15 de agosto de 2017

Resenha: "Uma Questão de Escolha" - Ane Chaves


Reprodução: Google

Uma Questão de Escolha
Autora: Ane Chaves
Editora: Editora Soares
Ano: 2016
Minha classificação: ★★★ (3/5)
* E-book cedido pela autora
Malyna Oliveira é uma mulher decidida e que conhece muito bem a si mesma, sempre realizando todos os seus desejos e vivendo uma vida que lhe agrada. Aos 35 anos é muito bem realizada profissionalmente, sendo dona do seu próprio restaurante e trabalhando com aquilo que se identifica e que a traz felicidade. 

Ao começar a sentir dores de cabeça intensas, enjoos e tonturas, Malyna decide procurar um médico para saber o que está acontecendo com o seu corpo. É nessa consulta que ela, uma mulher tão forte e orgulhosa de si, descobre que está sofrendo de uma doença terminal e que seus dias de vida podem estar contados. Preocupada, mas sem querer despertar a pena e os cuidados excessivos de sua família, ela toma a decisão de contar sobre o seu estado apenas para o melhor amigo Daniel Honoratto, amizade que vem sendo cultivada desde a adolescência.

A partir daí iremos descobrir mais sobre a vida pessoal e sexual de Malyna, suas experiências na adolescência e na vida adulta, sua primeira vez e seu primeiro amor. Além de Daniel, também temos conhecimento de Patrick Alencar, um amigo de ambos que também nutrem desde a época de escola. Patrick, além de amigo, também já foi interesse amoroso de Malyna, que nutriu um amor por ele quando era mais nova.

Narrado em 3º pessoa (e ao final sabemos o porquê), a história é contada através de um discurso indireto, ou seja, os diálogos são narrados sem travessão através das próprias palavras do narrador. Além disso, o local em que se passa a leitura é a cidade Santana, em Amapá. Teremos um encontro íntimo com a Malyna e a cada capítulo iremos descobrir mais de uma maneira sexual sobre a personagem. O livro é erótico e trará justamente esse lado mais sexual dos personagens, sem foco em suas histórias de vida ou crescimento pessoal. O crescimento da personagem principal fica por conta das experiências sexuais que teve ao longo da sua vida. Sendo assim, o crescimento que acompanhamos é a transformação da menina para mulher e como foi o processo de conhecimento pessoal.

