18 de julho de 2017

Resenha: "Até Você Ser Minha" - Samantha Hayes


Reprodução: Google


Até Você Ser Minha
Autora: Samantha Hayes
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Minha classificação: ★★★★ (5/5)
"Tudo o que eu sempre quis foi cuidar de algo. Imaginava que era a melhor coisa depois de ser cuidada. Eu sabia, porém, que, mais do que tudo, ter papai novamente vivo faria mamãe feliz - mesmo que ele nascesse como uma menininha. Ter um bebê, decidi, seria a missão da minha vida."
Claudia Morgan-Brown vive a vida dos seus sonhos: é casada com James, um profissional da Marinha; é madrasta dos dois enteados gêmeos que a amam e a chamam de mãe; trabalha como assistente social, tendo a carreira profissional que sempre desejou; e para o ápice da sua felicidade ela está grávida e prestes a ter a sua menininha nos braços.

Como James exerce um cargo na Marinha e precisa viajar de tempos em tempos para realizar missões secretas, ficando durante meses isolado em um submarino e sem quase manter contato com o mundo afora, Claudia precisará de uma atenção maior assim que James estiver no mar novamente. Por mais que o desejo dela seja ter o marido ao lado quando chegar a hora da bebê nascer, a realidade diz para o casal que ele não estará lá, e por isso Claudia precisará de toda a ajuda possível, tanto para cuidar da nova criança, como também para cuidar dos gêmeos.

Para esse fim, Claudia e James decidem contratar uma babá, alguém que possa morar com eles e fazer parte da rotina da família. Com ótimas recomendações e um histórico excelente, encontram Zoe Harper, uma mulher na faixa dos 30 anos que encaixa-se perfeitamente para aquilo que precisam, fazendo assim com que a moça comece imediatamente o seu trabalho. O que eles não imaginam é que Zoe está naquela casa por uma razão, mas que ser babá não é o maior objetivo dela.

Ao mesmo tempo em que Claudia começa a desconfiar de algumas atitudes e ações da nova babá, os detetives Fisher e Scott procuram pelo cruel assassino que matou uma jovem grávida, Sally-Ann, e seu bebê. Embora o assassinato seja prioridade da dupla, eles também enfrentarão juntos (pois, afinal, são um casal) a saída repentina de casa da filha mais velha e irão lidar com os sentimentos de culpa e traição que cercam o casamento.

Entre os capítulos são intercalados três tipos de narração: temos a visão da Claudia, narrado em primeira pessoa; a visão da Zoe, também narrado em primeira pessoa; e a visão dos detetives, porém, com foco na Lorraine Fisher, narrado em terceira pessoa. Através das narrações é transmitido para o leitor um pouco mais sobre cada um dos personagens, seus interesses e suas relações pessoais, porém, com um fundo de suspense e muitos segredos. Nem todas as informações ficam transparentes para o leitor, causando assim uma desconfiança com cada um dos personagens durante a leitura. 

