14 de dezembro de 2017

"Star Wars: Os Últimos Jedi": emocionante e surpreendente

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"Após encontrar o mítico e recluso Luke Skywalker em uma ilha isolada, a jovem Rey busca entender o balanço da Força a partir dos ensinamentos do mestre jedi. Paralelamente, o Primeiro Império de Kylo Ren se reorganiza para enfrentar a Aliança Rebelde."
Assista ao trailer
Olá leitores!
O grande dia chegou: Star Wars - Os Últimos Jedi finalmente está entre nós! E para aqueles que, assim como eu, estavam com o filme na lista de mais aguardados de 2018 agora podem respirar calmamente ou apenas surtar de vez, pois a hora de conferi-lo chegou. Afinal, o que são as festanças do Natal comparado com a estréia de Star Wars nesse mês de dezembro?

Falando brevemente do elenco, o qual já conhecemos muito bem, vale ressaltar que dessa vez o Luke, interpretado por Mark Hamill, terá um tempo maior em cena, sendo até mesmo um grande destaque do longa. Continuamos com a saga de acompanhar a nossa querida Rey para tentar descobrir quem são os seus pais e como domar essa Força que despertou com tanta intensidade dentro dela, e nesse quesito é importante ressaltar que Daisy Ridley continua cativante, trazendo também para a personagem uma nova independência de escolhas e mostrando toda o seu girl power que está cada vez mais forte. Carrie Fisher volta como Leia e emociona os fãs toda vez que aparece em cena, principalmente em uma específica onde acontece um ataque a nave dos Rebeldes. Dentre os demais, John Boyega (Finn), Adam Driver (Kylo Ren), Oscar Isaac (Poe Dameron) e Kelly Marie Tran (Rose) ganham um destaque no enredo e aparecem com frequência durante o filme, contracenando ótimas cenas e trazendo algumas até mesmo épicas.

É necessário e importante alertar que esse post NÃO contém spoilers! 


Reprodução: Google
Particularmente, eu gostei muito do resultado do filme. Tenho algumas pequenas ressalvas, que são expostas mais para frente no post, mas em nenhum momento esses pontos estragaram a minha experiência como fã. Eu estava muito animada e consegui me envolver bastante com a história e com a carga de emoção transmitida pelos personagens. Aliás, acredito que os sentimentos e emoções estão mais explorados profundamente nesse, mas não sei explicar bem o porquê. Além, é claro, de uma carga enorme de nostalgia e saudade.

Para exemplificar melhor o meu contentamento, separei 4 pontos que me deixaram bastante animada enquanto assistia e que me fizeram sair do cinema em total êxtase. São eles:

1. O desenvolvimento de Luke e a sua cena ao final do filme:
Luke tem um grande espaço e traz imensa felicidade para o público que, em grande parte, ficou meio "revoltado" com a sua minúscula participação no episódio anterior. Descobrimos o que ele está fazendo na tal ilha e a verdadeira história por trás de seu isolamento. Também temos uma visão mais ampla do lugar e das criaturas que ali vivem, tendo até mesmo um vislumbre de como é o dia-a-dia do nosso querido Jedi. Acredito que esse foco foi necessário e acolhedor, pois precisávamos de um contato maior com o personagem nessa nova trilogia e conseguimos tê-lo de volta.
Quanto ao final do filme, em uma cena específica que envolve o Luke, sem dar maiores detalhes ou estragar a experiência de vocês, apenas quero comentar que a tal cena é incrível e de arrepiar. Aqueceu o meu coração ao mesmo tempo que o destruiu. Porém fez com que eu me sentisse reconfortada e com um carinho ainda maior pelo personagem.

2. A entrada de Rose Tico, personagem nova:
Rose é inteligente, esperta e valiosa. Mas parece que ainda não percebeu isso, pois ao perder a irmã em um ataque contra as naves inimigas ela se encontra completamente desolada e deprimida, sentindo que algo lhe foi tirado e nunca será recolocado. Assim que conhecemos a personagem, no mesmo momento em que Finn a conhece, já temos um deslumbre do quanto é determinada e dona de sua inteligência. A amizade que os dois nutrem ao longo da história é bonita e intensa. E a mensagem que Rose passa sobre liberdade também é belíssima.
Espero que ela tenha mais espaço no próximo filme e que continuemos acompanhando-a mais de perto.

3. O verdadeiro significado da Força:
Teremos a Força em seu estado mais puro e concreto. Aprenderemos "na pele" que a Força não é uma personificação e muito menos uma pessoa, mas que a Força é aquilo que está dentro de você o qual lhe impulsiona. A Força não faz de você um Jedi, mas apenas lhe ensina a seguir o caminho.
Essa mensagem do que é o real significado da Força e como reage dentro de si foi um ponto forte para mim. Por mais que eu adore a franquia e já tenha feito algumas maratonas com o meu namorado, ainda tenho muitas dúvidas sobre os termos, filosofias e até mesmo a política, então ter esse esclarecimento mais preciso sobre a Força me abriu os olhos e também fez com que meu coração se sentisse acolhido. É algo que a própria Rey tem que prestar atenção e entender, assim como nós também.

4. A cena que fecha o filme (também sem spoilers):
O que dizer da cena final sem dar detalhes ou falá-la literalmente? Apenas digo que com essa cena o título do filme faz total sentido e mostra seu real significado. Mas infelizmente quando esta chega, sabemos que o filme também se encerra, e aí apenas o que resta é vontade de assisti-lo novamente.

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Como disse acima, alguns pontos não tão positivos devem ser ressaltados, porém não chegaram a interferir em minha reação e emoção perante ao filme. Apenas citarei por questão de curiosidade. Então, vamos lá:

- A pequena cena da Capitã Phasma:
Algo que me deixou triste no filme foi o pouco tempo que a Capitã Phasma teve em cena. Não sei o porque, mas ao assistir aos trailers imaginei que ela teria um espaço maior nesse episódio, quem sabe uma batalha épica com o Finn (como foi sutilmente apresentado em um trailer). Aparentemente a Capitã teve um destaque maior do que no filme anterior, porém eu queria muito mais, até porque ela é uma das minhas personagens preferidas mesmo sem proferir quase nenhuma palavra, então senti falta de sua presença. Embora o espaço tenha sido pequeno, achei que a cena em que ela fica como centro é ótima e gratificante. Só deixou um gostinho de quero mais em mim.

- O excesso de humor:
Como um habitual filme da Disney, Os Últimos Jedi não poderia escapar das piadas em grande excesso que inundam, por exemplo, os filmes da Marvel. Eu gosto do humor contido nos filmes da Disney, inclusive nos de super heróis, mas acho que deveria ser dosado com mais cuidado e moderação.
Por mais que eu tenha rido inúmeras vezes com o Luke, as caras confusas do Finn e outros alívios cômicos, às vezes dá a impressão de que algumas piadas são forçadas e feitas para agradar o público "família". Em algumas cenas eu senti falta de mais seriedade e foco, por mais que o clima central da história fosse em si pesado e emocional.

