19 de janeiro de 2018

Resenha: "Veracidade" - Isabella de Andrade

Reprodução: Google


Veracidade
Autora: Isabella de Andrade
Editora: Patuá
Ano: 2015
Minha classificação:  (4/5)
* E-book cedido em parceria com a autora
"Qualquer tipo de peso sempre me angustiou. Eu buscava, fervorosamente, a leveza de todas as coisas, como naquelas manhãs ensolaradas de feriado, sem compromisso algum, sem tempo. Mas as coisas pesam. Sempre sentia o peso de tudo, principalmente o meu próprio."

Veracidade é uma antologia composta por poemas intensos e marcantes, os quais são acompanhados por algumas ilustrações ainda mais belas e que se completam junto aos textos. A harmonia e musicalidade composta nos textos levam o leitor a querer lê-los em voz alta, pois há vontade em querer compartilhá-los ao mundo e dividi-los com quem mais quiser ouvir. Mesmo sendo poemas e tendo a emoção como principal fonte, sem se preocupar com histórias complexas ou personagens mais desenvolvidos, você consegue se sentir imerso pelas palavras e entrar com profundidade na mente do eu-lírico, compartilhando assim os mesmos pensamentos e sentimentos.

O livro é dividido em títulos e a ordem com que foram selecionados funcionam muito bem para manter uma linearidade de sentidos e sentimentos, sendo até mesmo perceptível uma evolução dos pensamentos do eu-lírico, um crescimento pessoal. É importante lembrar que os poemas são alternados entre textos em prosa e poesias, tomando assim a liberdade para explorar versos livres e extensões variadas, causando uma mescla que se tornou um ótimo resultado.

Mesmo sem explorar um certo número de personagens e uma história concisa, há um ser que inspira todas as poesias: o grande amor do eu-lírico, Clarissa. O eu-lírico é um homem apaixonado e que, de acordo com os acontecimentos da sua vida, altos e baixos, vai nos contando qual é o desenrolar desse amor. Ele explora as características físicas de Clarissa, o amor que sente por sua musa e a solidão que o prende em uma bolha sufocante e, ao mesmo tempo, reconfortante

O eu-lírico utiliza de metáforas e referências, uma exclusivamente a Bukowski, para intensificar ainda mais os seus versos, que muitas vezes são repetitivos para causar uma reafirmação de ideias. Admito que esse ponto me confundiu um pouco durante a leitura, pois em algumas partes eu pensei que estava lendo o mesmo poema, tendo assim algo de errado com a versão em e-book que eu tenho do livro. Mas não. O eu-lírico utiliza dessa maneira de escrita justamente para dar ênfase em algo que o leitor pode não ter prestado tanta atenção anteriormente, mas que é de suma importância para entendê-lo e para compreender a sua poesia.

Embora a maior parte seja através da visão do eu-lírico, em alguns títulos também podemos conferir as palavras pessoais da Clarissa, uma resposta justa ao seu antigo amor. Os textos têm grande semelhanças a cartas, podendo também dar a impressão de que o eu-lírico escreveu justamente para ter uma resposta de Clarissa e para entregá-la, sendo totalmente plausível e encantador as partes onde a musa responde ao seu criador. Uma conversa encantadora de se acompanhar e inspiradora em certos momentos.


"O silêncio que parecia brusco, espantava,
é o mesmo que hoje busco
aliviada."

O quanto o livro me tocou:
Como eu disse no ano passado, estou querendo ler mais poesia e ter mais contato com autores que exploram esse estilo de texto. Conheci o lado poético de Edgar Allan Poe, o motivo principal que despertou esse desejo em mim, e os poemas verdadeiros da Rupi Kaur. Por sorte encontrei a Isabella através de grupos literários no Facebook e fui empurrada, de uma maneira boa, a ter contato com a sua antologia, a qual se mostrou uma surpresa muito agradável.

A Isabella tem uma forma de escrita que encanta o leitor, pelo menos foi assim que eu me senti durante toda a leitura: encantada. Acredito que quando procuramos por poemas, já vamos com um conceito de beleza e ritmicidade na cabeça, mas nem sempre isso será entregue ao leitor, nem todos as poesias são, obrigatoriamente, rimadas ou com a presença de palavras difíceis. Para mim, isso não é necessário. Apenas procuro um texto que me toque positivamente e que me faça refletir sobre algo, seja sobre mim mesma ou sobre uma flor que acaba de florescer. O importante para mim está dentro da poesia, no sentimento que o texto passa e quer trazer para o leitor.

A autora soube explorar muito bem os sentimentos em sua antologia. Mesclando textos que falam sobre amor, solidão e até mesmo auto descobrimento, a autora traz poesias que tocam o fundo da alma e se fixam em nossa mente. Cada texto que eu lia fazia com que eu me sentisse mais próxima do eu-lírico, uma espécie de confidente ouvindo seus maiores segredos e compartilhando intimamente de seus pensamentos pessoais.

Por mais que eu não tenha o livro físico em mãos, pois li a versão em e-book, o livro em si é muito bonito. A edição do livro combina com a atmosfera dos textos e as imagens dispersas em alguns momentos traz uma experiência mais visual, fazendo com que assim a edição se encaixe com a mensagem que o eu-lírico quer passar, a mensagem mesclada com beleza.

A leitura me agradou do início ao fim. Mesmo achando alguns textos repetitivos, no geral a leitura foi agradável e apreciativa. Eu gostei de ter tido esse contato com a escrita da autora e pretendo continuar acompanhando-a em sua carreira de escritora, ainda mais por morar tão perto de mim já que nós duas somos de Brasília. Espero ter a oportunidade de adquirir pessoalmente o meu exemplar de Veracidade junto com um autógrafo e um abraço.

