20 de outubro de 2017

#MaratonaMacabra: "A Cor que Veio do Espaço" - H. P. Lovecraft


Reprodução: Google
A Cor que Veio do Espaço
Autor: H. P. Lovecraft
Minha classificação:  (5/5+favorito)

O conto
A oeste de Arkham há uma cidade antiga cujo uma estrada está denominada como "charneca maldita". Muitos podem pensar que esse nome vem de uma lenda antiga, um acontecimento que decorreu há séculos e que se tornou parte das histórias contadas de vô para neto. Mas, não, a tragédia que resultou nesse nome aconteceu apenas há algumas décadas, ainda dando para pressentir o mal que habitou aquelas terras e trouxe sofrimento para quem ali morava.

O narrador-personagem está na cidadezinha para acompanhar a construção do novo reservatório que está sendo construído perto da maligna charneca. Curioso com os burburinhos maldosos que ouviu sobre o lugar, fofocas sobre ser um local diabólico e inabitável, procurou um homem que havia presenciado pessoalmente o horror, Ammi Pierce, considerado pela população como um velho louco.

O acontecimento que rodeia a "charneca maldita" se inicia quando uma rocha cai do céu dentro da fazenda de Nahum Gardner, bem ao lado do seu poço. Os pesquisadores ao tomarem conhecimento, levam um pedaço da rocha misteriosa para o laboratório da faculdade e começam a testá-la, com o intuito de descobrir de onde veio e para que serve, sem muitos resultados satisfatórios. Já na fazenda a tal pedra começa a emanar uma cor ao seu redor, uma cor desconhecida e inominável, fazendo com que a família Gardner comece a ter alguns surtos de loucura, sintomas que vão se agravando cada vez mais.

Nesse conto, extenso e cheio de descrições, temos a marca registrada de Lovecraft: a loucura humana. A transformação das pessoas que têm contato direto com a rocha é agonizante e ao mesmo tempo de encher os olhos. A escrita do autor é intensa, visual e absurda (de uma forma extremamente positiva). O leitor sente a agonia dos personagens, sente o cheiro de morbidez e morte que rondam as cenas, sente o espanto do próprio Ammi Pierce e se vê louco junto com ele.

Acredito que, como o próprio Lovecraft diz, o medo se mostra ainda mais intenso quando é gerado por algo desconhecido, quando tememos algo que não conhecemos, e isso é expresso muito bem em A Cor que Veio do Espaço. Você não enxergará mais poços, fazendas e até mesmo rochas da mesma maneira depois de finalizar a leitura.

Minha opinião
Primeiramente queria dizer que está sendo ótimo poder revisitar a escrita e mente de Lovecraft. Já fazia algum tempo que eu não lia nada do autor e através da maratona consegui tirar um tempo exclusivamente para colocar essas leituras em dia. Está sendo ótimo! Na verdade, eu não me lembrava o quanto as histórias do Lovecraft são impressionantes e agoniantes, do jeitinho que eu gosto. Tentarei não deixá-lo de lado depois que outubro acabar, prometo.
Agora falando da minha experiência com o conto: eu não sei por onde começar. Como já devem ter percebido, eu favoritei essa história e acredito que isso se levou por diversos fatores, alguns tentarei expor por aqui. 
Eu não conhecia nada dessa história, absolutamente nada e, talvez, isso tenha contribuído para o meu choque durante a leitura. Não creio que ler uma sinopse ou resenha teria afetado a minha experiência, mas, no momento o melhor foi ir de mente limpa e sem saber o que esperar da história. Semelhante a Edgar Allan Poe, Lovecraft costuma mexer com o psicológico e a lucidez de seus leitores, e isso se mostrou com bastante intensidade para mim dessa vez. 
Ao finalizar a leitura eu me sentia sufocada, claustrofóbica, alucinada e querendo, imediatamente, gritar. Fui arrebatada por pavor, medo e curiosidade. Não conseguia entender o que havia lido e também não conseguia absorver o quanto aquilo era preocupante, visceral. Mas, ao mesmo tempo me senti maravilhada e extasiada, com um sentimento de que havia lido algo realmente incrível e que mudaria todas as histórias que eu lesse futuramente. É como se eu me sentisse mais forte perante ao medo e difícil de ser enganada, pois o Lovecraft me fez "tremer as pernas" e sentir o meu coração na boca. Acredito que será mais difícil ter esses sentimentos com outros autores, mas, é o que agora procuro, com total certeza.
Por mais que o conto seja extenso, a escrita do autor faz com que a leitura flua rápido e desesperadamente, como se o leitor precisasse chegar ao final da história e saber o mais rápido possível o que aconteceu na charneca maldita. É uma apreensão misturada com curiosidade, e é exatamente por isso que as horas passam e você não percebe o tanto que já leu.
Em alguns momentos eu tive dificuldade em imaginar determinadas cenas, mas, as descrições conseguem te imergir com força naquele mundo e na história que está sendo contada. Acabei assimilando as tais cenas com momentos de filmes que gosto e tudo acabou se tornando mais visual e fácil de ser "visto".
Uma leitura, de certa forma, agradável, que trará ótimos pesadelos aos fãs de horror. Serve tanto para um primeiro contato com a loucura de Lovecraft como também para aumentá-la ainda mais. Um conto que deve ser lido por todos os amantes do gênero e espalhado pelo universo do terror. 
Leia e sinta-se perseguido à noite. Deixe a loucura entrar em sua cabeça. Porém, cuidado! Pois, vai que cai uma grande pedra de cor desconhecida aí do lado da sua casa.
Essa resenha faz parte da Maratona Literária Macabra. 
Leia também as resenhas das outras meninas, que são de contos variados de terror: Eu Duarda 

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