- A quantidade de personagens femininas:
E esse nem se encaixa em um ponto negativo, apenas é algo que eu gostaria de comentar. Star Wars é uma franquia que desde o começo traz personagens femininas como destaque, por exemplo a Leia e a Padmé, mas que ao mesmo tempo não explorava em maior quantidade outras personagens. Nessa nova trilogia temos um espaço maior para as mulheres e o ingresso da Rey como grande destaque e personagem principal. 
Acredito que não devo me estender aqui em como a representatividade dentro de Star Wars é importante para as fãs e o quanto isso molda cada criança, mas acredito que seja interessante dizer que nessa nova franquia as meninas têm mais personagens em que se inspirar e um leque "maior" para escolher aquela com a qual mais se identifica, incluindo até mesmo uma stormtrooper. No Episódio VIII temos uma nova personagem, a Rose, que também agrega para esse papel de representatividade e que traz uma nova força para as garotas. 
Apenas gostaria de dizer que eu quero continuar vendo isso em Star Wars e em maior número nos próximos episódios. Não quero que todos os personagens masculinos sejam substituídos por mulheres. Longe disso. Apenas quero que haja um balanceamento e tenha representativa para os dois lados do grupo. Apenas quero que continuem crescendo, tanto como filme como também na parte de elenco.
Não consigo começar a falar de Star Wars e não me empolgar, ainda mais sobre um filme que eu esperei tanto ao decorrer desse ano. Ao assistir eu me emocionei, chorei e sorri. Matei a saudade que estava dos personagens, mas ao final acabei sentindo ainda mais. Não sei opinar sobre as cenas da Carrie Fisher, que me encheram de agonia e saudade. Mas sei concordar quando dizem sobre a importância de Leia para esse universo.

Não sei o que esperar do próximo filme, mas torço para que chegue mais rápido do que esse, que foi uma eternidade para lançar. E também torço para que venham filmes ainda melhores e que nos agradem, pois não há como se cansar quando a produção é bem feita. Espero que vocês tenham gostado da minha opinião e que tenham uma ótima experiência nos cinemas. Aproveitem para me contar nos comentários como está a ansiedade de vocês e, caso já tenham assistido, o que acharam dessa continuação. Vou adorar conversar mais sobre esse assunto que tanto me encanta e me enche de entusiasmo.


Que a Força esteja com vocês.
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12 de dezembro de 2017

#Clarice-se: "Mas Vai Chover" (NOVEMBRO)

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Mas Vai Chover

Autora: Clarice Lispector
Minha avaliação: ★★★ (3/3)
"Maria Angélica de Andrade tinha sessenta anos. E um amante, Alexandre, de dezenove anos."
Maria Angélica de Andrade é uma mulher rica. Tem o poder de desfrutar das melhores coisas materiais da vida, porém vive sozinha em uma grande e solitária casa. Em um dia ao fazer um pedido em uma farmácia e pedir para que lhe entreguem na própria residência, a idosa tem o seu primeiro contato com o entregador, Alexandre, um jovem bonito e que logo "rouba" o seu coração.

No começo não é fácil conquistar o jovem, principalmente por conta da grande diferença de idade. Mas, sendo o rapaz muito ambicioso, extrai da mulher tudo que o dinheiro possa lhe garantir e em troca finge nutrir uma espécie de relação com Maria. Alexandre não faz questão de mentir ou de fingir amor, deixando claro que as relações sexuais são frutos dos presentes que recebe. Mesmo assim a mulher continua amando-o e satisfazendo as suas vontades.

Porém por ser tão jovem e se forçar a ter uma relação por obrigação, Alexandre acaba desenvolvendo alguns problemas pessoais que o perseguirão pelo resto da vida. Mesmo assim, o rapaz continua com Maria, mas há momentos em que faz questão de mostrar para ela que outras mulheres também entram em sua vida e que, inclusive, algumas têm mais valor do que aquela que não lhe deixa faltar nada. 

Esse convívio que se intercala em uma relação de amor e ódio, traz um resultado inesperado para a vida de Maria, fazendo com que a idosa abra pela primeira vez os olhos e enxergue a verdade que a vida sempre quis lhe mostrar. A decisão final poderá não ser uma surpresa para o leitor, mas trará reflexões que poderão ir muito além do esperado.

Através de uma narração em 3º pessoa, Clarice traz uma narradora que se passa por expectadora e que julga, mesmo nas entrelinhas, as atitudes solitárias e desesperadas da personagem principal. Fica claro a mensagem de desespero, solidão e carência que o conto traz enfezado dentro de Maria, sendo a personagem como a personificação de todos esses sentimentos. Uma história que falará sobre isso e muito mais, englobando também um ar de manipulação, melancolia e, ao fim, alívio.

Minha opinião
Para mim, o conto foi simples e não consegui ter uma interpretação mais aprofundada do texto, como percebi em outras pessoas através do debate no grupo. Mas acredito que aquilo que extrai e todos os sentimentos que permaneceram em mim mesmo após a leitura foram o resultado de uma história que deve ser conhecida e interpretada de várias maneiras. Mesmo eu achando que minha conclusão não foi profunda ou intensa, ainda acho que a leitura valeu a pena e que consegui tirar do conto tudo que eu deveria, tudo que faria diferença para mim. E que fez.

Falando sobre a história em si, acredito que a personagem principal, a idosa, apenas queria ser amada, assim como todos nós, e que tentou em vão procurar esse amor no jovem manipulador. Sem querer entrar em detalhes ou entregar o ouro, o final me pareceu um tipo de alívio, de certa forma. Encarei que a chuva e a última frase poderiam estar relacionadas com os sentimentos internos de Maria, como se fosse uma metáfora.

Um conto que poderá parecer simples aos olhos desatentos como os meus, mas que trará uma grande experiência de leitura e indagações pessoais para todos. Para aqueles que já conhecem a escrita da Clarice, talvez seja mais fácil identificar significados e profundidade em temas tão simples, algo que ainda gera uma certa dificuldade para mim. Mas espero que todos aqueles que lerem consigam extrair algo de bom e uma mensagem que fique com você, seja motivacional ou apenas como uma lembrança boa. Recomendo que leiam o conto e sintam a Maria na pele (e dentro de você).

Mas Vai Chover pode ser encontrado no livro Clarice Lispector - Todos os Contos, que é uma antologia maravilhosa da escritora, e também no livro A Via Crucis Do Corpo, ambos da editora Rocco. Não esqueçam de entrar no grupo para participar do debate dos próximos contos. Conto com a presença de vocês nesse final de ano e para começar 2018 recheados de Clarice!

