11 de agosto de 2017

#12mesesdePoe: Os Assassinatos na Rua Morgue + Um Sonho Dentro de um Sonho


Reprodução: Google


Os Assassinatos na Rua Morgue 
Minha classificação:  (5/5)

Um Sonho Dentro de um Sonho
Minha classificação:  (4/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto Os Assassinatos na Rua Morgue
O narrador-personagem começa a sua história, narrada em 1º pessoa, contando sobre como conheceu o francês Monsieur C. Auguste Dupin, um homem que posteriormente iria desfrutar de uma grande amizade com o nosso narrador e dividir um apartamento com o mesmo.

Ao decorrer dessa convivência o narrador se torna ciente de uma peculiaridade de seu amigo Dupin, algo que o difere dos demais, colocando-o até mesmo como superior, mesmo que ele não se veja dessa maneira. Essa peculiaridade é exposta ainda com mais força quando a dupla de amigos decide investigar um homicídio que ocorreu na Rua Morgue, resultando na morte brutal de duas mulheres, sendo uma mais jovem e a outra mais velha, mãe e filha. Juntos os dois vão atrás das pistas que os policiais deixaram escapar com a pretensão de encontrar o assassino, já que a polícia se deu por vencida.

Nesse conto temos uma investigação policial regida pelo nosso narrador e por seu amigo Dupin. O personagem Dupin criado pelo Edgar Allan Poe poderá trazer ao leitor algumas referências de grandes nomes dentro desse gênero, como Sherlock HolmesHercule Poirot, visivelmente inspirados na criação de Poe. A inteligência de Dupin irá te surpreender do começo ao fim, deixando o leitor até mesmo sem ar em determinados momentos, fazendo assim com que a leitura se torne frenética e cheia de ansiedade para saber quem é o assassino.

Em Os Assassinatos na Rua Morgue a narração pode ser classificada como precisa, sendo ainda recheada de detalhes e descrições. A leitura flui rapidamente, mesmo o conto tendo mais páginas que o habitual das histórias do Poe (a versão que li tinha umas 30 páginas, por aí). Por mais que o foco seja uma investigação policial, o suspense e até mesmo o horror chegam a ser presentes em toda a história, fazendo com que você fique apreensivo e curioso ao mesmo tempo. Uma ótima maneira de conhecer todas as facetas desse autor.
"Mas a negra divindade não poderia nos fazer companhia permanentemente; então, simulávamos sua presença. Aos primeiros raios da aurora fechávamos todas as maciças venezianas de nossa casa, acendendo um par de círios que, fortemente perfumados, lançavam apenas a luz mais débil e espectral. Com a ajuda deles enchíamos nossas almas de sonhos - lendo, escrevendo ou conversando, até sermos advertidos pelo relógio da chegada das genuínas Trevas."

Poema Um Sonho Dentro de um Sonho
O eu-lírico disserta sobre a vida e o sonho, se aquele momento o qual se encontra será mesmo a realidade ou apenas um sonho que está sonhando. Chega a ser perceptível o modo que o eu-lírico tem dificuldade em distinguir a realidade da fantasia, algo que ele passa com bastante precisão e de forma realista para o leitor.

Esse poema escrito em 1848 pelo Edgar Allan Poe poderá trazer algumas interpretações diferentes aos leitores. Há quem diz que esse poema fala sobre a realidade andar lado a lado com o sonho, sendo assim um o complemento do outro; outros leitores discutem sobre o eu-lírico desafiá-los a prestarem atenção ao mundo ao seu redor, tentando distinguir o real da fantasia; e há também aqueles que veem nesse poema apenas um texto sobre sentir-se preso aos seus sonhos, com o eu-lírico sem saber como desprender-se da fantasia e seguir pela realidade. 

Assim como outros poemas, Um Sonho Dentro de um Sonho poderá te trazer diversas perspectivas e despertar diferentes reações em sua mente. Basta você deixar-se levar pelo eu-lírico e afundar-se com ele em meio as areias do mar, tentando entender o que na sua vida está sendo realidade ou sonho. Afinal, você está vivendo ou apenas criando fantasias em sua mente?
"O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?"