Minha opinião
Por se tratar de um livro com o gênero suspense policial, logo comecei a leitura com a ideia na cabeça de desconfiar de todos os personagens, independente das aparências ou atitudes "boazinhas", pois assim, imaginei, eu não seria feita de trouxa pela autora e acabaria descobrindo quem era o assassino e o que estava realmente acontecendo na trama. É com muito pesar, mas com uma pitada de alegria, que eu venho informar que eu me enganei e, sim, fui feita de trouxa. Mesmo com a minha desconfiança desde o início, a autora conseguiu me enganar no final e me surpreender ainda mais com algumas revelações que nem passaram pela minha cabeça. 
Admito que esse livro foi uma grande surpresa para mim e foi um dos melhores suspenses que li até o momento (não li muitos suspenses, mas, agora pretendo mudar isso). Deu até uma vontade de começar a ler mais livros desse gênero, pois esse realmente me fisgou por completo e me despertou o interesse para outras histórias do mesmo estilo. Aliás, estou aceitando recomendações de suspenses policiais, deixem a sua dica nos comentários. 
Falando do livro em si, a história no começo poderá parecer simples para alguns, batida e presumível para outros, porém, ao decorrer dos capítulos o leitor vai descobrindo que todos os personagens têm segredos, revelando que a real intenção da autora é fazer com que você duvide de cada um desses personagens, e não apenas de um. É como se ela transparecesse a mensagem: não confie em ninguém, fique de olhos abertos e duvide de todos.
A escrita da autora é muito boa, não deixando nenhum detalhe passar despercebido para o leitor, por isso é bom prestar bastante atenção nos diálogos e nas informações que vão sendo passadas ao longo da história. Porém, algo que me incomodou bastante foi o tamanho da fonte escolhida pela editora, pois sendo pequena dá aquela impressão de levar 15 minutos lendo apenas uma página, e isso me cansava. 
Eu demorei um pouco para conseguir engatar na história, pois achei o começo lento e sem muitas reviravoltas. Fiquei presa no livro a partir, mais ou menos, da metade do livro, justamente quando começaram a aparecer a verdade por trás de cada um, trazendo um misto de sensações e dúvidas em mim. Quando engatei na história não consegui mais parar, era revelação atrás de revelação e cada vez mais o suspense cobria todos os personagens, fazendo com que a experiência da leitura se tornasse incrível ao mesmo tempo que sentia uma sensação de desespero pelos personagens.
Infelizmente, não há outros livros da autora publicados no Brasil, então, como não leio em inglês vou ficar por enquanto só na ansiedade para conferir outros trabalhos da Samantha e torcer para que a Intrínseca publique os outros títulos. Então, por favor Intrínseca, dê uma chance para as outras publicações da autora, acredito que ela não iria nos decepcionar com as novas histórias.
Se você gosta de suspenses policiais que te colocam como observador, justamente para que você se sinta na pele da vítima, trazendo uma história recheada de mistérios, segredos e desconfiança, esse livro poderá ser perfeito para furar a fila da sua meta de leitura. E não se engane com a sinopse aparentemente clichê, ao entrar nessa história sinta-se desafiado a ser surpreendido e falhe na tentativa de desvendar o mistério.

14 de julho de 2017

#12mesesdePoe: Três Domingos Em Uma Semana + A Cidade do Mar


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Três Domingos Em Uma Semana
Minha classificação:  (3/5)

A Cidade do Mar
Minha classificação:  (3/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto Três Domingos Em Uma Semana
O narrador-personagem e a prima Catarina estão apaixonados um pelo outro, tendo assim planos para se casarem o mais breve possível. Porém, infelizmente, aquele que o cuidou desde a infância, que é o seu tio-avô e pai da moça, não aceita o matrimônio, se recusando a dar parte do seu dinheiro para tal fim, e deixa claro que o casal só poderá se casar quando em uma semana houver três domingos.

Com a chegada de dois familiares de Catarina, os marinheiros Pratt e Smitherton, uma visita ao tio-avô do narrador é combinada, sendo arranjada pelo inteligente casal com a finalidade de mudar a cabeça do velho Sr. Rumgudgeon. Durante esse encontro, todos os personagens do conto se instalam em um único lugar, surgindo assim um debate sobre em qual dia da semana essa visita está ocorrendo.

O conto é curto, tendo apenas quatro páginas na versão que li, e por isso há todo o cuidado para dizer apenas o essencial da história e não entregar detalhes que estragaria a experiência do leitor. Algumas partes e palavras podem parecer difíceis de se entender, porém, a história acaba sendo bastante simples (simples até demais, na minha opinião, para uma história do Poe). Neste conto não teremos o ar de horror e/ou suspense que permeia na maioria das histórias do autor, pois o foco acaba sendo diferente dos demais.

Poema A Cidade do Mar
O eu-lírico disserta sobre uma cidade que serviu como trono para a Morte e, presumo eu, existe à beira mar. No poema somos apresentados aos aspectos físicos da tal cidade e aos seus moradores que buscam auxilio naquele lugar solitário e sombrio.