Participe do grupo!
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8 de dezembro de 2017

Resenha: "Cigano Lobo" - Demetrio Alexandre Guimarães

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Cigano Lobo

Autor: Demetrio Alexandre Guimarães
Editora: Clube de Autores
Ano: 2015
Minha classificação: ★★★ (3/5)
* Livro cedido pelo autor
Essa resenha não tem spoilers dos livros anteriores que compõem o mesmo universo da história, porém para ler a obra e entender alguns pontos cruciais do enredo você precisará ter lido Rudamon II.


Hiago é cigano e trabalha no circo que pertence ao seu povo. Para espalhar as atrações ao redor do país, o circo se desloca a cada mês para uma cidade diferente, levando assim o espetáculo para novas pessoas e um novo público. O evento é bastante conhecido pelo povo brasileiro, mesmo aqueles que nunca tiveram a oportunidade de assistir a um show, pois nele há uma atração especial e única que não é encontrada nos demais lugares: uma apresentação com Hiago, o cigano com poder telepático.

Mas o que ninguém sabe é que Hiago, depois das suas apresentações, escapa utilizando uma máscara em formato de lobo e sai junto de seu Lobo Guará de estimação, denominado carinhosamente como Lobo, para fazer pequenos roubos pelas moradas mais ricas das cidades. Esse ato criminoso deve-se ao ódio que o cigano nutre por aqueles que desprezam o seu povo e o chamam de mentiroso quando indagado sobre sua habilidade especial.

Em uma dessas escapadas um acontecimento envolvendo o herói Rudamon muda por completo as suas ações, incluindo até mesmo o abandono dos roubos. A partir daí, Hiago terá os seus próprios problemas para enfrentar: um casamento armado com Sulamita, sua prometida desde a infância; o maníaco do ácido Lúcio; o assassino Afonso que se denomina como Homem Rato, o qual prometeu se vingar de farmacêuticos e babás; perdas irreparáveis de entes queridos e um novo amor avassalador que não estava previsto.

Embora a história seja narrada na maioria dos capítulos em 3º pessoa, em momentos de introdução de novos personagens, como a recapitulação sobre o Hiago e a apresentação dos vilões, a narração se passa em 1º pessoa, entregando para o leitor todas as informações necessárias e essenciais para um entendimento completo de cada personagem importante para a trama.

Para aqueles que leram os dois primeiros livros do Rudamon esse será um "prato cheio" de referências ao segundo e que trará alguns esclarecimentos que podem ter ficado em aberto na mente de cada um. O livro também conta com a participação de muitos personagens, me deixando confusa em certos momentos. São muitos vilões, muitas histórias pessoais e muitos nomes para se ater. Esse foi um ponto que, a princípio, havia achado negativo, porém conversando com o próprio autor, que me afirmou fazer isso para ter no futuro um leque maior de personagens para se trabalhar, acredito que essa mescla pode ser trazida para um lado positivo. Eu senti falta dessa profundida a qual ele me prometeu explorar mais para frente. Fiquei curiosa para saber o que esperar dos próximos volumes e dos personagens que ficaram em aberto, como o Thiago, namorado da policial Katarina.

Por mais que pareça que eu tenha passado muita informação sobre o enredo e tenha entregado as surpresas principais, não contei nem a metade do que você pode esperar ao iniciar essa leitura (e estamos falando sobre um livro com menos de 300 páginas). Além de Lúcio e Afonso, teremos um outro vilão que será ainda mais difícil de ser enfrentado, alguém que usará sua inveja para atingir aquele que mais odeia, o cigano Hiago. Na obra há uma mescla de ação, através das lutas e momentos onde o leitor fica ofegante, e romance, onde um triângulo amoroso é formado.

Um dos pontos que mais me ganhou foi a maneira que o autor explorou a cultura cigana. Não sei vocês, mas eu, particularmente, não conhecia quase nada dessa cultura, por isso fiquei muito feliz em saber mais detalhes e que é algo tão rico e grandioso, já que a maioria das retratações ciganas que vi em filmes eram pejorativas. Inclusive é importante citar que há algumas imagens no livro de certos personagens que contribuem para aguçar ainda mais a imaginação.

O que eu não gostei?
Embora eu tenha gostado do livro, algumas ressalvas precisam ser feitas. Inclusive comentei todas com o autor e ele acatou cada uma, me explicando a sua visão e compreendendo o meu lado como leitora. Esse é o ponto mais legal de se ter uma parceria com um autor independente, pois ele escuta as suas observações e conversa de maneira amigável sobre cada uma delas. Esse contato é o ato primordial da parceria para mim. Já trabalhei com o Demetrio duas vezes no ano passado e talvez por isso eu tenha mais liberdade para conversar abertamente com ele. Mas não se preocupem, ele trata de maneira igualitária todos os leitores. Então, sintam-se a vontade para encher a inbox do facebook dele e comentar sobre o livro!
Agora voltando aos pontos negativos da obra, a linguagem repetitiva me incomodou em alguns momentos. Certas vezes o narrador repetia o mesmo termo ou nome, algo desnecessário e cansativo, ficando a impressão de que o leitor não teria prestado atenção suficiente para entender o contexto da cena e quem estava inserido. Mas, assim como possíveis outros detalhes técnicos, este pode ser resolvido em uma nova revisão.
O próprio Hiago também me incomodou. Ele, em determinadas partes, era egocêntrico e machista, se achando o centro do mundo e detentor da verdade. Tentei relevar isso ao máximo, até porque o personagem em si é bastante carismático, mas às vezes era preciso parar a leitura e respirar fundo, se não eu era capaz de entrar na história e dar um tapinha na cara do cigano para fazer com que ele acordasse para a realidade. 
E nisso podemos incluir o amor que nutre em Katarina por Hiago. Eu gosto de romances, principalmente aqueles mais clichês, porém essa mulher também conseguiu me tirar do sério em alguns momentos. Toda hora ela falava sobre quanto o cigano é bonito, forte e corajoso. Às vezes eu tinha vontade de sacudir a moça e dizer "olha amiga, eu entendi que ele é o homem da sua vida, mas agora para, por favor". Entendo que o autor quis dar uma carga emocional mais forte para o romance e acredito que nos próximos livros ele terá tempo para explorar melhor o casal, mas espero que futuramente o romance seja mais espontâneo por parte dos dois.

O próprio Demetrio define a obra dele como uma novela mexicana e eu acho que esse termo se encaixa perfeitamente, tanto por causa da quantidade de personagens como também por causa da carga dramática e de romance que envolve a história. Mas esse termo não está sendo usado por ele, ou por mim, de forma pejorativa. Acredito que isso seja uma maneira de estimular os leitores que gostam desse tipo de aventura para procurarem a obra. Afinal, apesar desses pontos eu me diverti lendo o livro e gostaria que mais pessoas tivessem a mesma experiência.