É um livro que deve ser lido por todos que gostam de poesia e por aqueles que não gostam, pois tem uma dinâmica diferente de outras antologias poéticas, podendo assim agradar até mesmo aqueles que não tem costume com essa leitura. Para aqueles que nunca tiveram contato com esse estilo literário e procuram uma via para começar, indico que deem uma chance para o livro da Isabella, pois além de ter uma escrita de fácil entendimento também fará com que você apoie a literatura nacional, que precisa o quanto antes de um número maior de leitores e apoiadores. 

Para quem ainda não conferiu, na terça-feira saiu uma entrevista com a Isabella de Andrade, que reservou um tempinho para me responder e conversar mais sobre a sua história com a escrita. A entrevista pode ser lida aqui.


"Um dia a gente aprende a ser rio, e a passar fluindo pelas margens, rio só."

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16 de janeiro de 2018

Entrevista: Autora Isabella de Andrade

Reprodução: Isabella de Andrade
"Isabella de Andrade, 27 anos. Sou jornalista, atriz e escritora. Formada em jornalismo e artes cênicas (ambos pela Universidade de Brasília). Um livro publicado, Veracidade, pela Editora Patuá. Idealizadora e autora no site www.ociclorama.com"

Olá leitores!
Ano passado eu tive a oportunidade de me tornar parceira da autora Isabella de Andrade, colega de estado, e conferir o seu trabalho poético no livro Veracidade, o qual sairá resenha na sexta-feira. Para vocês, assim como eu, conhecermos melhor a autora, ela nos concedeu uma entrevista e contou um pouco mais sobre o seu trabalho como escritora e suas inspirações para os textos poéticos.

Vamos a entrevista?

1) Para mim e os leitores te conhecerem melhor, conte-me um pouco sobre você: hobbies, livros preferidos, manias de escrita, etc. 
Seria clichê apontar a leitura como um hobbie, mas assim é. Haha Mas tenho uma personalidade que transita bastante entre o tempo de aproveitar dias de chuva em casa, lendo, tomando um capuccinho ou um chá com biscoitinhos, revezando leituras e pensando em novos escritos, com uma personalidade totalmente ao avesso. Também adoro deixar o aconchego de lado e fazer trilhas, mergulhar na cachoeira, ir para a praia, passar horas nadando ou olhando o mar. Gosto de levar os livros para esses lugares também, mas normalmente são instantes de deixar um pouco as páginas de lado e sentir a água, aproveitar o passeio e os dias de sol. 

2) Com qual idade você começou a se interessar pela escrita e o que lhe motivou a começar a escrever poemas? 
Lembro de ter uma relação muito antiga e natural com a palavra. Quando criança, amava ler meus gibis e escrevia escondida em meus diários. No início eles eram de papel e depois foram ganhando espaço em blogs secretos. Quando criança e adolescente, a escrita fazia parte de mim como um espaço pessoal, um instante de diálogo comigo mesma, um meio de refletir e colocar para fora meus próprios demônios. Os primeiros poemas e escritos refletem bem essa fase. Os primeiros amores, as desilusões, a necessidade de enfrentar o diferente na escola. A escrita foi se tornando uma companheira fiel e inseparável, que me fazia enxergar melhor as minhas experiências, me proporcionava um instante de respiro e me acalentava quando era preciso. Os anos passaram e ela continuou comigo. Eu me envolvi com o teatro, o jornalismo, a comunicação, a paixão pela literatura. Com o tempo entendi que não era sonho adolescente, era parte da minha personalidade. Acho que é um pouco assim até hoje, ela se mistura entre minha expressão pessoal, a criação literária, a fantasia e a realidade do meu próprio trabalho, que envolve 100% a palavra e a necessidade de contar boas histórias. 

3) O que mais lhe inspira para escrever? 
Eu sempre faço essa pergunta aos artistas durante as entrevistas (sou repórter) e enquanto faço, eu mesma me respondo que ela é complicada de responder. Não sei ao certo apontar algo específico como inspiração, acredito que, como grande parte de quem escreve, atua, dança, cria, a vida me inspira. O cotidiano, as sensações, as tristezas e felicidades, um dia gostoso na praia, uma lembrança ruim, um livro incrível que mexe comigo. Acredito que a escrita é um apanhado das minhas vivências, desejos e experimentações. As sensações chegam no cotidiano. 

4) Quando poderemos ler um romance seu? Tem planos para isso? 
Tenho planos sim, com certeza. Estou escrevendo um por agora e o processo tem sido mais lento porque quero publicar com mais cuidado. O Veracidade acabei lançando um pouco no susto, naquela sede de escrever e publicar. Juntei a paixão pelos poemas e a vontade de me aventurar pela prosa e ele saiu. Mas um bom romance é um desejo antigo, espero que saia o quanto antes (quem sabe ainda nesse ano!). 

5) Como a sua família reagiu quando soube que você queria seguir a carreira de escritora? Teve alguma reação negativa? 
De maneira alguma. Na verdade, não passei muito por esse momento de dizer que gostaria de ser escritora. Eu cursava faculdade de jornalismo (atualmente sou formada em jornalismo e artes cênicas), fazia teatro e ia escrevendo meio às escondidas, somente por prazer pessoal. Entrei em contato com a editora, tudo quietinha e um belo dia contei que lançaria o meu primeiro livro, o Veracidade, todo em prosa poética. A família ficou surpresa e orgulhosa, achou muito bacana que eu tivesse finalizado o livro e me incentivou bastante a continuar a produção escrita. Sempre com outros trabalhos simultâneos, é claro, porque ainda é muito distante pensar em viver somente de literatura, o mercado editorial é disputado. Pretendo continuar com os livros sempre, o quanto puder. O processo acaba sendo mais lento justamente por essa necessidade de conciliar com outros trabalhos, mas no fim, vale à pena. 