Assim como os outros poemas do Poe que tive a oportunidade de ler até agora, esse também carrega grande emoção e beleza na escrita poética do autor. Por mais que seja cheio de descrições sobre a cidade e as pessoas que ali habitam, não indo nada além disso, as descrições fazem com que o leitor se sinta mais imerso no poema e mais conectado com o local liderado pela personagem Morte. 
"Lá, os bons, os maus, os piores e os melhores, 
foram todos buscar repouso eterno. 
Seus monumentos, catedrais e torres 
(torres que o tempo rói e não vacilam!) 
em nada se parecem com os humanos."
Minha opinião
Sobre o conto:
É difícil para mim, uma pessoa que adora tanto os escritos do Poe, dizer que uma história desse autor foi decepcionante. Não vou usar essa palavra para definir a minha leitura de Três Domingos Em Uma Semana, até porque acredito que já tenha lido outros contos que tive uma experiência mais negativa, porém, admito que por mais que a história tenha sido uma boa leitura, não me surpreendi e nem me senti satisfeita ao ler. Posso até arriscar em dizer que estou em uma relação de amor e ódio com esse conto.
Falando no geral e colocando todos os altos e baixos que tive durante a leitura, posso dizer que no final a leitura acabou sendo agradável. Não foi uma história que me surpreendeu, assim como a maioria das escritas pelo Poe, mas, foi uma história simples que deu para conhecer um outro lado do autor, e mesmo que eu não tenha apreciado tanto quanto os outros gêneros explorados por ele, acredito que valeu a pena.
Por se tratar de um conto pequeno e relativamente simples, talvez seja uma boa maneira de conhecer as obras do Edgar Allan Poe, para aqueles que têm curiosidade, mas também tem medo de sua escrita difícil e aterrorizante. O leitor, como eu já disse, não irá encontrar uma história de terror ou vingança, mas, encontrará uma boa e curiosa história escrita pelo Poe.

Sobre o poema:
Posso dizer que não foi o melhor poema que li até agora, mas que também não classificaria negativamente. Mesmo que eu acabe não entendendo por completo (aliás, nem sei se alguém consegue entender poemas em seus 100%) a escrita poética do Poe acaba me fisgando de alguma maneira, seja pela beleza da escrita e dos detalhes ou pela sensação de paz que esses escritos trazem durante a leitura.
Eu gostei do poema e a leitura me trouxe ótimas sensações, mesmo que o eu-lírico narre a moradia da Morte o que poderá parecer um pouco mórbido, mas que não é. A cada poema que leio do Poe acabo por me surpreender ainda mais. Quando penso que o autor não conseguirá escrever algo tão belo como a leitura anterior, no final eu me surpreendo.
Essa experiência de ler os poemas do Poe está sendo incrível e me fazendo adorar a ideia de prestigiar novos poemas. O Edgar Allan Poe sabe perfeitamente mesclar o obscuro com o belo, e isso é o que eu mais gosto em seus poemas. Deixo A Cidade do Mar como indicação para aqueles que ainda não começaram a ler seus poemas, como também para aqueles que adoram esse tipo de texto. Vale a pena se afundar nas descrições dessa cidade.
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11 de julho de 2017

Homem-Aranha de Volta ao Lar: seja bem vindo!


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"Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava."
Assista ao trailer
Olá leitores!
Na semana passada, dia 06 de julho, estreou o novo filme do Homem-Aranha, estrelado agora por Tom Holland e trazendo uma versão mais jovem do personagem, tendo apenas 15 anos de idade. Nesse filme descobriremos o que aconteceu com o herói após ter lutado com os Vingadores contra a equipe do Capitão América em Guerra Civil, saberemos como é a sua vida estudantil no pequeno bairro Queens e quem são os seus amigos.

