seja um grande ponto e uma grande parte no crescimento da Kara, por isso ela deve ter toda atenção possível, principalmente porque ela adora esse tipo de atenção e involuntariamente muda a vida das pessoas ao seu redor.
Ao decorrer dos episódios Cat Grant se transforma em uma ótima amiga e conselheira para Kara, dando-lhe os melhores "toques", que inclusive servirão para você também, e impulsionando-a a sempre seguir em frente em busca do seu melhor. É perceptível por trás de todo o seu ego uma grande humanidade e presença de liderança, duas características positivas que podemos retirar da personagem e colocá-las em nós mesmas


LENA LUTHOR

Lena é irmã de Lex Luthor e exatamente por causa da má fama do irmão e dos últimos acontecimentos, que acredito serem de Batman vs Superman, ela passa uma certa arrogância familiar e a impressão de ser uma vilã, ou alguém que ainda poderá se revelar como uma. Porém a srta. Luthor consegue ser uma personagem bem construída e que vai além das aparências, nos surpreendendo com a sua força de vontade em se desprender da fama que o sobrenome Luthor traz para si e com a amizade sincera que nutre com Kara.
Ao decorrer da história Lena vai ganhando um espaço maior na trama e se envolvendo intimamente com os acontecimentos que rodeiam Kara e ao mesmo tempo a Supergirl, se tornando uma amiga para ambas sem saber que são a mesma pessoa. As duas constroem um laço grande de amizade e parceria, uma amizade baseada em sinceridade e na crença uma na outraO que mais me conquistou na personagem, além de ser uma mulher de opinião forte, independente e uma pessoa que rege as suas próprias regras, ela também mostra que um sobrenome não é tudo e que isto não poderá definir quem você escolhe ser. 
Muitas vezes eu duvidei de seu caráter e pensei que aquela moça simpática, e às vezes até inocente, era apenas uma máscara para a Luthor que iria se revelar. Mas, felizmente, pelo menos até o final da segunda temporada, digo de uma forma feliz que eu me enganei. Ela cresceu ao decorrer dos episódios, assim como as outras mulheres da série e torço para que cresça ainda mais, pois adoro a presença que a personagem tem e o significado que ela traz para a vida da Kara.

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Minha vontade era citar todas as mulheres da série, incluindo as vilãs e até mesmo as que não simpatizei, porém ficam aqui como menções honrosas e como personagens que também merecem uma atenção maior pelo telespectador, afinal, cada personagem tem a sua própria história e as suas próprias motivações pessoais.

Supergirl não se resume apenas a personagem que dá nome a série e também não se prende em desenvolver apenas essa personagem ou dedicar um espaço maior aos personagens masculinos. Na série conseguimos ter um balanceamento entre os personagens de ambos os sexos e uma representação verdadeira do que é ser uma mulher na atualidade: dona de si, independente, inteligente e empoderada. A série também não se resume em explorar apenas a mulher padrão imposta pela sociedade, a branca, magra e hétero. Embora ainda pequem na representatividade por parte de pessoas gordas e ainda estejam com poucos números de personagens LGBT.

Apesar dos seus defeitos, que ocorrem principalmente na primeira temporada sendo um deles os efeitos especiais, Supergirl é uma série que merece ser levada a sério e assistida. Com um enredo aparentemente leve, a série acaba sendo um ótimo recurso para acompanharmos essa heroína que tanto adoramos e para conhecermos melhor alguns heróis e vilões da DC. Já adianto que se você lê quadrinhos da DC ou assiste aos filmes, vai adorar as referências que a série traz. 
Fica aqui como dica de maratona, aproveitando que as temporadas estão disponíveis na Netflix. Vamos dar um reconhecimento maior a essa série que traz uma super heroína como principal e aproveitar para compartilhá-la com as garotas mais novas. Em um mundo de Netflix onde a maioria das séries de super-heróis são protagonizadas por homens, SuperGirl se destaca e ganha espaço com o seu elenco predominado de mulheres fortes e empoderadas.

*OBS: Escrevi esse post há alguns meses, antes mesmo da declaração maldosa da atriz Melissa Benoist sobre os fãs que shippam Kara e Lena, a qual me desanimou bastante em continuar com a série. Decidi publicá-lo pois acredito que o caráter da atriz não condiz com o restante do elenco e por se tratar de uma história protagonizada por uma mulher que vale a pena dar uma chance. Por mais que eu não tenha começado a assistir a 3º temporada e não saiba nem se um dia assistirei, deixo como recomendação as duas primeiras, principalmente a 2º que evoluiu tanto na história como também em alguns efeitos especiais. A primeira temporada ainda peca na representatividade e autonomia das personagens, mas com o passar dos episódios o enredo vai se concertando aos poucos e trazendo cada vez mais personagens femininas. 


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