6) Quais conselhos você dividiria com os novos escritores? Tanto no meio da escrita como também sobre publicação, criatividade, etc. 
Primeiro de tudo, aquele clichê essencial: é preciso ler muito e ler de tudo. Quem quer trabalhar com a escrita deve dedicar-se verdadeiramente às leituras, conhecer autores novos e antigos, variar estilos, sair da bolha pessoal. Vejo atualmente muita gente que quer ser escritor, principalmente com a facilidade da internet, mas lê pouquíssimo. Por que motivo iríamos escrever livros para alcançar outros leitores se nem ao mesmo nós nos interessamos pela leitura? Além disso, quanto mais se lê, mais a mente se abre para a escrita. Eu diria que é importante também escrever sem medo, errar, guardar para si, escrever novamente, deixar a mente fluir, assim o processo se torna cada vez mais natural. Quanto à publicação, o passo crucial e mais básico é: ter um livro escrito e finalizado. Com um bom material, bem revisado, boas histórias e uma escrita cuidadosa, é possível encontrar editoras menores atualmente e super abertas aos novos escritores. O importante é isso, tirar as ideias da cabeça, sair do plano dos sonhos e contar as histórias no papel. 

7) E para finalizar: nos indique um livro especial para você. 
Acho difícil indicar um único livro especial, pois esses favoritos e que nos despertam algo diferente vão transitando e se modificando ao longo da vida. Vou pensar em dois, um se chama O menino no espelho, de Fernando Sabino, é o meu especial mais antigo. Lembro de ter lido quando era criança e de ter me encantado com a história, o ritmo da escrita, os personagens que se formavam na minha cabeça. Depois do encanto que tive por esse, comecei a buscar mais livros, talvez minha paixão por conhecer cada vez mais novas histórias tenha começado por aí. Outro especial, e agora um mais recente, seria A elegância do ouriço, de Muriel Barbery. A escrita da autora é bem leve e ao mesmo tempo refinada, com um ritmo muito gostoso. O livro mexeu comigo. Ele transita entre a infância e a vida adulta, a diferença de classes, a invisibilidade do cotidiano. 
Inclusive, se quiser entender um pouco mais meu encanto por ele, pode dar uma lida aqui na resenha.

Reprodução: Isabella de Andrade




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12 de janeiro de 2018

O Projeto Clarice-se continuará em 2018

Reprodução: Projeto Clarice-se
Olá leitores!
Vocês se lembram do Projeto Clarice-se do ano passado? Aquele em que lemos um conto por mês, debatemos e sempre sai uma resenha mensal por aqui? Pois bem, ele continuará em 2018 e trará muitas surpresas para os participantes! Venho aqui novamente convidá-los a fazerem parte desse projeto e a nos ajudarem a espalhar ainda mais Clarice Lispector pelo mundo literário da internet.

Como irá funcionar esse ano?
Será do mesmo jeito: leremos um conto por mês e discutiremos sobre no Grupo do Facebook. Porém, para conhecermos os romances da autora, decidimos incluir dois livros entre as leituras, um no mês de julho e outro em dezembro, dois meses onde a maioria do pessoal está de férias e com mais tempo para leituras extensas. 
Lembrando que não obrigamos ninguém a participar ativamente em todos os meses, mas é bom quando isso acontece e há mais pessoas para iniciar uma discussão, desse modo o debate acaba sendo mais frutífero e uma maneira de conhecermos outras visões e interpretações. Os nomes dos contos e dos livros estão citados na foto abaixo para vocês já irem conhecendo os títulos e se organizando ao longo do tempo.

Reprodução: Projeto Clarice-se
Como participo?
Basta participar do grupo, ler os contos/livros propostos e discutir com a gente. Não é obrigatório fazer resenhas ou vídeos sobre o projeto, isso fica a seu critério. Mas, caso queira nos ajudar na divulgação e escrever uma resenha literária, fique à vontade. No próprio grupo terá um espaço onde você poderá dividir conosco os seus links e seu trabalho.

Esperarei todos vocês por lá! Eu, a Júlia e a Tay ("cabeças" do projeto) estamos com grandes expectativas e surpresas para esse ano e contamos com a colaboração e participação de vocês para tudo que temos em mente ser concretizado. Que 2018 seja recheado de Clarice e indagações, trazendo muita inspiração e pensamentos para todos nós! Contamos com vocês!

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9 de janeiro de 2018

Metas Literárias para 2018

Reprodução: Biblioteca Pessoal
Olá leitores!
Com o início de mais um ano, se inicia também novas metas e projetos, tanto literários como também pessoais. Aqui, em especial, divulgarei apenas as minhas literárias que, acredito, são mais interessantes para vocês conhecerem. Ao longo do ano poderão aparecer novas metas e projetos, ou até mesmo a renovação de antigos, mas por enquanto citarei aqui as que tenho certeza que seguirei (ou ao menos tentarei).

Em 2016 e 2017 eu já estava inclusa nesse mundo literário da internet e já havia feito metas durante aqueles períodos, porém, assim como também aconteceu em maratonas que participei em ambos os anos, não foram cumpridas como eu queria e nem chegaram perto de serem bem sucedidas. Pretendo esse ano levá-las mais a sério e por isso inclui apenas metas que irão me agregar e acrescentar como leitora. Não coloquei várias e nem extensas, pois acredito que se tornaria impossível de serem concluídas, por isso apenas escolhi as básicas e que já queria incluir na minha lista de leitura. 