O elenco ganhou destaque (principalmente no meu coração) através das interpretações que vão te conquistando ao longo do filme, fazendo com que o espectador se sinta mais próximo e íntimo dos personagens, criando aquele carinho imediato. Recheado de carinhas conhecidas, o elenco se completa: Tom Holland vive o nosso querido Peter Parker/Homem-Aranha; Robert Downey Jr. aparece algumas vezes como Tony Stark/Homem de Ferro, e admito que a sua participação foi na medida certa; Marisa Tomei como a Tia May; Michael Keaton no papel do vilão Abutre; Jacob Batalon como Ned, o melhor amigo do Peter; Zendaya como Michelle, a amiga "estranha" do Peter; Laura Harrier como Liz, a "crush" do Peter; entre outros ótimos atores. 

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O que eu mais gostei nesse novo filme?
A diversidade no grupo de amigos do Peter (e no filme todo): logo no começo fica claro que há uma diversidade no grupo de amigos do Peter e até mesmo nas demais cenas do filme. Estamos acostumados com filmes, seja de super heróis ou não, que em seu elenco utilizam-se de atores da mesma etnia, ficando até repetitivo demais e sem nenhuma representatividade. Homem-Aranha de Volta ao Lar vem para quebrar esse padrão belo, recatado e do lar, trazendo diversidade através de seus personagens e somando ainda mais identificação e uma relação positiva com o telespectador.

O Peter jovem e inexperiente: nesse filme o Peter tem apenas 15 anos, e sua experiência como herói ainda é algo novo para ele. Durante a história fica claro que ele é um garoto inexperiente e que ainda preciso aprender muito ao longo da sua vida, e isso foi um dos pontos mais legais para mim. Temos aqui um Peter que se decepciona, erra e aprende com as suas próprias "burradas". É perceptível a dificuldade do personagem ao enfrentar um vilão mais poderoso e que lhe traz problemas irreparáveis. Porém, apesar das dificuldades ele segue tentando e buscando melhorias em si mesmo. Ele não desiste, e com isso os ensinamentos surgem.

A personagem Michelle: mesmo aparecendo pouco, Michelle conseguiu ganhar um grande espaço no meu coração através do seu jeito sarcástico e fechado de ser. Interpretada por Zendaya, a personagem me cativou assim que apareceu na tela, fazendo com que acontecesse uma certa identificação entre nós, e talvez por isso ela tenha se tornado tão especial e essencial para mim ao longo do filme. Michelle é misteriosa e não teremos todas as respostas sobre a personagem nesse primeiro longa, deixando assim um ar de curiosidade e muita vontade para saber mais sobre ela. E uma das coisas mais legais da personagem é que ela sempre está com um livro na mão. Daria para eu me identificar menos com ela? Acredito que não.

A realidade dos poderes do Homem-Aranha em mundo aberto: se você já se perguntou como o Homem-Aranha faz para voar pelo céu em um lugar onde não tem prédios (em um parque, por exemplo), você terá a sua resposta nesse filme. Ao contrário de um famoso game do Homem-Aranha, onde ele utiliza as teias em lugares abertos como se estivesse pendurado no céu, o nosso novo Aranha mostra a realidade ao tentar jogar uma teia em um lugar que não tem edifícios ou paredes, e essas cenas fazem parte dos momentos mais engraçados do filme.

As cenas de interação: por mais que as cenas de ação sejam bastante interessantes e de tirar o fôlego (principalmente a cena final), aquelas cenas com diálogos e interação entre os personagens transparecem o quanto o elenco estava em sintonia. Através dessas interações conseguimos conhecer um pouco mais dos personagens secundários que ganham um espaço especial no longa, sendo fundamentais para a apresentação da história do Peter e até mesmo para o seu crescimento pessoal. São através dessas interações que presenciamos o crescimento (e o nascimento) da amizade entre os personagens e a sutileza em um leve romance entre Peter e Liz. É incrível como esses momentos conseguem se encaixar perfeitamente com os de ação.