Minha opinião
Já faz mais de um ano que eu li os dois primeiros livros do Rudamon e como não tenho uma memória muito boa admito que muitos detalhes já se perderam na minha mente, sendo difíceis de relembrar. Para ler Cigano Lobo é preciso que o leitor tenha Rudamon II fresco na cabeça, pois os acontecimentos desse novo livro se darão justamente por causa da trama do segundo Rudamon. Confesso que no começo foi difícil engatar na leitura, pois muitos detalhes eu não conseguia conectar com a história do outro herói, mas com o decorrer da leitura tudo foi ficando mais esclarecido e mais fácil de se assimilar.
Eu gosto da escrita do Demetrio, pois é fácil de se entender e flui com naturalidade, se tornando acessível principalmente para os mais jovens. Acredito que suas obras abrangem todo tipo de público, seja do mais novo ao mais velho, a única coisa que basta é você gostar de fantasia e super heróis, ainda mais sendo o herói uma pessoa brasileira. E isso é um dos pontos que faz com que a obra seja tão necessária e importante de ser espalhada: uma história que se passa em território nacional e que explora heróis do nosso país.
Dentro de Cigano Lobo não teremos apenas ação e romance, dois pontos chaves que comentei mais acima. Em determinados momentos o autor encaixa na história pontos certeiros e necessários de serem discutidos, como prostituição de menores de idade, vendas ilegais de filhos e violência contra a mulher. Infelizmente esses assuntos não são abordados com profundidade e eu senti falta disso, pois são apenas citados em determinadas cenas. Em determinado capítulo há uma luta de Hiago contra a venda de crianças para o meio da prostituição e esse foi um ponto que eu queria ter visto mais, algo além. Nessas partes o autor perdeu uma grande oportunidade de falar sobre assuntos mais pesados de uma maneira que conscientizasse o leitor e o fisgasse ainda mais para dentro da história, principalmente os mais jovens que precisam desse contato dentro da literatura.
O livro, apesar dos momentos mais sérios, tem uma história leve e agradável. Ótimo para tirar os leitores das famosas ressacas literárias, Cigano Lobo traz para a literatura nacional contemporânea mais um marco dos novos heróis brasileiros e uma encantadora fantasia para nos fisgar.

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5 de dezembro de 2017

Comprando online: Clube Box (NOVEMBRO)

Reprodução: Biblioteca Pessoal
Olá leitores!
Mês passado mostrei o que veio na caixa da Clube Box, a qual tinha o tema dedicado ao Stephen King (clica aqui para ver). Como eu também disse por lá, a caixa havia me prometido um brinde caso eu realizasse aquela compra, porém o brinde não veio e eu tive que comprar a próxima caixa para recebê-lo, ganhando assim mais um brinde pelo erro cometido por eles. Dessa vez tudo deu certo e os dois brindes vieram, mas admito que a caixa em si deixou um pouco a desejar, pois o tema havia me deixado bastante animada e, infelizmente, não condiziu com a expectativa.

O tema do mês de novembro foi Monstros, ou seja, uma caixa recheada de monstros clássicos e famosos, algo que eu adoro. Porém admito que esperei outros monstros aos invés dos que foram explorados, fazendo assim com que a decepção viesse logo quando abri a caixa. Também não gostei muito dos itens de brinde que recebi, mas desses não posso reclamar, já que foram dados para mim.

Reprodução: Biblioteca Pessoal
O que veio na caixa:

- 1 colecionável "Prometeu Moderno";
- 1 DVD duplo "O Homem Invisível" + "A Volta do Homem Invisível";
- 1 camiseta com estampa do Guillermo Del Toro;
- 1 livro "O Médico e o Monstro";
- e 1 máscara "Phantom Of The Opera".

Minhas impressões
Como uma apaixonada por livros, o item que eu estava mais esperando era justamente esse: o livro. Mas fiquei triste quando o vi, pois como eu tenho a Caixa Horror, da L&PM Pocket, já tenho esse título na coleção. Até esperava por um título repetido, mas pensei que viria em uma edição mais caprichada. Aliás, caso alguém se interesse por ele, estou realizando uma troca, basta deixar o seu e-mail de contato nos comentários que eu mandarei uma mensagem.
O que eu mais gostei da caixa foi a colecionável e a máscara. Para aqueles que não sabem, eu gosto muito do Frankenstein, ele é um dos meus monstros favoritos, assim como a obra também é. O colecionável é bonito e pesado, e tenho certeza que ficará perfeito na estante ao lado de outros clássicos do terror. Mas achei a cara dele um pouco engraçada, toda vez que olho para ele tenho a impressão de que está de saco cheio da vida e com tédio. Vocês também tiveram essa impressão? Quanto a máscara, O Fantasma da Ópera é o meu musical preferido (e eu sou a louca dos musicais), então ter algo desse filme me deixou bastante animada e feliz. Serão dois itens que guardarei e terei muito ciúmes. São meus novos preciosos.
A camiseta tem uma estampa e cor bonitas, mas admito que não esperava nada do Guillermo Del Toro. Fiquei decepcionada por conta disso, pois acredito que tinha milhares de monstros melhores para serem explorados em uma estampa, já que nessa não ficou muito visível e reconhecível. Só aqueles mais atentos e fãs do trabalho desse cineasta encontrarão as referências que há na camiseta. Eu gostei, mas imaginei que gostaria muito mais.
Nessa caixa não veio CD, o que não fez muita falta para mim, e o DVD é de um filme que eu tenho curiosidade em assistir, ainda mais se tratando da versão antiga. Então, nesse quesito foi uma boa escolha. Já os itens que foram brindes eu não sei se serão úteis, já que não gosto muito do Woody Allen e não conheço o filme. Mas ainda verei o que farei com ambos (provavelmente vão para a pilha de trocas).

Reprodução: Biblioteca Pessoal
Por mais que eu tenha gostado da caixa, pensei que viria mais recheada de referências e de monstros mais marcantes para o horror. Senti falta do grande Cthulhu, da coisa de IT e do Drácula. 
Mas me contem: o que vocês acharam dos itens desse mês? Comprariam? O tema que está em abeto para compra é A Vingança dos Nerds, então caso se interessem basta acessar os links abaixo.


Links da Clube Box
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28 de novembro de 2017

#12mesesdePoe: A Máscara da Morte Escarlate + Espíritos dos Mortos

Reprodução: Google


A Máscara da Morte Escarlate
Minha classificação:  (3/5)


Espíritos dos Mortos
Minha classificação:  (4/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto A Máscara da Morte Escarlate
Há uma doença se espalhando cada vez mais ao redor do país: a Morte Vermelha. Infectando fatalmente os seus hospedeiros, traz o sangramento, de várias formas diferentes, como o principal sintoma. Ao ser infectado, o doente tem apenas trinta minutos de vida, tendo os sintomas agravados durante o decorrer desse tempo.

