19 de setembro de 2017

#12mesesdePoe: O Poço e o Pêndulo + Os Sinos

Reprodução: Google


O Poço e o Pêndulo
Minha avaliação: (5/5)

Os Sinos
Minha avaliação:  (2/5)

Autor: Edgar Allan Poe
Conto O Poço e o Pêndulo
O narrador-personagem, não nomeado, acorda dentro de uma cela escura, onde não há nenhum lampejo de luz, com a certeza na cabeça de que o seu fim está próximo. O homem sabe que foi preso para ser morto, mas, não desconfia e nem imagina quais serão os métodos utilizados e o quanto se mostrarão agonizantes e imprevisíveis. Ele tentará escapar, afinal, quem em uma zona de risco não tentaria salvar a própria vida? Porém, os seus observadores podem ter todas as cartas na manga, sabendo exatamente como prosseguir em cada situação "inesperada".

O conto é narrado em 1° pessoa, transmitindo assim através do narrador uma agonia ainda mais intensa ao leitor, fazendo com que você sinta os seus temores, torça para uma salvação ao mesmo tempo que sente-se impotente por presenciar tamanha crueldade e não poder agir em prol do acusado. Com menos de 20 páginas Edgar Allan Poe consegue, magnificamente, amedrontar o leitor e deixá-lo de mãos atadas, entregando uma história que te deixará sem ar. 

Poema Os Sinos
O eu-lírico explora através das palavras os sons de alguns sinos diferentes, tendo entre eles sinos de prata, sinos de casamento e sinos de alarme. Todos esses sons  são descritos maravilhosamente bem, dando a impressão de que o leitor está cercado por eles. A cada estrofe os sons vão se intensificando e trazendo um novo sentido ao poema, fazendo com que a mensagem se misture à sinestesia expressa pelo texto.

Não irei me estender tentando explicar sobre o que o poema disserta, mas, indico para que leiam essa breve análise, a qual abriu os meus olhos para uma visão nova sobre o texto, uma visão que não consegui extrair em momento algum. A escrita, assim como nos demais poemas do mesmo autor, é rebuscada e cheia de sinestesia, fazendo assim com que o leitor não apenas leia o poema, mas que ele o sinta. Você não irá apenas ler os sons dos sinos, mas, ouvirá. Há quem diga que as badaladas significam uma evolução da vida até o momento da nossa morte, indo de um som harmonioso até um som amedrontador e sufocador. Deixo com você para tirar o melhor desse poema e extrair a mensagem que lhe vier a cabeça no momento de leitura.

Minha opinião
Sobre o conto:
Mais uma releitura de um conto do Poe e só tenho a dizer que a cada nova leitura as histórias conseguem ficar ainda melhores, e dessa vez não foi diferente. Literalmente, O Poço e o Pêndulo foi o meu primeiro contato com o autor, o primeiro conto que li. Lembro de ter gostado, porém, não me recordo de ter tido uma experiência tão boa quanto tive durante a releitura. Não lembro das sensações que senti na primeira vez, mas, posso dizer que foram as melhores na segunda. Me senti asfixiada com os tormentos sofridos pelo narrador, pela maneira que a narrativa vai se desenvolvendo e ligando o leitor com o personagem. Além de sofrer com essa falta de ar e a agonia das torturas, também me senti imponente e um nada, por não consegui ajudá-lo a correr dali e salvar a sua vida.
Não sabemos o motivo do narrador ter sido preso e nem quais foram os seus crimes para ser estipulado para tal pena de morte, porém, ao final o autor revela um detalhe que fará toda a diferença para a história. Para aqueles que conhecem um pouco da história do mundo e tem conhecimento dos acontecimentos acarretados pela Inquisição, perceberá que os torturadores são na verdade a Igreja Católica, e para saber um pouco mais sobre essas intrigas entre cristão e pagãos indico que procure uma leitura mais aprofundada em algum livro de história, pois, vale a pena saber mais desse período histórico. 
No meu primeiro contato com o conto eu não tinha nenhuma noção do que era a Inquisição e também não havia me dado ao trabalho de pesquisar sobre isso, o que causou um entendimento da leitura mais supérfluo. Não sei se por coincidência ou não estudei exatamente sobre esse período histórico durante o final do mês passado, uns dias antes de investir na leitura do projeto, o que resultou em uma experiência de leitura ainda mais gratificante e completa do conto. Talvez seja por isso que eu gostei tanto dessa vez, por entender o que se passava na cabeça dos acusadores e saber o porque daquela situação estar acontecendo (não que os motivos justifiquem os meios, afinal, os métodos eram através de torturas).
Um conto que eu recomendo para todos, seja fã de horror ou não, seja fã antigo de Poe ou alguém que ainda não teve nenhum contato com o autor, ou até mesmo para aqueles que não gostam de se aventurar em romances e preferem leituras de contos por conta de seu tamanho compacto. Por mais que seja um conto, o que faz a leitura ser rápida e a história ser pequena, os detalhes fazem toda a diferença. Poe mais uma vez me surpreendendo com sua mente magnífica.

