3 de novembro de 2017

#12mesesdePoe: O Mistério de Marie Roget + Sonhos

Reprodução: Google


O Mistério de Marie Roget
Minha classificação:  (5/5)

Sonhos
Minha classificação:  (3/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto O Mistério de Marie Roget
Quando Marie Roget, uma garota conhecida na cidade por sua simpatia e beleza, é encontrada morta no rio, sem indícios de quem é o assassino, o policial encarregado a resolver o caso decide pedir a ajuda de Dupin, um homem extremamente inteligente, eficiente e o único que conseguiu desvendar no passado o mistério do assassinato de mãe e filha que ocorreu na Rua Morgue.

Sabe-se que Marie, no dia do desaparecimento, saiu para encontrar a tia e voltaria na companhia do noivo na parte da noite, porém, por causa de alguns empecilhos o noivo não pode ir buscá-la e ela acabou por não retornar como era esperado. No começo a preocupação não começou a incomodar e o desespero ainda não era presente, pois há alguns meses Marie havia ficado repentinamente alguns dias fora de casa e retornado depois sem dar explicações, como se fosse apenas um sumiço natural. Porém, a situação de sua mãe muda quando o corpo da filha é encontrado sem vida (e também sem explicações).

O narrador-personagem é amigo de Dupin e o ajuda a desvendar o assassinato da jovem Marie. O conto é recheado de descrições, suposições e, por fim, esclarecimentos. Consiste em uma narrativa que explora o suspense policial e todas suas nuances de tentativas em chegar até o assassino. Vale lembrar também que não é focada no sobrenatural, mas, sim em um assassinato cometido por uma pessoa, o que faz com que a história se torne ainda mais real nas mãos de Poe.

Para aqueles que acharam o nome Dupin familiar, esse personagem também aparece em Os Assassinatos da Rua Morgue, que já fiz resenha por aqui. Poe é extremamente habilidoso em escrever horror, mas, também surpreende o leitor quando embarca em histórias de mistério e investigação.

Poema Sonhos
Nesse poema o eu-lírico relembrará momentos de sua juventude relacionando-a com sonhos, ou seja, colocará a juventude em uma posição onde será comparada com o ato de sonhar, o ato de se sentir livre e de se dispor a sentir aquilo que quiser. Ao comparar a juventude com o sonho, o eu-lírico se expressa através de uma vontade eterna em ser jovem, em não ter preocupações e em viver amores eternos. É perceptível a necessidade de se tornar jovem mais uma vez e viver a vida de forma intensa, sem arrependimentos ou suposições.

Assim como outros poemas em geral, tanto do Poe como também de outros autores, esse traz algumas indagações pessoais e visões que podem ser interpretadas de maneiras diferentes. Basicamente, o que eu senti e extrai do poema poderá ser diferente do que você vai sentir e do que você irá extrair. Isso acaba sendo uma influência das variações de vida entre os leitores, afinal ninguém é igual a ninguém, e também da idade de cada um que ler. Por exemplo, enquanto eu vejo o poema como uma exaltação da juventude, uma adoração aos tempos passados, outro leitor poderá sentir uma certa nostalgia e uma saudade através do eu-lírico.