Meta nº 01:
Ler mais livros do que li nos anos anteriores. 
Citando novamente 2016 e 2017, em ambos eu li 25 livros no total. Coincidência, talvez. Mas lembrando que nessa contagem estão apenas os livros, pois eu também li outras coisas, como contos e poesias avulsas, quadrinhos e apostilas para a faculdade. 
Como eu conclui a graduação em dezembro e agora começarei a pós (que é apenas de quinze em quinze dias), acredito que esse espaço de tempo que ficará livre dará para ler mais do que antes, embora esse ano também tenha o diferencial do emprego, o qual começarei assim que conseguir um. O número final dependerá de como conseguirei associar o emprego, a pós e as leituras, além, é claro, do tempo com o namorado, os amigos e os afazeres pessoais. Vamos torcer para dar certo e ter um ano ainda mais produtivo! Isso, quero dizer, em todos os sentidos.

Reprodução: Projeto Clarice-se

Meta nº 02:
Continuar com o Projeto Clarice-se, o grupo onde lemos um conto por mês da autora. Porém agora com o diferencial que teremos também romances, um em julho e outro em dezembro. 
A lista de leitura ficou assim:

Janeiro: Cem Anos de Perdão. 
Fevereiro: Restos do Carnaval. 
Março: Os Desastres de Sofia. 
Abril: Encarnação Involuntária. 
Maio: Uma Tarde Plena. 
Junho: A Mensagem. 
Julho: A Hora da Estrela. 
Agosto: Ele Me Bebeu. 
Setembro: Via Crucis. 
Outubro: O Corpo. 
Novembro: Silêncio. 
Dezembro: Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres.

Meta nº 03:
Ler todos os livros baseados na franquia de games Assassin's Creed. Assim como estou gostando bastante de ter contato com os jogos, também quero conhecer os livros e saber mais detalhes da história. Acredito que será um bom complemento. E nessa meta eu não tenho mês definido, podendo assim lê-los quando quiser.
A lista de livros da franquia para ler são:

- A Cruzada Secreta. 
- Renascença. 
- Irmandade. 
- Revelações. 
- Bandeira Negra. 
- Renegado. 
- Unity. 
- Submundo.

Meta nº 04:
Conhecer uma autora por mês, seja nacional ou de outra nacionalidade. Quero incluir aqui autoras que tenho muita vontade de ler, mas que ainda não tive oportunidade, como a Chimamanda Ngozi Adichie, Colleen Hoover, Agatha Christie, Margaret Atwood, etc.

Meta nº 05:
Ler os livros propostos no Clube Entre Leituras, meu grupo de leitura conjunta. Até agora foi escolhido apenas a trilogia que leremos nos meses de janeiro, fevereiro e abril, que é a trilogia Fronteiras do Universo.
Outras metas:
Eu também participo do grupo Portas Literárias, onde propõem um desafio por mês para os leitores cumprirem. Estou cumprindo o desse mês, que é conhecer um autor novo, mas não sei se participarei dos próximos, dependerá se conseguirei encaixá-los entre as leituras. Mas fica como dica para quem quiser participar conosco. 

Também tem o 12 Meses de Poe, que deu uma parada no ano passado, mesmo eu continuando com as resenhas durante os meses, e voltará em breve. Devo participar nos meses em que os contos escolhidos sejam novos para mim, mas ainda não sei se trarei resenhas para cá. Outra decisão a ser tomada com o tempo.

Sei que coloquei bastante metas para 2018, mas são desafios que gostaria de cumpri-los sem precisar me forçar a isso. As metas acabam sendo apenas um lembrete do que eu deveria focar e conhecer. Não vou me cobrar intensamente, mas quero dedicar 100% da minha vontade para isso. Caso vocês conheçam algum projeto que queiram dividir, eu ficarei feliz em saber mais sobre. Aproveitem também para me contar o que planejam para as leituras desse ano e quais são suas principais vontades literárias.

Para acompanhar o meu progresso nessa jornada, basta ficar de olho na aba Metas 2018, onde atualizarei mensalmente.


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5 de janeiro de 2018

#12mesesdePoe: A Carta Roubada + Para Annie

Reprodução: Google


A Carta Roubada
Minha classificação: ★★★ (3/5)

Para Annie
Minha classificação: ★★★ (3/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto A Carta Roubada
Estando em Paris, C. Augusto Dupin é convocado por Sr. G., o chefe de polícia local, a compartilhar a sua inteligência (ou "esquisitice", como o próprio policial denomina) para descobrir o mistério que ronda uma carta com um conteúdo de cunho pessoal roubada dos aposentos reais

Mas diferente de outras histórias do Poe, e da maioria dos autores no geral, nesta teremos revelado logo no começo o nome do ladrão que está em posse da carta e como ele conseguiu efetuar o roubo: o culpado é o Ministro D. e foi visto pela própria dona do artefato quando executava o ato malicioso de trocar a carta por um papel que estava em seu bolso.

Diante disso não temos uma história que nos fará, ao lado dos personagens, descobrir quem é o culpado e/ou como foi executado o seu plano, mas sim acompanharemos como será realizado para pegar a carta de volta e devolvê-la ao seu dono, sem criar suspeitas e maiores conturbações. Por conta disso, à primeira vista pode parecer um conto monótono ou simples demais para uma história com o Dupin como protagonista, mas é nesse ponto que o autor engana o leitor e traz uma mescla de descrições, mistério e apreensão, resultando em algo incrível e intrigador.