O príncipe Prospero não está preocupado com a morte que devasta o seu povo, mas se preocupa que a Morte Vermelha possa chegar até ele. Para evitá-la o príncipe fecha a sua moradia e bloqueia a passagem de qualquer pessoa (ou doença) que possa querer se infiltrar no local.  Para não passar todos os dias tendo a solidão como única companheira, ele reúne alguns convidados para morar junto a ele.

O local é dividido em sete aposentos, sendo um deles o único que não é visitado por ninguém, pois é um ambiente escuro, possui uma atmosfera pesada e há um relógio que "grita" a cada hora passada. O barulho feito pelo tal relógio invade até mesmo as entranhas das pessoas que ali vivem, fazendo assim com que não queiram ter contato com o objeto e nem mesmo ficar perto do mesmo quando a hora do barulho chega.

Mesmo com o assombro causado pelo relógio, dentro da mansão tudo é festa e hoje, em específico, a festa aborda o tema do mistério, explorando fantasias e máscaras. As pessoas se divertem, bebem e comemoram a vida. Há música, muita bebida e conversa alta por todos os cantos. Pessoas se dividem pelos cômodos e esperam o fim de mais uma noite. Porém, um visitante misterioso e o tilintar do relógio sugerindo que é meia noite poderão trazer um grande terror aos que estão presentes.

Com uma narração em 3º pessoa, Poe traz um narrador que mesmo estando ciente dos acontecimentos transmite a impressão de ser um observador assim como o leitor. Como se ao falar do Príncipe, um ser egoísta e mesquinho, o narrador se colocasse perante ao personagem e o julgasse pelos seus atos, desejando assim que a felicidade não o atinja, mas que a morte o encontre. Por causa disso o leitor se sente conectado, de alguma forma, com o contador da história. Há um elo, uma ligação. Como se a narração estivesse saindo de nossas próprias bocas.


"O sétimo apartamento era densamente amortalhado em reposteiros de veludo negro  pendendo por todos os lados do teto e das paredes, caindo em pesados drapejamentos sobre um tapete de mesmo material e matiz. Mas apenas nesse recinto a cor das janelas deixava de corresponder à da decoração. As vidraças eram escarlates - uma profunda cor de sangue."

Poema Espíritos dos Mortos
O eu-lírico desse poema é sombrio, mórbido e isolado. Ele disserta sobre espíritos, como se esperasse pela presença dos mesmos ou quisesse espantá-los para longe. Há apreensão, há cuidado. O poema também pode ser visto como uma forma de aviso, podendo assim utilizar os espíritos como uma analogia a algo que está te prendendo no lugar, te impedindo de seguir em frente ou te empurrando para baixo.

Me atentei aos sentimentos ao invés de uma descrição, pois nesse caso o poema traz mais sensações do que uma história propriamente dita. E é por isso que se torna essencial o conhecimento por parte de cada um para conhecer melhor esse poema e descrevê-lo da maneira que acha adequado.

Mas é importante lembrar que: a minha interpretação pode ser diferente da sua, nossas visões podem ser completamente alheias umas das outras, a sensação que o eu-lírico me passou pode ser a oposta pela qual você sentiu/sentirá. Então, caso você tenha lido o conto e tenha tido uma experiência diferente da que descrevi acima, deixe nos comentários e vamos debater sobre isso, pois é aí que está a magia da escrita: as diferentes interpretações.


"A noite, embora iluminada, há de observar
E as estrelas, para baixo, não irão olhar
De seus altos tronos celestiais
Que iluminam como Esperança aos mortais."

Minha opinião
Sobre o conto: 
No meu primeiro contato com esse conto eu havia gostado bastante e agora relendo-o eu também gostei por igual. Essa história é bastante apreensiva e agoniante. Você fica querendo saber quem é o convidado desconhecido e porque a sua fantasia é tão diferente das demais. Você fica indagando o que há de errado com esse homem e por que todos estão com medo dele. Será que ele passa uma sensação ruim? Será que ele, visualmente, é assustador? Ou será que ele transmite os dois?
A escrita do Poe consegue deixar o leitor apreensivo e curioso, querendo saber imediatamente o que está acontecendo e porque a festa estagnou com a chegada dessa pessoa misteriosa. E por o conto ser curto, não ultrapassando mais do que seis páginas, a leitura flui rapidamente e com um ritmo surpreendente. Quando o leitor começa a entender o que está acontecendo a história finaliza. Admito que o final me deixou com um gostinho de quero mais e com curiosidade para saber como estaria a cena visualmente ao término da história.
É incrível a maneira que o autor consegue te prender mesmo com poucas páginas e mesmo com um cenário que foca apenas em um local fechado e pessoas seletas. Em especificamente nesse conto, ele ainda tem a proeza de deixar o leitor assustado apenas com o barulho de um relógio. Acredito que nunca ouvirei o "tic tac" de um relógio da mesma maneira depois dessa leitura (e nem você!). Depois de ter contato com essa história até esse simples barulho me fará tremer e isso é o mais legal das histórias do Poe: essa habilidade de deixar o leitor amedrontado com algo do cotidiano.
Eu tive uma ótima experiência de leitura e consegui sentir o terror dos personagens em mim. Fiquei inquieta, agoniada e desesperada. Mesmo sabendo sobre a personalidade de cada um que mora na mansão e o motivo pelo qual se exilaram ali é quase impossível não sentir empatia e medo por eles. Até porque há um estranho no local, e isso causa pânico, querendo ou não.
A Máscara da Morte Escarlate é um ótimo conto para se ter o primeiro contato com as obras do Edgar Allan Poe. Se você procura uma história macabra e com mistério, esse conto também será perfeito para encaixar-se em sua meta de leitura. Indico para todos que se sentiram intrigados com a resenha e curiosos para saber mais.