É bom deixar bem claro que o livro tem cenas que tornam a classificação da leitura para maiores de 18 anos. As cenas sexuais são explícitas e descritivas, então, se você se incomoda com narrações desse tipo eu recomendo que não se aventure nessa leitura. Mas, para aqueles que gostam do gênero hot, o livro poderá torna-se facilmente um de seus preferidos do ano.
"Para Malyna, casamento não era apenas uma combinação de prazeres, mas também de afetos. Encontrar o prazer nos braços de alguém não era difícil, mas encontrar algo que fosse além da química sexual parecia impossível. Ela pensava que os homens estavam sempre à procura de prazer."
Minha opinião
Eu não sou acostumada a ler livros do gênero hot, acho que as únicas leituras que fiz que continham elementos desse gênero foram os livros da trilogia Encantadas, uma saga sobre contos de fadas. Porém, na Saga Encantadas a abordagem hot acontece através de insinuações durante as cenas, nada descritivo ou com maior aprofundamento, exatamente o oposto do que acontece em Uma Questão de Escolha
No livro da Ane Chaves as cenas são explícitas e com descrições longas e minuciosas, algo que me "chocou" no início, pois foi bastante novo para mim. Enquanto eu lia a primeira cena explícita eu sentia vergonha de mim mesma, porém, ao decorrer da leitura me senti mais confortável e até mais próxima dos personagens. Posso dizer que a minha visão (um pouco preconceituosa) sobre livros hot mudou após essa leitura.
A minha experiência de leitura foi boa e ao mesmo tempo diferente das demais, sinto que sai da minha zona de conforto e que fui surpreendida com algo novo. Por ter menos de 150 páginas, acaba que o livro flui rápido e quando você menos espera já está no fim, com aquele ar de saudades. Não posso dizer que me identifiquei com a Malyna, mas, posso afirmar que entendo o lado dela e que senti uma pitada de orgulho pela mulher que ela se tornou, decidida e dona de si.
A autora constrói uma personagem forte e que não precisa de nenhum homem para lhe dizer o que fazer ou como fazer. É dona de um restaurante e sabe que é boa no que faz. Apesar das inseguranças, que acredito serem "normais" para qualquer um, a Malyna se conhece e sabe quem é, tendo assim toda aquela força e independência que procuramos em uma personagem feminina. Fiquei com vontade de conhecer um pouco mais dela, de uma forma que não fosse apenas sexual. Mas, conversando com a Ane ficou claro que o intuito da autora era mostrar apenas o lado sexual, sem deixar brechas para outros assuntos mais sentimentais.
Quanto aos amigos Daniel e Patrick, não tive uma relação negativa com eles. Senti uma identificação pessoal com o Daniel, não em questões de personagem, mas por causa da perda que ele sofre da melhor amiga. Eu também já passei por isso, inclusive nesse ano, e infelizmente eu também perdi uma amiga para uma doença e digo, por experiência própria, que perder uma amiga para sempre é devastador e agonizante. Eu me senti na pele do Daniel desde o momento em que recebeu a notícia, e talvez isso tenha feito com que eu me visse no personagem, pelo menos nesse aspecto. Já o Patrick, em determinados momentos tem ações bem babacas e comentários machistas que irritam, porém, não deixei isso me influenciar na leitura, acabei por ignorá-lo nessas horas.
Eu gostei de conhecer a escrita da Ane Chaves e por ter tido a oportunidade de apreciar o seu primeiro trabalho como romancista. Fiquei curiosa para ler os próximos trabalhos da autora e continuar acompanhando as suas criações. Acredito que ela ainda tenha muitas coisas para contar para todos nós. Se você gosta de literatura hot, sinta-se a vontade para entrar dos pés à cabeça nessa história e se aventurar nas fantasias sexuais de Malyna.

11 de agosto de 2017

#12mesesdePoe: Os Assassinatos na Rua Morgue + Um Sonho Dentro de um Sonho


Reprodução: Google


Os Assassinatos na Rua Morgue 
Minha classificação:  (5/5)

Um Sonho Dentro de um Sonho
Minha classificação:  (4/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto Os Assassinatos na Rua Morgue
O narrador-personagem começa a sua história, narrada em 1º pessoa, contando sobre como conheceu o francês Monsieur C. Auguste Dupin, um homem que posteriormente iria desfrutar de uma grande amizade com o nosso narrador e dividir um apartamento com o mesmo.

Ao decorrer dessa convivência o narrador se torna ciente de uma peculiaridade de seu amigo Dupin, algo que o difere dos demais, colocando-o até mesmo como superior, mesmo que ele não se veja dessa maneira. Essa peculiaridade é exposta ainda com mais força quando a dupla de amigos decide investigar um homicídio que ocorreu na Rua Morgue, resultando na morte brutal de duas mulheres, sendo uma mais jovem e a outra mais velha, mãe e filha. Juntos os dois vão atrás das pistas que os policiais deixaram escapar com a pretensão de encontrar o assassino, já que a polícia se deu por vencida.

Nesse conto temos uma investigação policial regida pelo nosso narrador e por seu amigo Dupin. O personagem Dupin criado pelo Edgar Allan Poe poderá trazer ao leitor algumas referências de grandes nomes dentro desse gênero, como Sherlock HolmesHercule Poirot, visivelmente inspirados na criação de Poe. A inteligência de Dupin irá te surpreender do começo ao fim, deixando o leitor até mesmo sem ar em determinados momentos, fazendo assim com que a leitura se torne frenética e cheia de ansiedade para saber quem é o assassino.