A narração é em 1º pessoa feita pelo amigo de Dupin, o qual nos conta através de seus olhos tudo o que acontece e é conversado entre os três personagens investigadores dentro do quarto, local permanente da narrativa. Para aqueles que estão sentindo algo familiar na resenha e nos nomes citados, Dupin também aparece em Os Assassinatos na Rua Morgue e O Mistério de Marie Roget juntamente com o narrador, seu colega de quarto. Esses dois contos já têm resenha por aqui e foram lidos em meses anteriores no 12 meses de Poe.

Poema Para Annie
Nesse poema o eu-lírico expressa sua opinião sobre a morte, colocando-a como um refúgio e uma busca pela paz. Estando dentro de um caixão e agora em total estado de paz, ele narra o aspecto daquele espaço fechado e sufocante ressaltando-o como um caminho que o levará para a liberdade e a salvação. A sua amada Annie se mostra como uma inspiração para o eu-lírico, sendo assim a sua musa e uma espécie de "prêmio pós-vida". A mulher é quem o está esperando no paraíso e por isso a morte se mostra como um fim digno e esperançoso, trazendo assim para o casal mais uma chance de ficarem juntos e agora para sempre. Também citará sobre as pessoas que o veem no caixão e de como é a reação desses entes e dele próprio.

O poema tem uma musicalidade belíssima e envolvente, que faz com que o leitor tenha uma imersão completa nos sentimentos profundos e verdadeiros do eu-lírico. Dá para sentir uma sinceridade e compaixão perante o ato de morrer através do toque melancólico e sobrenatural das palavras, podendo lhe causar ou não uma certa familiaridade e identificação com o momento dependendo de como está a sua paz de espírito e quais são os sentimentos que reinam e se conturbam dentro de você. O ideal é ler com calma e atenção, absorver cada detalhe e palavra, sentir verso e estrofe, conectar-se com o eu-lírico e com Annie.


"O mal-estar, a náusea,
a impiedosa agonia,
tudo se foi, com a febre
que a mente enlouquecia:
febre chamada vida,
que em meu cérebro ardia."

Minha opinião
Sobre o conto:
Essa foi a primeira vez que li esse conto e posso dizer que foi bastante intrigante (no melhor sentido da palavra). Estou adorando ter esse contato com o personagem Dupin e adentrar mais profundamente na veia de mistério do Poe, a qual conhecia através de poucos contos. 
Antes de conhecer um leque mais diverso dos textos do autor, sempre tive em mente que ele apenas escrevia horror: histórias para amedrontar o leitor e deixá-lo perplexo. Mas, felizmente, através do projeto estou conhecendo as suas histórias de forma mais completa e essa experiência está sendo gratificante. Esse ano eu li algumas obras voltadas para o suspense policial e descobri um grande amor por esse gênero, então acredito que ter contato com o Poe dentro desse estilo está alimentando ainda mais a minha curiosidade por histórias assim.
Dupin é um personagem que conquista logo de cara o leitor. O detetive é inteligente, sagaz e incrível, conseguindo enxergar detalhes que passam despercebidos pelo leitor e até pelos outros personagens que o cercam. Às vezes a curiosidade não fica em saber quem é o assassino ou em que fim levará o culpado, mas o foco está sempre em cima de Dupin e em como ele enxergou toda a cena. Para mim o mais interessante é exatamente isso: descobrir, junto com o narrador, como Dupin chegou a tal conclusão.
O conto se tornou uma leitura agradável para mim. Por ser pequeno, tendo em média umas 10 páginas, flui rápido e tem uma linguagem consideravelmente mediana, mas que dá para entender conforme o avanço do texto. Mesmo que algumas palavras pareçam desconhecidas e difíceis, não há problemas em deixá-las passar, pois mesmo assim dá para entender perfeitamente o que o autor quer dizer, sem dificuldade ou estresse.
Para aqueles que não conhecem a obra do Edgar Allan Poe, mas procuram por onde começar, acredito que A Carta Roubada seja uma ótima pedida, tanto pelo seu tamanho como também pela premissa. Mesmo tendo a "obrigação" comigo mesma de ler um conto por mês, não consigo enjoar da escrita ou da narração do autor. Fico cada vez mais intrigada e com mais vontade de adentrar em novas histórias. Espero continuar com essa meta em 2018 e alcançar ainda mais gratificação pessoal com os novos conhecimentos.

Sobre o poema:
Peguei esse poema para ler enquanto aguardava em uma sala a minha professora, como é curto e rápido li em alguns 10 minutos. No começo pareceu um poema simples: um homem falando sobre estar morto e as reações em seus entes diante dessa situação. Mas ao decorrer da leitura, o texto se mostra muito mais profundo e intenso do que apenas isso. O leitor sente a liberdade no eu-lírico e a despreocupação com aqueles que ficam, sente a felicidade no homem em encontrar o alívio e a escuridão, sente o seu desejo em reencontrar Annie e ficar para sempre ao lado da amada. 
O poema é mais extenso do que os demais do Poe, contendo duas páginas na versão que li, perdendo apenas para O Corvo e outros poucos títulos. Não sei se achei ser extenso por causa da intensidade da narrativa ou por qualquer outra razão, mas lendo senti uma obrigação de ter uma leitura devagar e pausada, apreciando cada palavra e gesto, cada sentimento e expressão.
Algo que eu notei, seja verdade ou não, foi que Annie me lembrou bastante a esposa falecida de Poe. Claro que não podemos comparar o eu-lírico com o autor, mas é sempre duro desvincilhar essa conexão. Quem conhece a história pessoal do Edgar Allan Poe sabe que sua mulher, Virginia, morreu e deixou para seu marido apenas uma profunda solidão e tristeza. Não consigo ler os contos e poemas do autor e não imaginar Virginia como principal inspiração para as suas personagens femininas, que em sua maioria acabam morrendo no final (uma grande semelhança, não?). Por isso, acabei por ver em Annie a personificação de Virginia, o seu amor perdido que enfim encontrará novamente e poderá viver ao seu lado eternamente. Pode apenas ser impressão da minha cabeça, mas acredito que Poe sempre escreveu para/sobre sua esposa, a tristeza que sentia por causa da morte da amada fica evidente em suas palavras.
Para aqueles que me conhece e/ou veem lendo minhas últimas resenhas de poemas do Poe, sabem que eu não sou uma verdadeira perita nesse gênero textual, mas que tento extrair o máximo que posso. Nesse não foi diferente. Consegui ter algumas ideias e sensações em minha cabeça, o que fez com que eu tivesse um ótimo contato com o poema e uma ótima experiência de leitura junto ao eu-lírico. Por se tratar de um tema mais mórbido, indico para aqueles que tenham um interesse maior por poemas nesse estilo, como por exemplo os fãs de Augusto dos Anjos. Espero que o poema não deixe ninguém na bad, mas pelo contrário, traga reflexões e sentimentos positivos, até quem sabe um pensamento mais profundo sobre a morte e as consequências da mesma.