Sobre o poema:
Não sei explicar o motivo do poema ter me tocado tanto, não sei se foram as palavras usadas ou o tema abordado ou até mesmo a maneira que a morbidez foi explorada, não sei dizer o que me fez gostar tanto desse texto e o porque do meu deslumbramento enquanto eu lia. Talvez poesia seja isso. Você pode até mesmo não entender o real significado que o eu-lírico está querendo passar, mas da sua forma você sente, seja algo relacionado com o texto ou algo que lhe veio a mente durante a leitura e se mostrou essencial naquele momento.
Acredito que poesia seja exatamente isso: o essencial que você precisa naquele momento. E é por isso que, dependendo do seu estado mental e de espírito, você pode ou não gostar da leitura. Não sei como estou no momento, apenas sei que esse poema adentrou em mim e ficou.
Vi no eu-lírico um desejo de fuga, de libertação dos seus próprios espíritos (medos, conflitos, presenças que não são bem vindas). Acredito que vi a mim no próprio eu-lírico e a identificação foi o que mais me tocou no poema. É um texto lindo, cheio de musicalidade e versos intensos, onde o autor coloca bastante de si e de seus pensamentos. Um texto que deve ser lido e apreciado por todos, independente de quem gosta ou não de poesia, pois é um ótimo passo para se aprofundar nesse gênero literário


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17 de novembro de 2017

Resenha: "As Perguntas" - Antônio Xerxenesky

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As Perguntas
Autor: Antônio Xerxenesky
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Minha classificação:  (3/5)
* Livro cedido pela editora
Alina é formada em história das religiões e especializada em ocultismo, tendo assim em seu histórico pesquisas que exploram o oculto e religiões misteriosas. Estando na faixa dos 30 anos, ocupa um cargo medíocre e que odeia em uma empresa especializada em edição de vídeos, não seguindo assim a carreira em que tanto se esforçou para se especializar. O seu salário não é promissor e nem satisfatório, mas, é o bastante para pagar a sua parte do aluguel que divide com uma colega de apartamento. Porém, Alina tem algo que a distingue dos demais desde a infância, não sendo exatamente uma característica e/ou experiência muito positiva em sua vida: ela enxerga vultos e sombras.

Mesmo tendo uma vida monótona e sem muitas surpresas, Alina tem dentro de si uma vontade de mudar, de trazer para si oportunidades melhores, porém, a vontade não é o bastante para fazê-la correr atrás de uma nova vida, pelo menos não depois da morte sem sentido de seu irmão, uma perda que a atinge até os dias recentes. Depois que o perdeu, Aline também se perdeu, não sabendo o que fazer ou como seguir com a vida. Os caminhos começam a mudar quando ela tem em suas mãos uma oportunidade de balançar os seus dias e trazer um sentido a mais para a rotina. 

Quando pessoas de classe média são dadas como desaparecidas e após alguns dias são encontradas em estado de insanidade, Alina é contactada pela delegada Carla que, através dos estudos da historiadora, precisa de ajuda para concluir um caso que envolve uma seita denominada Ordem Metafísica Experimental e um símbolo que une nove triângulos de cabeça para baixo. 

Usufruindo de pesquisas e do auxílio do amigo Fábio, Alina se vê na dúvida entre ajudar a delegada ou solucionar o mistério sozinha. Além de enfrentar algo totalmente novo e que está fora de seu alcance, ela também se encontra perdida entre o desconhecido e o medo da presença repentina das sombras, que há tanto haviam parado de pertubá-la e agora voltavam de uma forma ainda mais ameaçadora.

"As religiões foram construídas em torno da morte, Alina retomou sua linha de pensamento, elas foram criadas para apreendermos a lidar com isso sem nos desesperarmos (...)"

A história tem o período de apenas um dia, sendo assim dividida em duas partes: dia e noite. A primeira parte é narrada em 3º pessoa, mas, na segunda parte temos a imposição da Alina para narrá-la em 1º pessoa. Durante o enredo é perceptível várias referências a cultura pop, principalmente a filmes de terror já que esse é o gênero preferido da nossa personagem principal. Para aqueles que são fã do filme Suspiria, vão encontrar uma boa dosagem de exaltação dessa obra cinematográfica (admito que fiquei muito animada para assisti-lo pela primeira vez).

Não é comum, mesmo nos dias de hoje, encontrarmos uma personagem feminina que tenta enfrentar os seus medos e vai atrás de respostas. Alina me lembrou bastante o Robert Langdon, o personagem famoso de Código da Vinci, escrito por Dan Brown. Ela investiga, procura e cutuca cada canto para encontrar respostas. Por mais que a situação esteja perigosa e trazendo apenas coisas maléficas para si, ela não desiste. Porém, o que me incomodou na personagem foi alguns comentários extremamente machistas, algo que não deveria ser esperado e nem presenciado de qualquer pessoa.

"Por muito tempo eu procurei expressar o efeito da noite em quem eu sou, e por muito tempo procurei em outros lugares, na história, no cinema, na poesia e na música uma explicação, e diversas vezes achei que tinha encontrado algo, mas toda explicação se revelou incompleta ou imprecisa, talvez porque eu estivesse buscando em outro lugar que não dentro de mim, e embora eu seja capaz de articular teorias sobre os motivos que levam filmes de terror - especialmente os sobrenaturais - a se situarem durante a noite, quando o escuro obriga nossa imaginação a preencher lacunas, ou embora possa discorrer sobre a obsessão dos poetas românticos pela lua e pelo silêncio da madrugada, mesmo falando de tudo isso, estaria apenas produzindo palavras, sendo inteligente, porém falsa, artificiosa, e não encontraria solução alguma. É preciso, penso, acabar com toda ilusão de objetividade."