Uma menção honrosa para a música clássica que toca assim que o filme se inicia e que logo te enche de nostalgia e bons pensamentos, não havendo maneira melhor de ter começado.

O que eu não gostei?
É muito difícil, para mim, falar de pontos negativos quando na realidade eu adorei por inteiro o filme. Acaba que eu fico tão emocionada ao assisti-lo, que ao decorrer do longa não presto atenção em detalhes que podem me incomodar futuramente e nem me apego a coisas mínimas que não gostei no calor do momento. Então, na hora de falar o que eu não gostei não me vem nada em mente, como agora. Por isso, irei me ater as coisas boas do filme.

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Homem-Aranha de Volta ao Lar trouxe grandes surpresas positivas para mim, alcançando as minhas expectativas e até mesmo superando-as. Até admito que a posição de melhor Homem-Aranha para mim, até então sendo ocupada pelo Andrew Garfield, se encontra no momento abalada e cercada de dúvidas. Tom Holland, realmente, foi ainda mais do que eu esperei.

Eu gostei bastante desse novo filme e de como o personagem foi apresentado com mais detalhes, já que em Guerra Civil a sua participação acaba sendo curta. Dá para perceber, tanto nas cenas do filme como também nos vídeos que foram saindo para divulgação, que o Tom Holland se esforçou para encarnar um Peter Parker perfeito e que agradasse aos fãs, e fico feliz em ver que ele teve grande êxito nessa nova jornada da sua carreira. O ator representa um Homem-Aranha carismático e engraçado,  através de um humor que em nenhum momento aparenta ser forçado, mas um humor que flui de maneira bastante natural. O ator já havia me conquistado através da sua atuação no filme O Impossível, porém, fui ainda mais arrebatada ao presenciá-lo no papel desse herói, que até então não tinha ganho tanto destaque para mim.

O filme mescla momentos de ação com cenas e diálogos engraçados e uma pitada essencial de drama. É bom lembrar que neste filme não é apresentado como o Homem-Aranha ganhou os seus poderes, porém, ainda tem como foco a origem do Peter Parker e o começo da sua vida como um super-herói. Com o seu diferencial, Homem-Aranha de Volta ao Lar traz uma história leve, divertida e especial para os velhos e novos fãs, trazendo também pela primeira vez uma nova interação com os outros filmes da Marvel. A única coisa que espero futuramente é poder continuar acompanhando esses personagens e o desenvolvimento do Tom Holland como Peter Parker.
Vocês já foram assistir Homem-Aranha de Volta ao Lar? Se sim, o que acharam? E se ainda não, por quê? É um filme que irá agradar todas as idades arrancando muitas risadas e que trará um novo panorama do nosso amigo da vizinhança. Vale a pena conferir! Um beijo e até a próxima.

4 de julho de 2017

Resenha: Extraordinário - R. J. Palacio

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Extraordinário
Autora: R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Minha classificação:  (4/5)
Auggie é um garotinho de 10 anos que irá para a escola pela primeira vez. Ele é fã de Star Wars, adora o seu X-Box, tem uma irmã mais velha chamada Via e uma cadelinha chamada Daisy. Porém, há algo que o diferencia das demais crianças: August Pullman tem uma deficiência rara no rosto.
"Aliás, meu nome é August. Não vou descrever a minha aparência. Não importa o que você esteja pensando, porque provavelmente é pior."

Nate e Isabel, respectivamente pai e mãe do nosso protagonista, estão bastante inseguros e com medo da decisão de mandar o filho para Beecher Prep, um lugar cheio de crianças que não estão acostumadas com o rosto diferente do garoto. De um lado temos a mãe, que diz com total certeza que o pequeno deve ser enviado para uma escola e ter um convívio social com novas pessoas de sua idade, podendo ajudá-lo até mesmo em situações futuras, como faculdade ou trabalho; do outro lado há o pai, que não gosta da ideia de deixar o filho cercado por desconhecidos que podem se revelar maldosos e insensíveis, como ele mesmo diz essa é uma forma de mandar o cordeiro para o abate.