Minha opinião
Sobre o conto:
Tendo mais uma vez a oportunidade de reler um conto do Poe, posso dizer que a experiência de releituras está sendo cada vez mais satisfatória e incrível. É uma maneira de revisitar as suas histórias e me encantar cada vez mais por suas construções de narrativas.
Dessa vez o conto lido foi extenso e cansativo, chegando a ser o maior até agora no projeto. Não consegui lê-lo em apenas um dia, tive algumas interrupções e acabei por estender a leitura por mais de três dias, porém, mesmo assim continuei conectada com a história e o mistério que rondava o assassinato da Marie. E o mais incrível ainda é que eu não lembrava do final desse conto, tornando-se assim uma grande surpresa para mim, de novo.
A maneira que o Poe constrói histórias de mistérios, onde faz com que o leitor pense e indague sobre os acontecimentos junto com o narrador, é maravilhosa e surpreendente. O autor consegue te tirar de sua zona de conforto e colocar a sua mente para focar em apenas aquilo, te obriga a desvendar o assassinato e a observar melhor os detalhes que estão sendo dados ao decorrer do texto. Infelizmente, por mais que me deem muitas informações eu sou péssima para desvendar mistérios e assassinatos, e, claro, dessa vez não foi diferente, eu não consegui imaginar quem era o assassino. Até pensei em algumas pessoas, mas, estava errada. Talvez por isso eu tenha ficado tão surpresa com o desenrolar da tragédia.
Esse conto conseguiu me prender de uma forma magnífica, mesmo quando eu não estava lendo eu pensava em como seria solucionado e quem seria o real mal da história. Dupin é um personagem carismático e impressionante, a sua inteligência inspira e assusta, pois ao mesmo tempo que pensava o quanto ele era esperto eu também imaginava o quanto essa mente poderia ser assustadora caso usada para algo ruim.
Foi uma leitura bastante agradável e que conseguiu captar minha atenção. Por ser um conto, achei que a extensa narrativa cansou um pouco e por isso foi preciso fazer algumas paradas obrigatórias, porém, nada que trouxesse uma experiência negativa para a minha leitura, ao contrário, isso apenas agregou. Acredito que eu precisava dessas pausas até mesmo para pensar mais nas dicas que o Dupin estava expondo como também para "respirar" entre um parágrafo e outro.
Talvez justamente por conta de seu tamanho eu não o recomendaria para iniciantes em histórias do Poe. O conto não tem termos difíceis ou tantas palavras desconhecidas, mas, a quantidade de páginas poderá pesar para os novatos. Caso já tenha lido outras histórias do autor, indico que arrisque imediatamente nessa, pois, na minha opinião, é uma das melhores feitas por ele. Tem todos os elementos clássicos que podem ser encontrados em um texto do Edgar Allan Poe: mistério, suspense e a forma personificada do mal. Por isso, não esperem, apenas leiam e se deliciem com a escrita encantadora e sufocante do escritor.

Sobre o poema:
Um poema bonito, de leitura fluida e fácil, que pode trazer um significado para cada leitor. Para mim, vi muito de saudade no eu-lírico, saudade dos velhos tempos, da juventude e até mesmo de uma vida que ainda não chegou. Como toda leitura, chega a ser impossível não comparar o eu-lírico com o próprio autor, então, acabei que vi muito dessa saudade no próprio Poe em relação ao casamento dele, talvez saudade da esposa e de quando ainda estavam juntos, ou isso pode ser apenas uma impressão na minha cabeça. Só não consigo não correlacionar os dois, vida pessoal e escrita.
A minha leitura fluiu bem e deixou um ar de "quero mais". Eu gosto bastante desses momentos do mês que reservo para ler o poema escolhido e desfruto da mente do Poe. Eu adoro ver esse lado mais pessoal, carregado de sentimentos e de beleza. É uma outra visão, uma outra escrita, um outro estilo de texto. Por mais que eu adore os contos, os poemas também estão sendo cruciais para um conhecimento maior da mente do autor, e ambos estão se complementando na minha visão de fã e leitora.
Sonhos é aquele poema indicado para qualquer pessoa, seja jovem ou não, seja amante de poesia ou não, seja fã do Poe ou não. Não interessa. O que importa é você se deixar levar pelo eu-lírico e sentir o que ele transmite, o que ele quer passar. O importante é você se deixar permitir, se deixar se persuadido e apreciar a musicalidade que há nas palavras. É necessário que você dê uma chance para a poesia e deixe que ela penetre em você.
Conheça esse outro lado do Edgar Allan Poe e, se sentir vontade, comece por Sonhos. Deixo-o aqui como indicação pessoal e que lhe trará muitas boas sensações.
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