Minha opinião
Ter recebido esse livro foi uma grande surpresa para mim, ainda mais por ter sido enviado pela própria editora, então, exatamente por causa disso eu estava torcendo bastante para eu gostar da história e da escrita do autor, porém, ao final da leitura fiquei esperando por mais. Outro fator que contribuiu para a minha ansiedade e para ter passado o livro na frente de vários outros foi ser uma literatura nacional contemporânea e do gênero terror. Falou que era terror automaticamente ganhou a minha atenção. E talvez esse tenha sido o meu erro: esperar algo totalmente novo e surpreendente dessa leitura.
Não vou dizer que foi de todo uma leitura ruim, até porque eu gostei da personagem principal e do plot que a trama encaixa na segunda parte, mas, por abordar um tema que eu ainda não havia lido e nem assistido dentro do gênero, acabei por esperar um terror mais pesado e melhor explorado. Essa ideia de sombras e vultos é ótima exatamente pelos caminhos que a história pode seguir e as loucuras que o autor pode encaixar na mente do leitor. Acredito que essa insanidade de personagem para leitor ficou faltando, pois eu não conseguia sentir o medo da Alina. Eu torcia para ela se livrar do que estava acontecendo e até mesmo me senti pressionada pelas decisões dela, porém, o medo não me atingiu e isso seria algo que eu gostaria de ter sentido. Eu gostaria de ter sentido medo pela Alina e pela sua sanidade. Eu gostaria de ter ficado com medo das sombras e de possíveis vultos que às vezes a nossa mente prega na gente, mas, não, o autor perdeu a oportunidade de transformar sombras em algo maligno e assustador e isso foi decepcionante.
A narração também me incomodou um pouco, pois encontrei muito repetição desnecessária e que me fazia bufar de tédio. Por exemplo: sempre que a Alina estava tendo um pensamento dizia "eu pensei", e esse termo era repetido por várias vezes seguidas em um único parágrafo. Era como se ela estivesse nos forçando a acreditar que aquilo era só um pensamento. Mas, gente, se já falou que está pensando para quê repetir novamente? Eu já entendi, amiga. Você está pensando, que legal, agora para. Isso me irritou profundamente e me fez ter uma certa aversão pela narração, infelizmente.
O final também não me agradou muito. Não irei falar detalhes, pois não quero estragar a experiência e expectativa dos leitores, mas, eu tenho um grande problema com finais que ficam em aberto e com esse não foi diferente. Quando li a última linha da última página pensei que estava faltando folhas na minha edição porque não era possível que tudo iria terminar naquele ato. Ainda não entrou na minha cabeça. Mas, estou superando-o.
Foram poucos pontos que eu não gostei, porém, como a minha expectativa estava alta esses pontos foram mais do que suficientes para influenciarem a minha leitura. O livro não é longo, tem menos de 200 páginas e eu consegui lê-lo em três dias, uma média considerável para o meu ritmo lento de leitura. A escrita do Antônio, por mais que seja repetitiva demais (em questão de termos, nomes e palavras), flui rápido e instiga o leitor. Acredito que o tempo da história, que se passa em um dia, também ajude para a leitura "correr", pois não há espaço para paradas ou estagnações, flui direto e faz com que você queira saber logo como será o desenrolar dos acontecimentos.
Eu gosto bastante quando um livro traz referência a outras mídias que acompanho, então, achei positivo as citações sobre alguns filmes, me despertou curiosidade para conhecer aqueles que não tive contato. É interessante conhecer um pouco mais da personagem e descobrir como ela ingressou no meio do terror. Eu também fiquei curiosa para conhecer outras obras do autor, inclusive coloquei F na minha lista de próximas leituras, e pretendo estabelecer um contato com as outras histórias.
Para aqueles que gostam de histórias de terror, indico que leiam o livro, mas não esperando algo assustador ou sangrento. Vá com a mente limpa e deixe-se conquistar pela história. Será algo novo e que poderá te surpreender. Para aqueles que não gostam de terror, mas gostam de histórias recheadas de suspense, também indico o livro, pois como falei acima não há cenas assustadoras ou recheadas de medo. Se você é medroso e ficou curioso através da resenha, pode arriscar. Não é uma história que te deixará acordado a noite. Ou pelo menos não foi esse o impacto que causou em mim.

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15 de novembro de 2017

O hype de LIGA DA JUSTIÇA coincide com o filme?

Reprodução: Google
"Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman, Bruce Wayne convoca sua nova aliada Diana Prince para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque."
Assista ao trailer

Olá leitores!
Liga da Justiça é um dos filmes do ano mais aguardado por mim, ficando lado a lado apenas com Star Wars, então não podia ser diferente: eu estava apreensiva e ao mesmo tempo muito animada pelo resultado que eu encontraria nas telonas. Assim como muitos fãs, eu também conheci a Liga através do desenho que passava no SBT durante a semana, e como esses fãs eu cresci com aqueles personagens e me tornei parte deles. Não apenas deles como também dos Jovens Titãs, onde conheci minha personagem preferida da DC e o querido Cyborg.

O filme vem para apresentar novos rostos que só conhecemos em outras vias: Flash, Cyborg e Aquaman. Mas também traz alguns personagens que já conhecemos nos longas anteriores, como o Batman, Mulher Maravilha, Superman, Alfred, as Amazonas, entre outros. A história abordada segue um ótimo ritmo e roteiro, fazendo com que o filme passe muito rápido e deixe um gostinho de quero mais ao final. Agora que os personagens foram apresentados e a Liga foi formada, o telespectador só tem como pedir por mais: mais aprofundamento, mais personagens e mais filmes. Eu, pessoalmente, pedi por mais ao sair do cinema.

Reprodução: Google
Dessa vez eu não quero falar das minhas cenas preferidas ou dos aspectos que mais me agradaram, talvez mais para o final do post, mas agora irei focar em cada personagem separadamente e dizer qual foi a impressão que passaram para mim, principalmente os "novatos". Vamos lá?

Flash (interpretado por Ezra Miller)
Admito que esse personagem me surpreendeu bastante, pois eu não esperava gostar tanto dele como gostei. Por mais que eu esperasse uma boa atuação do Ezra, porque já conheço o seu trabalho e acompanho, ele conseguiu me cativar mais do que imaginei, sendo para mim um dos pontos fortes do filme. Sai da sala de cinema querendo mais do Flash e querendo ler tudo do personagem.
Como já é perceptível nos trailers, o Flash é o alívio cômico do filme, fazendo com que você dê boas risadas até mesmo ao ver apenas a sua expressão facial. Cheguei até a dizer para o meu namorado que o Barry Allen é a personificação da gente se fossemos um super herói, pois o personagem se mostra deslumbrado com tudo, tanto com os novos amigos que são heróis renomados (e muito poderosos) como também com tudo que está ao seu redor, seja um carro, uma paisagem ou até um objeto criado pelo Bruce. Além disso, ele também se mostra apto a gerar uma amizade com os outros da Liga, fazendo também com que nós queiramos ser seu amigo, já que ele é tão carismático e divertido. Me lembrou muito o Flash do desenho, o único que havia tido contato antes do filme.
Barry Allen é meu animal spirit e garanto que também será o seu depois de você assistir ao filme.

Cyborg (interpretado por Ray Fisher)
Provavelmente é o personagem o qual estava mais animada para ver no filme, já que gosto muito dele nas HQs solo e no desenho dos Jovens Titãs. Outro ponto que também me deixou bastante animada para conferir o personagem foi a caracterização e o ator escolhido. Ray Fisher é o Cyborg e isso fica ainda mais evidente quando o vemos atuando. Para aqueles que conhecem os quadrinhos sabem que a aparência do ator tem grande semelhança com a do personagem. Eu, particularmente, fiquei louca quando o elenco foi anunciado e percebi como eles eram parecidos. Fui com grande expectativa e não me decepcionei, até me surpreendi.
O Ray é ator de teatro e o Cyborg é o seu primeiro personagem no cinema. A atuação dele impressiona e cativa. Não lembro de ter visto o Cyborg sorrir em nenhum momento do filme, já que o personagem tem o semblante fechado e muitas coisas passando pela cabeça (literalmente), o que acaba sendo compreensível. Porém, mesmo sendo o mais fechado do grupo ele consegue se aproximar de todos e do telespectador, fazendo que ao final queiramos saber ainda mais sobre a sua história e o seu futuro como metade máquina e metade homem. Não espere ver um Cyborg pronto e treinado, pois assim como o Flash nós veremos a sua primeira batalha mortal. E ainda mais importante, no caso do Cyborg estamos conhecendo o início de sua transformação, então, tudo ainda é novo e estranho, acompanharemos as descobertas do personagem e faremos parte disso.