Em Os Assassinatos na Rua Morgue a narração pode ser classificada como precisa, sendo ainda recheada de detalhes e descrições. A leitura flui rapidamente, mesmo o conto tendo mais páginas que o habitual das histórias do Poe (a versão que li tinha umas 30 páginas, por aí). Por mais que o foco seja uma investigação policial, o suspense e até mesmo o horror chegam a ser presentes em toda a história, fazendo com que você fique apreensivo e curioso ao mesmo tempo. Uma ótima maneira de conhecer todas as facetas desse autor.
"Mas a negra divindade não poderia nos fazer companhia permanentemente; então, simulávamos sua presença. Aos primeiros raios da aurora fechávamos todas as maciças venezianas de nossa casa, acendendo um par de círios que, fortemente perfumados, lançavam apenas a luz mais débil e espectral. Com a ajuda deles enchíamos nossas almas de sonhos - lendo, escrevendo ou conversando, até sermos advertidos pelo relógio da chegada das genuínas Trevas."

Poema Um Sonho Dentro de um Sonho
O eu-lírico disserta sobre a vida e o sonho, se aquele momento o qual se encontra será mesmo a realidade ou apenas um sonho que está sonhando. Chega a ser perceptível o modo que o eu-lírico tem dificuldade em distinguir a realidade da fantasia, algo que ele passa com bastante precisão e de forma realista para o leitor.

Esse poema escrito em 1848 pelo Edgar Allan Poe poderá trazer algumas interpretações diferentes aos leitores. Há quem diz que esse poema fala sobre a realidade andar lado a lado com o sonho, sendo assim um o complemento do outro; outros leitores discutem sobre o eu-lírico desafiá-los a prestarem atenção ao mundo ao seu redor, tentando distinguir o real da fantasia; e há também aqueles que veem nesse poema apenas um texto sobre sentir-se preso aos seus sonhos, com o eu-lírico sem saber como desprender-se da fantasia e seguir pela realidade. 

Assim como outros poemas, Um Sonho Dentro de um Sonho poderá te trazer diversas perspectivas e despertar diferentes reações em sua mente. Basta você deixar-se levar pelo eu-lírico e afundar-se com ele em meio as areias do mar, tentando entender o que na sua vida está sendo realidade ou sonho. Afinal, você está vivendo ou apenas criando fantasias em sua mente?
"O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?"

Minha opinião
Sobre o conto:
Essa leitura para mim foi uma releitura, pois já havia tido contato com o conto antes quando tive a oportunidade de ler um livro de contos do Poe pela primeira vez (tem até resenha dele por aqui, mas é antiga). Lembro de ter gostado bastante na primeira vez que li e, não sei se isso é possível, gostei ainda mais nessa segunda leitura. Acredito que o Poe tenha esse poder de tornar as releituras de suas histórias ainda mais gratificantes e preciosas, até porque a sua experiência com a escrita do autor vai se tornando melhor a cada descoberta, então, cada leitura acaba sendo como se fosse nova.
Deixando esse assunto sobre releitura de lado, vamos as minhas impressões. Eu gosto bastante desse conto e gostei ainda mais. A leitura, por mais que o conto seja maior do que os demais, fluiu rápido e foi bastante agradável. Consegui aproveitá-la ainda mais nessa segunda vez e prestar mais atenção aos detalhes. O Poe tem um dom incrível de conseguir "prender" o leitor durante toda a narrativa e fazer com que ele sinta-se no lugar do próprio personagem. Nesse caso, eu me senti sendo o próprio narrador. Fiquei apreensiva em saber quem era o assassino e ao mesmo tempo fiquei imaginando como eu não teria percebido as tais pistas.
Foi ótimo desfrutar dessa leitura no mês passado e fiquei ainda mais animada para lê-lo novamente no futuro. É um conto que eu recomendo para todos que já conhecem a narrativa do Poe, mas também para aqueles que pretendem conhecer as histórias do autor. Não se assustem com o tamanho do conto, pois cada página vale a sua total atenção e você logo perceberá ao final que o autor entrega muito além do que promete: uma narração recheada de suspense e com muitas pitadas de horror.