Auggie não quer ir para a escola, justamente por causa do medo de ser rejeitado pela condição do seu rosto, porém, é persuadido pelos pais e acaba ingressando. Antes de começar as aulas, os Pullman são recebidos pelo diretor Sr. Buzanfa para que Auggie possa conhecer o lugar e se sentir mais seguro e confortável no primeiro dia de aula. Neste dia ele conhece Jack, Julian e Charlotte, as crianças escolhidas para mostrar as salas do colégio e para tratá-lo bem.

A história mostrará a experiência do Auggie durante o quinto ano do colegial: a reação das crianças ao se depararem com ele no corredor e na sala, o preconceito por parte de alguns colegas (incluindo também o ato de bullying e rejeição) e o início de ótimas amizades. Além do Auggie aprender com as novas convivências no colégio, o leitor também aprenderá muito com esse garotinho que roubará corações e encherá os seus olhos de lágrimas.

O livro não apresenta apenas a perspectiva do Auggie, mas também aborda a visão de outras pessoas, incluindo a irmã Via, o cunhado Justin e os amigos Summer e Jack. Todos os capítulos são narrados em primeira pessoa, trazendo assim uma conexão maior entre personagem e leitor. Ao mostrar o lado de cada personagem acabamos conhecendo o interior de cada um deles e percebendo que não é apenas o Auggie que tem problemas, mas, que todos estão suscetíveis a terem um dia ruim e/ou um drama familiar.
"Faça todo o bem que puder,
De todas as maneiras que puder,
De todas as formas que puder,
Em todos os lugares que puder,
Em todos os momentos que puder,
A todas as pessoas que puder,
Sempre que puder."

Minha opinião
Estou com esse livro na estante desde o ano do lançamento e sempre que pensava em pegá-lo para ler outro livro acabava passando na frente. Lembro que comprei bem na época do hype e que todos os blogueiros e booktubers estavam indicando-o incansavelmente. No mês passado, se eu não me engano, saiu o trailer da adaptação que irá aos cinemas ainda esse ano e posso dizer que o motivo o qual me fez começar a leitura agora foi a curiosidade que o trailer me despertou, afinal também quero assistir ao filme depois que for lançado. Acabei colocando-o entre as leituras de junho e conseguindo lê-lo no começo do mês. As minhas impressões são positivas, mas, admito que cheguei a esperar um pouco além da história.
É quase impossível você ler e não se apaixonar pelo Auggie. Ele é uma criança extremamente fofa e que te conquista desde o início da leitura, me fazendo querer abraçá-lo a todo o momento e conversar sobre Star Wars com ele. É uma criança inteligente e que surpreende a todos, inclusive ao leitor. Eu me apeguei ao Auggie ao ponto de querer brigar com as crianças que praticavam algum ato negativo com ele, me apeguei ao ponto de querer confortá-lo e ser amiga dele, porém, não consegui chegar ao ponto de chorar com a história, algo que eu pensei que faria desesperadamente assim como a maioria dos outros leitores, e talvez isso tenha me decepcionado um pouco. Não me decepcionei com a história de modo algum, acredito que acabei me decepcionando comigo mesma por não ter investido sentimento suficiente ao ponto de chorar em certos momentos, por mais que meu coração estivesse despedaçado. 
Pode até parecer confuso, mas, gostaria de deixar explícito que o problema estava em mim, e não na qualidade da história/livro, até porque eu tirei ótimos frutos da leitura. No geral, eu gostei muito do livro. Foi uma leitura agradável e que me encheu de emoções, trazendo também alguns pensamentos mais intensos e até profundos. Não é uma história que te fará refletir sobre a vida e o universo, mas, será uma história que fará você repensar as suas atitudes, e isto é um grande feito para mim.
É uma leitura recomendada para qualquer idade, independente também do seu gênero literário favorito. Acredito que seja uma leitura essencial para todos, principalmente para os mais jovens e para aqueles que estão começando a ingressar no mundo da leitura. Estou até pensando em sair por aí distribuindo exemplares desse livro para os menores, porque acredito que essa história pode formar muitas mentes de uma maneira bastante positiva, e assim trazer uma nova esperança para a educação e o mundo. Então, por favor, se você ainda não leu, leia! E se você tem um filho, aproveita e lê para/com ele também!
"Palavras gentis não custam muito, e ainda assim conquistam muito."