Aquaman (interpretado por Jason Momoa)
Confesso que quando foi anunciado o Momoa para o papel de Arthur Curry eu não gostei e admito que foi por causa da caracterização diferente da que eu conhecia. Com a saída dos trailers eu fui ficando mais animada com o resultado e esperando uma boa interpretação/imersão por parte do ator. Não posso dizer que me decepcionei, pois até gostei do Aquaman que nos foi entregue. 
A armadura do personagem tem grande semelhança com a usada nos quadrinhos e é muito bonita visualmente. A maneira que Atlântida foi abordada também me agradou, inclusive a forma que fizeram para haver uma conversa dentro do mar, mas senti falta de um pouco mais de exploração desse reino, o que aparentemente ficou apenas para o filme solo. Os soldados apresentados são poucos e em apenas uma cena específica, servindo apenas como uma amostra. A Mera, esposa do Arthur, tem uma pequena participação que faz parte de um gancho importante para a história do Aquaman e que, para aqueles que não a conhecem, dá uma breve pincelada na história pessoal dele, que me lembrou a dos novos 42 (fica aí a dica de quadrinho para ler!). Por mais que tenha aparecido em no máximo cinco minutos de longa, a Mera mostra parte de seu potencial e poder, já sendo o bastante para me deixar animada para ver mais da personagem.

Batman (interpretado por Ben Affleck)
Já tivemos uma prévia de Bruce Wayne em Batman vs Superman, um filme que eu gostei muito e está entre os meus preferidos da DC. Mesmo esse não sendo o meu Batman preferido, admito que o Ben Affleck trouxe um novo morcego para nós, um mais velho e cansado de lutar, sendo essas características ainda mais perceptíveis em Liga da Justiça. Bruce fica com a responsabilidade de reunir um grupo de super heróis para salvar o mundo da destruição e da devastação mortal. Ele tem dificuldades de se relacionar com os outros e de trazê-los para a equipe, e isso contribui com o seu cansaço profissional e pessoal. Por mais que ao decorrer do filme o grupo vá criando uma espécie de irmandade e relacionamento, para o Bruce ainda é difícil lidar com a perda do Superman e a sua culpa pela morte do mesmo. Então, veremos muito sobre essa parte da consciência do personagem e suas ações para salvar o mundo.
Acredito que o personagem está ainda mais verdadeiro nessa continuação, se mostrando ainda mais para o público. Para mim está sendo ótimo conhecer esse outro lado do Batman e o seu lado mais (ou seria menos?) humano. Além do mais, os uniformes e os automóveis do morcego estão impecáveis e maravilhosos.

Mulher Maravilha (interpretada por Gal Gadot)
A Mulher Maravilha está entre as minhas personagens preferidas da vida, então ver ela nas telonas está sendo gratificante e de grande felicidade para mim. Por mais que ela não seja exatamente o foco desse filme, servindo como apoio pessoal para o Bruce e força bruta para a equipe, a personagem ganha um espaço merecido e nos encanta a cada vez que entra em cena. Ela é a base para a união, para a Liga. E fica ainda mais explícito que ela é o pilar desse grupo e que precisa comandá-lo. Ela é a força e quem deve ir de encontro ao inimigo. Infelizmente, ou pelo menos por enquanto, ela é a única heroína. Mesmo que haja outras mulheres no filme, e que são de grande importância para a história e os outros personagens, ainda sinto falta de mais presença feminina em filmes desse gênero. Espero que isso seja acertado nos próximos.
E falando em força feminina, para a nossa alegria também temos uma pequena participação das Amazonas. É uma cena de curto tempo e que passa rápido, mas é essencial para entendermos a história e o vilão. A cena de batalha entre as Amazonas e o Lobo de Estepe é ótima e nos deixa sem fôlego, querendo mais.

Reprodução: Google
Todos os personagens ganharam destaque durante o filme, tendo uma parte de suas histórias pessoais exploradas ao decorrer do longa. Mesmo se você não conhecer nada do Flash, Cyborg ou Aquaman, o filme lhe dará o ponto inicial para você entender cada personagem e sua vida, sendo assim uma ótima oportunidade para conhecê-los e, quem sabe, despertar uma vontade de acompanhá-los em outras mídias. Acredito até que esse filme seja justamente para isso: trazer novos fãs para o mundo dos super heróis e das HQs.

Embora como a maioria dos filmes esse também tenha os seus defeitos, as coisas boas se exaltam por cima deles. Os efeitos especiais estão incríveis, os personagens são carismáticos e a história é envolvente. O filme traz um conjunto de macetes que dão certo e mesmo havendo momentos cômicos e descontraídos a história não perde o seu valor e nem ganha um linguajar abobalhado ou besta, deixando o clima sombrio e sério seguir o seu caminho sem ser afetado pelas piadas, uma mescla que nem sempre é conseguido com maestria pelos filmes de super heróis que tentam abranger todas as idades.

Liga da Justiça funcionou perfeitamente para mim e para o que eu estava esperando e desejando. A história me surpreendeu e me envolveu de um jeito muito aconchegante. Eu gostei de como os personagens foram apresentados e desenvolvidos, e também gostei da forma que deram continuidade para aqueles que já conhecíamos. Estou muito ansiosa para os filmes solos do Aquaman e do Flash, e espero, de coração, que também venha um especial do Cyborg, pois gostaria de ver como será a vida dos três depois dos acontecimentos em grupo, se vão continuar com o contato e como será a introdução de outros personagens.

Antes de finalizar o post quero alertar que o filme tem duas cenas pós créditos e que ambas são importantes: a primeira é simples, mas interessante de assistir; e a segunda traz uma grande revelação sobre o futuro da Liga e de outros heróis. Também gostaria de alertar para não irem ao cinema esperando ver todos os trailers durante o filme, pois há várias cenas importantes dos trailers que não aparecem e nem dão sinal do que poderiam ser. Estou dizendo isso porque fiquei bastante intrigada com uma cena específica do último trailer e ela não foi reproduzida no cinema, o que gerou raiva em mim. Espero que essas cenas sejam expostas em uma possível versão estendida, pois ainda estou me roendo de curiosidade.

O filme é uma ótima pedida tanto para os fãs antigos como também para os novos. Além de ser uma ótima oportunidade para conhecer e adentrar nesse mundo maravilhoso da DC, o filme também traz satisfação para o fã que tanto esperou por uma adaptação de valor. Se você é fã e quer service esse filme também é perfeito para você. Se torne um membro da Liga também! E para finalizar respondo a pergunta do título: o hype é real.

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