Sobre o poema:
Leitura de poemas para mim sempre são difíceis, principalmente quando o quesito é interpretá-las ou entendê-las. Porém, sempre digo nas resenhas mensais do projeto 12 Meses de Poe que estou adorando a experiência em conhecer os poemas do Poe e ter o contato com essa forma de escrita. E realmente parece que a cada mês a minha experiência de leitura com os poemas se tornam mais positivas, mesmo que aconteça de gostar menos de um do que de outro. Essa oportunidade despertou em mim um amor por poesia e poemas que eu ainda não tinha conhecimento. Já posso agradecer a Anna, criadora do projeto?
Acredito ser importante sempre falar sobre isso, pois sei que muitas pessoas não leem poemas por pensarem que é chato ou por acharem que não iriam se identificar com esse estilo de texto. Mas, deixo aqui como um aviso para que vocês procurem e se aventurem em poemas, seja do Edgar Allan Poe, Cecília Meireles (que estou descobrindo agora e também adorando!), Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina, Augusto dos Anjos ou de outros autores. O importante é conhecer e experimentar.
Quanto a minha experiência com esse poema em específico, posso dizer que foi confusa, porém, maravilhosa. Eu já havia ouvido coisas positivas sobre ele e ainda me surpreendi por ser um texto tão pequeno, mas tão cheio de significados e sentimentos. Não posso dizer que entendi por completo, mas, posso afirmar que me fez pensar um pouco mais e até mesmo lê-lo mais de uma vez. 
Tenho a impressão que o eu-lírico estava perdido entre a realidade e a fantasia, sem conseguir distinguir qual é qual. E, claro, atire a primeira pedra quem nunca quis que a fantasia fosse a verdadeira realidade da sua vida ou que os seus sonhos se tornassem reais pelo menos uma vez. É um conto que te faz pensar e analisar quais são as suas fantasias e o que você está fazendo para trazê-las para a realidade. Ou melhor, o que você está fazendo para vivê-las. Pode não parecer tão grandioso ao final da primeira vez que você lê, mas, o conto irá consumir a sua mente a partir do momento em que você parar para pensar nele. Recomendo-o.
Participe do projeto conosco: 

4 de agosto de 2017

#Clarice-se: O Jantar (JULHO)

Reprodução: Google



Conto O Jantar
Autora: Clarice Lispector
Minha classificação: ★★★ (3/5)
O conto
O narrador-personagem está jantando em um restaurante quando percebe a entrada de um homem velho no local e que se dirige a uma mesa particular para comer na companhia de uma mulher. Logo que o narrador tem esse contato através do olhar, os seus pensamentos divagam em devaneios sobre o homem e o que estará lhe passando pela cabeça. Sem conseguir comer ele continua a sua observação e imagina o que há por trás daquela posição séria, porém, ao mesmo tempo triste do velho.

Sendo um conto curto e rápido de se ler, e até mesmo por não ter muitos detalhes que podemos esmiuçar, acaba que não posso me estender no enredo da história. O conto é narrado em primeira pessoa, sendo assim mais fácil de ter um contato próximo com o narrador. Ao longo da leitura o leitor consegue sentir todas as emoções do personagem e entrar fundo em sua cabeça. Você se sente na pele do narrador e se sente o próprio observador do velho, como se realmente estivesse em um restaurante observando um desconhecido, chega a ser desconfortável.


Minha opinião
Ainda estou bem dividida com esse conto e sem saber o que pensar: será que eu gostei ou achei meio "sem sal"? Como eu poderia achar um conto da Clarice um texto normal e até mesmo "sem sal"? Acho que pior do que não ter gostado de um texto dessa autora é admitir para mim mesma que não tem nenhum significado a mais por trás daquelas palavras. 

Na verdade, eu duvido que em O Jantar não tenha algo a mais, algo que poderia explicar cada ação do narrador-personagem e que poderia trazer reflexões grandiosas entre os leitores. Infelizmente, e para a minha frustração, a minha experiência de leitura não trouxe nenhuma reflexão e nada mais do que uma simples leitura sobre um homem que observa um desconhecido. Eu deveria me decepcionar comigo mesma ou aceitar que às vezes uma história é apenas uma história?