Um aviso: por mais que essa resenha seja da leitura de novembro, não irei postar uma da que fizemos em dezembro. Até porque o mês já passou e quero dar prioridade para outros livros resenhados. Também não sei se irei continuar fazendo resenhas do projeto esse ano, ainda mais se forem leituras que já fiz antes. Posso fazer dos contos que tiver contato pela primeira vez e se eu achar que vale a pena, ao contrário as resenhas do 12 meses de Poe se encerrará aqui.


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3 de janeiro de 2018

Resenha: "Outros Jeitos de Usar a Boca" - Rupi Kaur

Reprodução: Google


Outros Jeitos de Usar a Boca

Autora: Rupi Kaur
Editora: Planeta Brasil
Ano: 2017
Minha classificação: ★★★★★ 
(5/5+favorito)
Outros Jeitos de Usar a Boca, por mais que o título insinue, não é uma obra de teor erótico, mas com toda a certeza será um livro que irá lhe tirar da zona de conforto e revirará até mesmo os sentimentos mais profundos que há em você. Sendo uma antologia poética, a obra traz vários poemas que rodeiam o dia-a-dia das mulheres e temas que, em alguns meios, são debatidos com menos frequência do que deveriam. Rupi Kaur escreve sobre abuso sexual, medo, angústias, empoderamento e amor verdadeiro através de uma escrita poética e cheia de beleza.


Reprodução: Biblioteca Pessoal
O livro é dividido em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Nos quatro segmentos há a presença constante de diversos sentimentos, tanto positivos como também negativos. Embora sejam distintos é perceptível uma conexão entre todos, uma ligação mais profunda e clara, dando assim a impressão de que tudo está relacionado. Mostra que os sentimentos são o resultado de ações e que basta um passo em falso para cairmos no abismo profundo da dor e da solidão, mas contrapondo a isso também diz que o caminho certo nos leva ao auto conhecimento e ao amor verdadeiro, seja consigo mesma ou com outra pessoa.

Com uma profundidade única da autora, marca que consigo usá-la para distingui-la dos demais poetas, os textos envolvem e machucam. As divisões podem ser lidas na ordem que se desejar, escolhendo assim primeiramente aquelas que mais necessita ter contato no momento, porém mesmo que a ordem não seja obrigatória é interessante que, ao menos uma vez, seja seguida. Pois assim o leitor compreenderá e absorverá os estágios e as progressões dos sentimentos expostos, um caminho percorrido pela dor, mas que ao final tem um resultado embasado na cura. Um caminho que todos nós somos obrigados a seguir até encontrar o ápice em nossas vidas.


Reprodução: Biblioteca Pessoal
A autora não irá apenas abrir os seus olhos, mas também fará com que o leitor sinta-se enjoado, pesado e com o estômago revirado, tendo assim inúmeros poemas que te darão um tapa na cara e te mostrarão a verdadeira dor por trás daquelas palavras. Não poupa palavras e nem a verdade, expressando tudo de maneira simples, mas dura. O sofrimento, a sobrevivência e a feminilidade em seu aspecto mais real e sufocante.

A maioria dos poemas são acompanhados por desenhos, também feitos pela própria autora, que completam cada sentimento e mensagem que lhe foi passado. Os versos e estrofes são livres, não seguindo uma linha  e rima padronizados. Há uma liberdade na escrita, um jeito único de contar a história de cada mulher, de cada leitora. Rupi, além de escrever de uma forma poética e tocante, traz uma nova visão para a poesia, utilizando-se desse gênero através de uma habilidade única. Chega a ser quase impossível ler a sua antologia e não se sentir próxima da autora de alguma maneira ou até mesmo agradecida pelas palavras divididas e compartilhadas que, involuntariamente, muitas de nós precisam ouvir/ler. Rupi não é apenas uma autora ou um eu-lírico, é uma amiga, uma conhecida, uma íntima.