30 de junho de 2017

#Clarice-se: A Menor Mulher do Mundo (JUNHO)


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Conto A Menor Mulher do Mundo
Autora: Clarice Lispector
Minha classificação:  (3/5)
O conto
O explorador francês Marcel Pretre decidi se aventurar nas profundezas da África Equatorial em busca de novas pessoas e novas descobertas. Indo mais fundo no Congo Central, ele encontra uma sociedade composta por pigmeus extremamente pequenos, havendo entre o grupo a menor mulher que existe no mundo, apelidando-a de Pequena Flor.

Esses pigmeus vivem no alto de árvores grandes, onde correm menos risco de serem pegos pelos animais da floresta e consequentemente virarem a refeição destes animais. Marcel irá descrever a sua experiência e convivência com a Pequena Flor que, inclusive, está grávida e desfruta da liberdade de ainda não ter sido pega pelos animais lá de baixo.

Ao voltar desse lugar para a sua casa, o explorador publica em um jornal sobre a sua descoberta e, principalmente, sobre a menor mulher que há no mundo. As reações dos leitores são variadas e em cada parágrafo do conto somos apresentados à elas, sabendo assim diversas opiniões, variando de espanto ao que é diferente à necessidade de escravidão de um ser que aparente ser inferior. 

O conto é narrado em terceira pessoa, expondo a visão de personagens diferentes entre si, tanto no quesito social como também na convivência em família, e a relação amigável entre o explorador e a Pequena Flor.

Minha opinião
Dentre todos os contos que lemos até agora em conjunto no projeto, esse é o primeiro que eu não consigo associar há alguma simbologia ou significado maior que esteja escondido nas entrelinhas do texto. Para mim, a Clarice só quis falar sobre uma mulher que era a menor do mundo e como a sociedade reagiu a esse fato, muitas vezes vendo como algo totalmente estranho ou até mesmo querendo tratá-la como uma escrava. Não consegui absorver nada mais complexo desse conto e admito que isso me deixou bastante frustrada comigo mesma. 

Mas, afinal, por que não pode ser apenas um texto que quer expressar somente aquilo que está escrito, não é? Por que é necessário ter um significado por trás ou uma simbologia nas entrelinhas? Acredito que fico com isso encravado na minha cabeça por ser contos escritos pela Clarice e, claro, pela característica marcante da autora que engloba justamente a epifania. Não irei ficar me estendendo nesse aspecto e me martirizando por causa disso, mas, caso algum de vocês tenham tido uma visão diferente ou até mesmo mais complexa desse conto, por favor, compartilhem comigo. Eu preciso saber a opinião de mais pessoas sobre essa história.

Embora eu tenha tido essas sensações, no geral a leitura foi bastante agradável para mim e satisfatória. Dá para perceber muito da Clarice na história e conhecer uma nova personagem feminina que luta de alguma forma para sobreviver no mundo em que vive. A leitura fluiu rápido e é de fácil entendimento, até para aqueles que nunca se aventuraram antes na escrita da autora. Deixo aqui o conto como recomendação, pois é uma ótima história para saber um pouco mais sobre a mente das outras pessoas e a visão perante o diferente.

A Menor Mulher do Mundo pode ser encontrado no livro Todos os Contos - Clarice Lispector, da Editora Rocco. Convido todos vocês a participarem conosco do Projeto Clarice-se e se aventurarem nos escritos dessa escritora brasileira que tanto admiramos. Espero vocês por lá!
Participe do grupo!