Minha opinião
Sobre o conto:
Essa leitura para mim foi uma releitura, pois já havia tido contato com o conto antes quando tive a oportunidade de ler um livro de contos do Poe pela primeira vez (tem até resenha dele por aqui, mas é antiga). Lembro de ter gostado bastante na primeira vez que li e, não sei se isso é possível, gostei ainda mais nessa segunda leitura. Acredito que o Poe tenha esse poder de tornar as releituras de suas histórias ainda mais gratificantes e preciosas, até porque a sua experiência com a escrita do autor vai se tornando melhor a cada descoberta, então, cada leitura acaba sendo como se fosse nova.
Deixando esse assunto sobre releitura de lado, vamos as minhas impressões. Eu gosto bastante desse conto e gostei ainda mais. A leitura, por mais que o conto seja maior do que os demais, fluiu rápido e foi bastante agradável. Consegui aproveitá-la ainda mais nessa segunda vez e prestar mais atenção aos detalhes. O Poe tem um dom incrível de conseguir "prender" o leitor durante toda a narrativa e fazer com que ele sinta-se no lugar do próprio personagem. Nesse caso, eu me senti sendo o próprio narrador. Fiquei apreensiva em saber quem era o assassino e ao mesmo tempo fiquei imaginando como eu não teria percebido as tais pistas.
Foi ótimo desfrutar dessa leitura no mês passado e fiquei ainda mais animada para lê-lo novamente no futuro. É um conto que eu recomendo para todos que já conhecem a narrativa do Poe, mas também para aqueles que pretendem conhecer as histórias do autor. Não se assustem com o tamanho do conto, pois cada página vale a sua total atenção e você logo perceberá ao final que o autor entrega muito além do que promete: uma narração recheada de suspense e com muitas pitadas de horror.

Sobre o poema:
Leitura de poemas para mim sempre são difíceis, principalmente quando o quesito é interpretá-las ou entendê-las. Porém, sempre digo nas resenhas mensais do projeto 12 Meses de Poe que estou adorando a experiência em conhecer os poemas do Poe e ter o contato com essa forma de escrita. E realmente parece que a cada mês a minha experiência de leitura com os poemas se tornam mais positivas, mesmo que aconteça de gostar menos de um do que de outro. Essa oportunidade despertou em mim um amor por poesia e poemas que eu ainda não tinha conhecimento. Já posso agradecer a Anna, criadora do projeto?
Acredito ser importante sempre falar sobre isso, pois sei que muitas pessoas não leem poemas por pensarem que é chato ou por acharem que não iriam se identificar com esse estilo de texto. Mas, deixo aqui como um aviso para que vocês procurem e se aventurem em poemas, seja do Edgar Allan Poe, Cecília Meireles (que estou descobrindo agora e também adorando!), Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina, Augusto dos Anjos ou de outros autores. O importante é conhecer e experimentar.
Quanto a minha experiência com esse poema em específico, posso dizer que foi confusa, porém, maravilhosa. Eu já havia ouvido coisas positivas sobre ele e ainda me surpreendi por ser um texto tão pequeno, mas tão cheio de significados e sentimentos. Não posso dizer que entendi por completo, mas, posso afirmar que me fez pensar um pouco mais e até mesmo lê-lo mais de uma vez. 
Tenho a impressão que o eu-lírico estava perdido entre a realidade e a fantasia, sem conseguir distinguir qual é qual. E, claro, atire a primeira pedra quem nunca quis que a fantasia fosse a verdadeira realidade da sua vida ou que os seus sonhos se tornassem reais pelo menos uma vez. É um conto que te faz pensar e analisar quais são as suas fantasias e o que você está fazendo para trazê-las para a realidade. Ou melhor, o que você está fazendo para vivê-las. Pode não parecer tão grandioso ao final da primeira vez que você lê, mas, o conto irá consumir a sua mente a partir do momento em que você parar para pensar nele. Recomendo-o.
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