No geral, eu posso dizer que a leitura foi boa. Simples, porém, boa. Por mais que eu não tenha achado esse conto o melhor que li da Clarice, ou até mesmo classificado entre os melhores, a leitura valeu pelo conhecimento, agregou em conhecer mais um conteúdo da Clarice e em saber mais sobre seus textos. Então, a leitura acabou sendo gratificante nesse sentido, para conhecer uma história dessa autora que eu ainda não havia conhecimento.

Sinceramente, eu não indico para lerem esse conto com grandes expectativas ou esperando uma história mais profunda, cheia de reviravoltas e significados. Pelo menos na minha experiência de leitura eu não encontrei nenhum desses temas, o que fez com que a história fosse "normal" demais. Porém, sendo um escrito da Clarice Lispector, assim como os outros que li, vale muito a pena de ser lido e apreciado, nem que seja apenas para conhecer e saber do que se trata. Afinal, a sua visão poderá trazer muitas outras perspectivas que a minha não trouxe.

Você poderá encontrar O Jantar no livro Todos os Contos - Clarice Lispector, da Rocco, e também no livro Laços de Família, da mesma editora. Se você ainda não participa do projeto conosco, basta entrar no nosso grupo e se juntar as nossas leituras e conversas. Garanto que a sua presença será muito bem vinda! Aliás, te espero por lá! 
Participe do grupo!

1 de agosto de 2017

Resenha: "Incompletos" - Sabine Mendes Moura

Reprodução: Google


Incompletos
Autora: Sabine Mendes Moura
Editora: Presságio
Ano: 2017
Minha classificação: ★★★★ (4/5)
Adicione no Skoob
* Livro cedido pela editora
Se um dia você acordasse sem se lembrar do seu nome, de onde veio, de quem é sua família e até mesmo não sabendo quem você realmente é, o que você faria e para onde você correria?

Reprodução: Biblioteca Pessoal
"Mas, vivia com medo, sem saber em quem confiar. Sua memória não permitia que confiasse nem em si mesma."
Mariah é uma Especial, e como resultado do uso de seu poder ela não se recorda do seu verdadeiro nome e nem de lembranças do seu passado. "Mariah" é o nome que ela mesma escolheu para si e julgando pela sua aparência a garota deduz que deve estar na faixa dos 17 anos. Ao caminhar pela rua, tentando escapar dos olhos do Rastreio e de qualquer pessoa que possa lhe ver como uma ameaça, a única lembrança que Mariah tem em sua mente é uma frase que a aconselha a fugir, mesmo não reconhecendo a voz que ecoa em sua cabeça.

Durante sua caminhada apressada, Mariah escuta passos atrás de si e percebe que estão vindo em sua direção. Para não ser capturada, a garota esconde-se dentro de uma brecha em um beco escuro com a esperança de não precisar usar o Dom para fugir do perseguidor. Ao ser confrontada pelo homem e ouvir o pedido para que saia do esconderijo, Mariah decide se transformar em uma memória do perseguidor e atordoá-lo para que possa fugir dali o mais rápido possível, mesmo que essa escolha resulte em sua fraqueza e, mais uma vez, em perder os últimos vestígios de suas lembranças.

Mas, o que é ser um Especial? Ou um Incompleto, como algumas pessoas Comuns gostam de apelidá-los? Ser um Especial é ser diferente da maioria das pessoas, são aqueles que carregam o Dom. O Dom se resume ao ato dos Especiais poderem se transformar nas memórias dos Comuns (aqueles sem Dom), podendo variar entre a sua melhor lembrança ou o seu pior momento. Eles se tornam essa memória, transformando-se fisicamente em uma pessoa que passou pela sua vida.

O Especiais são vistos como pessoas perigosas para o Governo, e por essa razão foi criado o Rastreio: um tipo de tecnologia que reconhece o Especial e automaticamente anuncia as autoridades, para assim ocorrer o aprisionamento dessas pessoas, levando-as ao Centro, um lugar onde são mantidas presas e sedadas. Por conta disso, grande parte dos Especiais passam a vida fugindo e a procura por um local seguro, enquanto outra parte se junta ao grupo GNO e luta com o intuito de ferir os Comuns e abdicar de poder em cima deles.