Reprodução: Biblioteca Pessoal
Devo dizer que eu já pressentia que amaria o livro no momento que li a dedicatória e já queria marcá-la imediatamente. Acredito que nunca gastei tanto post-it (já que não tenho o costumo de usá-los) como dessa vez, foram 3 bloquinhos laranjas para conseguir marcar todos os poemas que adorei. E olha que só marquei os favoritos, ou seja, o livro inteiro. Por mais que eu quisesse ter mais contato com poesias, assim como venho dizendo nas resenhas do 12 Meses de Poe desse ano, nunca imaginei que esse gênero literário entraria para os meus favoritos e me tornaria uma leitura assídua dessas obras. No momento estou adquirindo e desejando todos os livros que tenham a mesma "pegada" de escrita da Rupi e estou adorando esse novo contato. Já estou ansiosa para ter em mãos O Que o Sol Faz Com as Flores, também da autora, que será publicado esse ano pela mesma editora deste.

É difícil explicar o quanto Outros Jeitos de Usar a Boca me tocou e como me ganhou quase que instantaneamente. Li o livro em dois dias e ainda hoje me vejo pegando-o para reler algumas marcações. São poemas que adentram em nosso interior e nos mudam. Poemas que mechem com nossos sentimentos e reviram nossas lembranças/memórias. Uma poesia que nos amadurece e nos faz enfrentar até os piores pesadelos. Uma obra-prima que destroça e ao mesmo tempo junta os pedaços.

Eu enfatizei bastante durante a resenha o quanto esse livro é impactante e necessário para o público feminino, porém isso não faz com que a obra se restrinja a esse gênero, muito pelo contrário, engloba a todos que se dispuserem a apreciar a leitura. Sendo assim, a antologia se torna uma indicação aberta para o público em geral e independente do seu gosto literário ou gênero preferido. Os poemas são para todos e eu recomendo tanto para quem já gosta de poesia como para quem não tem costume de lê-las.

Por ser um livro composto por poemas, a leitura se torna fluida e rápida, fazendo com que o leitor queira mais a cada poesia degustada. A escrita é encantadora, inspiradora e adorável. Você irá sorrir, se emocionar, se identificar e talvez até mesmo chorar enquanto lê os poemas da Rupi e isso é o mais especial dessa experiência: se conectar tanto com o eu-lírico e suas palavras ao ponto de se sentir um só.

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29 de dezembro de 2017

#Clarice-se: "A Fuga" (DEZEMBRO)

Reprodução: Google


A Fuga

Autora: Clarice Lispector
Minha classificação: ★★★★ (4/5)
O conto
Ela está fugindo: da dor, do sofrimento, da solidão. Ela está fugindo de um casamento monótono e infeliz que se obrigou a viver durante 12 anos. 12 anos compostos por choro e noites mal dormidas. Ela corre, ofega, soa. Ela precisa de um momento só, sentindo a chuva, vendo as pessoas passarem por si, aproveitando aquele momento de paz. Ela precisa de paz. Precisa fugir. Precisa se libertar.

Através de uma narração em 3º pessoa, temos uma personagem, não nomeada, que está se desprendendo das correntes sociais e familiares e fugindo de toda pressão que vive dentro de seu casamento. Temos uma personagem com medo, que não sabe para onde ir ou qual passo dar em seguida. Uma personagem verdadeira que está a procura de algo a mais e de uma decisão definitiva para mudar a sua vida permanentemente.

Por mais que o final nos mostre que nada é como pensamos e que o medo, às vezes, pode ser mais forte do que nós, a leitura é estimulante, reveladora e arrebatadora. Clarice traz uma reflexão sobre nós mesmos e sobre o que estamos fazendo para viver uma vida que desejamos. Uma leitura que te trará fortes pensamentos e uma vontade incontrolável de mudar.

"Ela ri. Agora pode rir... Eu comia caindo, dormia caindo, vivia caindo."

Minha opinião
Eu gostei muito dessa leitura, mas ao mesmo tempo fiquei muito triste com o desfecho, uma reviravolta que não estava esperando. O conto é repleto de liberdade, decisão e desvincilhamento daquilo que lhe faz mal, então ver o ciclo vicioso que é explícito ao final me deixou imaginando quantas pessoas vivem e agem como a personagem: querendo uma coisa, mas não fazendo nada para alcança-la. Vocês entenderão melhor o meu ponto de vista após lerem o conto, que é pequeno e muito fluido. 

Durante toda a leitura eu torci e sorri com a personagem, mas ao final também chorei com ela. 12 anos de solidão que, provavelmente, irão se multiplicar e trazer ainda mais angústias. Uma leitura rápida, mas que contém muito significado e uma análise profunda. Tem uma escrita fácil de ser entendida e uma mensagem que é explícita (e necessária!) para todos os públicos. Uma história que deve ser lida e ingerida. Um soco no estômago para os acomodados, mas um abrir de olhos para os esperançosos.

A Fuga pode ser encontrado no livro Clarice Lispector - Todos os Contos, da editora Rocco, e foi o escolhido para a leitura conjunta de dezembro do Projeto Clarice-se. O ano está no fim, mas em 2018 o projeto continuará, contendo agora romances nos meses de julho e dezembro e contos nos demais. Espero vocês nos debates posteriores!


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19 de dezembro de 2017

Resenha: "A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro" - Amanda Lovelace

Reprodução: Google

A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro

Autora: Amanda Lovelace
Editora: LeYa
Ano: 2017
Minha classificação:  (5/5)
Em A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro, Amanda Lovelace escreve poemas sobre perda, rejeição, amor próprio e abuso psicológico. Com uma escrita fluida e a liberdade dos versos livres, aborda assuntos pesados e necessários através de situações da própria vivência e experiência pessoais.

Reprodução: Biblioteca Pessoal
O livro é dividido em quatro partes: I. princesa; II. donzela; III. rainha; e IV. você. Sendo assim perceptível o crescimento pessoal do eu-lírico e a construção de um caminho para chegar ao destino esperado. Como uma personagem construída para um romance, Amanda relata os passos e obstáculos enfrentados até encontrar a auto aceitação e o conhecimento sobre si mesma, um caminho com grandes pedras e grandes vilões os quais têm o objetivo de colocá-la para baixo e tirá-la seu amor próprio.