A história é narrada em terceira pessoa, porém, percebe-se que a cada parte/capítulo temos o foco pessoal de um personagem específico, podendo assim variar a visão de cada capítulo. A escrita da Sabine é leve, fluida e muito boa de ser apreciada. A autora é ótima em criar personagens, fazendo com que o leitor sinta-se próximo não apenas da principal, mas, dos outros que a rodeiam também. É importante destacar que a própria autora se dispõe em trocar ideias e responder as dúvidas dos leitores. Eu mesma tive dificuldade em alguns momentos da leitura, me perdendo e ficando confusa, porém, a Sabina teve toda a paciência do mundo ao responder as minhas mensagens pelo Facebook e ouvir minha ansiedade por uma continuação. Não bastou eu apenas ter adorado o livro, acabei por me apegar também a própria autora.

Incompletos é uma distopia e ficção-científica que traz muito do mundo em que vivemos através de uma perspectiva fantasiosa e gostosa de se ler. É perceptível que assuntos como preconceito, relacionamento e medo do desconhecido são abordados durante a história e ganham grande força dentro da narração, sendo temas essenciais para o desenvolver da história e do crescimento dos personagens. Posso dizer também que algo que gostei bastante foi o crescimento que a Mariah conquistou durante a sua jornada no livro, no começo se mostrando apenas uma garota indefesa e confusa, sem saber para onde ir, mas, que através dos seus tropeços e pensamentos convictos a personagem se torna aos 18 anos uma mulher cheia de responsabilidade e que tem consciência do tamanho da sua importância, sempre fazendo com que o seu Dom traga conquistas para a sua vida pessoal e profissional.


Reprodução: Biblioteca Pessoal
A edição
O livro em si é muito bonito, tanto a capa como também a diagramação. Inclusive, quero dizer que adorei a capa e o modo como ela se conecta com a história. Pode parecer simples, ou até bobo, mas, particularmente, eu adoro quando a capa mostra a essência da história, dando aquele ar de prazer quando você percebe que entendeu o significado real da capa. Ou será que sou só eu que tenha essa sensação?
A diagramação está ótima. O tamanho da letra não está pequeno, sendo assim um tamanho ideal para não forçar a vista e nem deixar aquela impressão de passar mais de 10 minutos lendo a mesma página. Por causa da escolha da letra, a leitura acaba fluindo naturalmente e até mesmo rápida. Os detalhes que colocaram em cada nome do capítulo também faz a diferença, deixando a diagramação ainda mais bonita. As folhas são amareladas e ótimas para a leitura. A equipe de arte e edição estão de parabéns.
"O governo nos caça como animais, como se fossemos aberrações, e nos tranca em Centros de onde ninguém que eu conheço jamais voltou. Querem nos estudar, nos cortar em pedacinhos, pra ver o que é que está faltando... para nos completar! Usar-nos como armas em suas guerras absurdas, ganhar dinheiro com o Dom. O DOM É SAGRADO E NÓS TEMOS UMA MISSÃO!"
Minha opinião
Esse livro foi uma grande surpresa para mim, aquela surpresa gostosa e que te deixa maravilhada. Antes de começar a leitura tive a oportunidade de conversar com a autora Sabine através de uma live feita para os parceiros da Presságio Editora. Consegui tirar minhas dúvidas sobre o livro, saber mais sobre a história e descobrir como foi o processo criativo da autora, um ponto que adorei conhecer com detalhes. Dias depois da live ainda consegui trocar outras palavras com a autora através do Facebook, pois surgiram algumas dúvidas sobre o enredo e logo me dirigi a ela para saber se meus pensamentos estavam indo pelo caminho certo e acompanhando de forma correta a mente dos personagens. Ela, novamente, foi um "poço" de carisma e educação, tirando minhas dúvidas e esclarecendo alguns pontos que ficaram embaraçados para mim. Ela não se importou em ser abordada por mim e pelas minhas dúvidas, não se importou com a minha confusão durante a leitura e muito menos achou ruim que eu ficasse mandando mensagens para ela. Acho válido comentar sobre isso por aqui, pois sei o quanto esse contato de leitor e autor é importante, e mostrar a atenção e carinho que os autores nacionais têm com os seus leitores.
Mas, voltando ao livro, vamos a minha opinião sobre a história em si. Por ser a primeira distopia que li tive alguns problemas com as nomenclaturas exclusivas do livro. Cheguei até a anotar a maioria para não tentar me perder durante a leitura, o que mais para frente acabou por fluir naturalmente e sem precisar consultar essas anotações. Todas essas nomenclaturas próprias dessa distopia são explicadas ao decorrer da história, aliás, muito bem explicadas. Um ponto positivo para as descrições do livro e as explicações, que em nenhum momento ficaram cansativas ou até mesmo chatas. Tudo é passado ao leitor de forma rápida e simples, sendo de fácil entendimento também para os leitores mais jovens.
A autora tem uma forma de escrita que te mantém preso a história e, claro, os plot twists também contribuem em peso para isso. Praticamente a cada final de capítulo é jogado em nós uma bomba de informações cruciais para a história, que deixam um gancho com o próximo capítulo, o que faz com que a gente não queira parar de ler para sabermos logo o que irá acontecer com a Mariah e saber o fundo de toda essa trama, todos os segredos e toda a real história.
Eu tive uma pequena confusão em um dos capítulos, onde é nos dado uma parte do passado de Mariah, porém, sem sair do presente. Essa parte me deixou confusa e eu fiquei sem entender se aquela narração estava no passado ou no presente. Foi aí que entrei em contato com a autora e ela me explicou tudo. Não sei se a confusão veio porque não estou acostumada a ler distopias e, também, estava lendo tão rápido o livro que acabei por deixar algumas coisas passarem, sem entender em qual tempo estávamos. Embora eu tenha ficado com essa confusão durante esse capítulo específico inteiro (optei até por dar um tempo na leitura depois de terminá-lo, e só voltei a ler no dia seguinte), no capítulo seguinte as coisas já ficam claras o bastante para dar um rumo ao leitor e explicar melhor o que aconteceu. Então, quando li esse outro capítulo acabei por saber quais partes eram do passado e quais eram do presente, tendo toda a confusão passado e retornado a leitura normal. Isso não atrapalhou a minha leitura, por mais que eu tenha lido alguns parágrafos mais de uma vez para resolver esse enigma na minha cabeça. Depois que passei pelas dúvidas, a leitura continuou a fluir normalmente e até rápida demais, por conta dos eventos mais recentes e do que nós leitores descobrimos.
O livro se tornou uma leitura agradável para mim. A história fluiu bem e me cativou. Os personagens são cativantes e faz com que você torça pela vitória deles a todo o momento, principalmente por saber o perigo que correm e o real motivo por estarem fugindo do governo. Infelizmente, por mais que eu tenha adorado a Mariah, principalmente quando ela se descobre ao final do livro, eu não consegui me ver na personagem, me conectar por completo. Algumas vezes achei ela fraca e chata, mas, ao decorrer da história ficou claro que a autora fez isso por um propósito, o que foi explicado mais a frente, porém, nesses momentos acabei me irritando um pouco com ela ao mesmo tempo que queria cuidá-la e niná-la. Mesmo tendo alguns problemas com a personagem, eu me rendia e torcia por ela a cada capítulo, querendo que encontrasse logo a verdade sobre a sua história e fugisse para longe de tudo que lhe fazia mal. 
O crescimento que a Mariah tem ao decorrer do livro é incrível, como eu cheguei a dizer mais para cima, e isso foi um dos pontos que mais me cativaram ao final da história, ver a mulher que ela se transformou. Estou muito curiosa para acompanhar outras aventuras dessa personagem e com uma esperança no coração que venha novidades logo sobre livros posteriores. Os outros personagens também são ótimos, alguns eu me apeguei mais do que a outros, como é normal de se acontecer. 
Um ponto que eu gostaria de ressaltar é a diversidade que contém no livro. Você não verá apenas personagens brancos, jovens e magros. A autora soube explorar com maestria a diversidade entre os personagens e criar pessoas maravilhosas a quais o leitor irá querer conhecer pessoalmente e ter ao seu lado, seja como um amigo ou como um membro da família.
Também há muita referência aos filmes de ficção-científica, que os fãs desse gênero irão logo reconhecer. Uma delas que ficou martelando na minha cabeça foi a semelhança entre as partes onde o Dom é utilizado e onde ocorrem sonhos lúcidos com os personagens com as cenas do filme A Origem, um dos meus filmes preferidos da vida. Admito que adorei fazer essa relação entre os dois, logo imaginando como seria Incompletos em uma versão cinematográfica e, olha, fiquei animada.
Deixo Incompletos como recomendação tanto para o público mais jovem, que ainda não se aventurou em distopias e histórias de ficção-científica, como também para aqueles que já conhecem melhor esses gêneros literários. Acredito que este livro é uma ótima maneira de ingressar no mundo da distopia e no mundo da literatura brasileira de uma forma mais leve, mas, também que lhe trará ótimos frutos. Incompletos irá lhe mostrar o que há de melhor nas pessoas, mas, também fará você ver o quanto uma pessoa pode fazer mal ao seu próximo, sem se importar com os sentimentos alheios ou com a vida daquelas pessoas. Apenas fazer o mal em prol do seu próprio bem.
Para encontrar o melhor preço e comprá-lo, basta dar uma olhada aqui.