Ela utiliza metáforas e analogias para contar a sua história: a princesa é o eu-lírico, quem está escrevendo; a torre é a sua casa, se contrapondo com o lugar que deveria ser sua fortaleza e segurança; os vilões são seus medos, dores, pressões; e o príncipe encantado é o amor próprio. Não pense que estou sendo repetitiva ou que estou falando sobre os mesmos assuntos, mas é que a autora se esforça para mostrar a grandiosidade em debates com esses temas e a importância de superar seus medos e se amar

Os assuntos abordados podem parecer clichês para alguns, mas esse livro se faz necessário de muitas maneiras. Amanda não falará apenas em como você deve abrir os olhos e se aceitar, aceitar o seu corpo, aceitar a sua vida, aceitar você, mas ela também discutirá sobre os problemas que podem fazer você não se enxergar como alguém importante, os problemas que a sociedade impõem como uma pressão sob você. Um exemplo disso é que a autora fala, sem "papas na língua" com total sinceridade e emoção, sobre auto mutilação e emagrecimento forçado, e o quanto ambos a afetaram, assim como afetam milhares de meninas pelo mundo. A pressão da sociedade sobre a nossa aparência, porque nós mulheres somos ensinadas desde pequenas que o magro é sinônimo de beleza, e que quando somos o contrário disso somos um peso para a sociedade, um caso perdido, um ninguém.

Reprodução: Biblioteca Pessoal
Um acontecimento que se fez muito importante para o crescimento da autora e que é explorado com frequência ao decorrer do livro é a morte de sua mãe. Ela fala da maneira mais crua e desnuda possível em como foi passar pelo luto e lidar com a dor e solidão. Diz sobre a falta e o espaço vazio que sua mãe deixou e também sobre a infância não agradável por conta da mãe. Essa dualidade é exposta através das divisões dos livros, fazendo com que o leitor conheça a mãe de Amanda e a acompanhe em suas frustrações e perdões. Porém, o assunto de perda não fica restrito apenas a morte da mãe, mas explora também a morte da irmã e como o seu possível suicídio afetou a visão de Amanda perante os problemas dos outros. Justamente aquela mensagem de que enxergarmos apenas o que queremos e esquecemos de olhar para o próximo com mais atenção e empatia. Uma questão sobre a ajuda que, muitas vezes sem perceber, não cedemos para o outro.

Entretanto, não é apenas de morbidez e sentimentalismo pesado que o livro trata. Também há poemas sobre o amor e o ato de estar apaixonada por alguém que vale a pena. O momento que conhecemos alguém que complementa a nossa vida e a nós. A beleza em encontrar alguém que é especial e que te vê como uma pessoa especial. O amor em seu estado mais puro e verdadeiro.

Amanda, sendo grande fã de Harry Potter e literatura, não poderia deixar esses dois itens de fora de sua antologia poética. Logo na dedicatória percebemos que o bruxo com um raio na testa foi de grande importância na vida da autora e que lhe moldou como leitora e pessoa, fazendo com que nós sentimos logo de cara uma grande conexão com quem escreve, seja você fã de Harry Potter ou não, pois a conexão que se faz é entre um leitor e outro. Afinal, o amor pela literatura partiu de alguma obra para todos. Entrando nesse caminho, a autora constrói poemas sobre o amor por livros, o verdadeiro objetivo da ficção e a fuga da realidade que procuramos nas histórias.

Reprodução: Biblioteca Pessoal
Minha parte preferida do livro foi a última, denominada como "você", uma coletânea especialmente escrita para os leitores e com a função de criar em cada um de nós uma motivação e uma razão maiores para encarar o mundo e nos amarmos. Serve como uma enorme inspiração e são trechos que iremos levar para toda a vida.

Admito que o que me chamou atenção no livro foi a descrição na Amazon que o comparava com Outros Jeitos de Usar a Boca, uma leitura que fiz no mês passado e favoritei (em breve sai a resenha). Então, por causa dessa comparação decidi adquirir o título e me aventurar nos poemas da Amanda, pois eu precisava de mais poemas como os da Rubi Kaur. Não me decepcionei. E é por isso que essa resenha está repleta de positividade e admiração, pois A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro me conquistou profundamente.

Não vamos nos ater se você gosta ou não de ler poesias. Vamos nos ater se você gosta de ter leituras prazerosas, profundas e que te darão um soco no meio do estômago. Vamos nos ater se você gosta de tirar significados, mensagens e mudanças dos livros que lê. E vamos nos ater se você gosta de realizar leituras que te darão um significado diferente da vida e lhe farão repensar em diversos assuntos e abrir os olhos para outros. Esse livro não é importante apenas porque fala de empoderamento e amor próprio, mas porque mostra que a culpa que a sociedade lhe impõe não deve recair sobre você, não deve lhe afetar diretamente, intimamente e profundamente. Mostra que você é especial apenas por ser você e que ninguém (nem mesmo o maior dos universos) poderá te dizer o contrário. Esse livro é importante e necessário porque te faz refletir e repensar. Faz você descartar as coisas ruins que estão empacando a sua vida e só lhe puxando para baixo. Te mostra quem realmente importa na sua vida e quem pode mudá-la: apenas você.

"Era uma vez uma garota que era princesa. A garota cresceu e virou donzela. Cresceu mais um pouco e virou rainha. Parece simples, mas não é. Leva tempo, amor, superação e dedicação para conhecer a si mesmo."
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