28 de julho de 2017

Nova parceria: Presságio Editora

Reprodução: Google
Olá leitores!
Já faz um tempo que eu quero contar essa novidade para vocês, mas, acabou que fui adiando e esquecendo de fazer um post especialmente para isso. Acabei ficando tão feliz com a resposta positiva da Presságio Editora, em relação a nossa parceria, que só comuniquei na página do facebook e no stories do instagram (por isso é sempre bom também ficar de olho nessas duas redes sociais, ok?). Mas, cá estou eu para avisar que o blog firmou mais uma parceria, sendo agora com uma editora. Já admito que não estou me contendo de felicidade! 
Vou apresentar um pouco mais sobre a Presságio para vocês, assim poderão junto comigo vibrar com as novas publicações da editora.

Sobre a editora
Estando desde 2011 na ativa, a Presságio Editora começou com o foco nos baralhos para cartomancia e outros oráculos, posteriormente se tornando a distribuidora oficial da Lo Scarabeo no Brasil. A partir de 2015 se tornou oficialmente uma editora, começando assim a distribuir livros que focassem em histórias de ficção e não-ficção, explorando o mercado da literatura nacional. 

Pensando nisso, a Presságio iniciou a série Infinitos Mundos, que consiste em publicar histórias de fantasia que se passem em diversos universos e que tragam inúmeras jornadas aos leitores. O primeiro livro publicado dentro dessa série e lançado em junho desse ano foi Incompletos, escrito pela autora nacional Sabine Mendes Moura a qual tive a oportunidade de conversar através de uma live exclusiva para os parceiros e que foi extremamente fofa e atenciosa com as minhas perguntas. Já aviso que em breve terá resenha desse livro que me surpreendeu muito e também mostrarei os itens que vieram junto com o livro.

É bom frisar que a Presságio tem todo um carinho com os seus leitores, sempre respondendo os comentários no Facebook e tendo o cuidado de estabelecer um ótimo contato conosco. Lembro que quando saiu as inscrições para parceria estava exposto que seria apenas com youtubers, porém, quando questionei o motivo de não citarem blogs a editora logo me respondeu e disse que blogueiros poderiam fazer a inscrição normalmente, pois todos seriam avaliados igualmente. Hoje fico feliz em pensar que tive a coragem de indagá-los e que os próprios me concederam essa oportunidade como parceira, confiando em meu trabalho e em minha opinião.

Deixo-a aqui como recomendação e para que vocês possam conhecê-la com mais detalhes. 
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