Sobre o poema:
O que dizer sobre um poema que não entendi "bulhufas"? Ao menos com os outros eu conseguia extrair do eu-lírico alguma ideia sobre o que ele estava declamando ou sentia uma sensação mais profunda, porém, dessa vez eu não tive sorte com nenhuma de ambas as partes. Não sei se fico decepcionada com a minha visão de leitura ou se eu apenas li em um má dia, ou até mesmo eu ainda não tenha uma mente totalmente adepta para poemas e/ou textos mais complexos.
Por mais que a escrita de poemas do Poe seja bela e traga um sentimento bom ao leitor, um sentimento de paz e conforto, isso não foi o bastante para fazer com que a minha experiência fosse positiva. Infelizmente não tive uma conexão com o poema e nem consegui absorver sua grandiosidade, o que extrai foi através de uma análise que li pela internet, apenas isso. Espero que em uma releitura futura eu mude isso e consiga aproveitar o bastante das palavras do autor. Não o recomendo para aqueles que irão começar a ler poemas ou os escritos do Edgar Allan Poe. 

Participe do projeto conosco: 

15 de setembro de 2017

Eu fui aceita no Núcleo Jovem da Academia de Letras


Reprodução: Biblioteca Pessoal
Olá leitores!
No mês passado, mais especificamente no dia 25 de agosto, ocorreu em Brasília o evento para comemoração do 7º aniversário de fundação da ALB-DF (Academia de Letras do Brasil). Para quem não conhece, a Academia de Letras do Brasil é uma instituição literária fundada em 1897 pelo escritor Machado de Assis com a colaboração de outros escritores brasileiros.

Um dos objetivos do evento foi realizar a posse dos indicados ao Núcleo Jovem da Academia de Letras e entregar o certificado para os escolhidos, que no total fomos três, sendo eu a mais velha entre nós. O Núcleo Jovem da Academia de Letras é organizado pela Gacy e através desse grupo os jovens têm a oportunidade de ingressarem na Academia de Letras e, posteriormente, se candidatar para ocupar uma cadeira (assim que a mesma estiver vaga).

Reprodução: Biblioteca Pessoal
O evento começou as 19h e durou até, mais ou menos, às 22h, porém, acabei indo embora um pouco antes desse horário. O evento foi simples e rápido. Aconteceu a entrega do certificado para aqueles que ingressaram no Núcleo Jovem, que foram eu e mais dois jovens (e quando digo jovens quero dizer abaixo dos 15 anos), e a conquista de uma cadeira por uma escritora que já tinha um grande papel dentro da Academia. Inclusive, ela declamou um lindo poema sobre a ex-diretora, a qual estava se despedindo e dando o lugar para o novo diretor da Academia. Também prestigiamos uma ótima apresentação de um coral, que nos encantou e nos emocionou com suas interpretações de músicas lindas.

Após essa cerimônia foi servido um pequeno coquetel no Templo ao lado. Posso dizer que eu e meus acompanhantes (familiares e amigos) gostamos bastante do evento, pois algo que parecia ser massante acabou por ser agradável e divertido. Nós nos divertimos e aproveitamos cada momento, afinal o mais especial foi ter ao meu lado aqueles que amo, dividindo comigo um momento tão especial em minha vida. Dizendo isso, só quero agradecê-los e reafirmar que cada um tem um espaço especial no meu coração e que a minha conquista também é deles.

Reprodução: Biblioteca Pessoal
Para mim que curso Letras e que respiro Literatura, até mesmo pretendo trabalhar nesse meio, ser aceita pela ALB é um grande feito e uma maravilhosa realização na minha vida. Não consigo descrever em palavras o tamanho da minha felicidade por ter sido indicada para ingressar no Núcleo Jovem e, ainda, por ter sido aceita, e é aqui que entra minha gratificação por um dia ter pensado em criar esse espaço que chamamos de blog. 

Resumindo um pouco a minha história, no semestre passado eu comecei a ter aulas com um professor novo, o Dr. André Pullig, tendo assim a oportunidade de conhecê-lo melhor. No semestre passado também ocorreu a apresentação do meu TCC, e esse professor junto com a minha orientadora, a qual também devo bastante por seu incentivo e palavras amigas, me ajudaram a realizar o meu desejo, que era fazer um TCC sobre literatura e o papel da mulher. Acredito que a minha vontade de saber mais sobre o papel da mulher ao longo dos séculos e o meu interior que coloquei naquele trabalho fez com que o professor André visse algo em mim ainda não perceptível. Ele me indicou para o Núcleo Jovem da Academia de Letras, porém, as pessoas que ingressam já devem ter trabalhos publicados, sejam em revistas ou livros, e eu ainda não tenho nada. Não posso afirmar que não tenho nada, pois tenho o blog há 2 anos e meio e ele encaixou-se como um meio de publicação. Então, graças a esse pequeno, porém, especial cantinho que divido com vocês eu tive a oportunidade de mudar a minha vida. Agradeço também a vocês que me acompanham, leem minhas resenhas e comentam suas opiniões. Isso é muito importante para mim.

Obrigada a todos.

12 de setembro de 2017

A nova adaptação de IT - A Coisa (na visão de uma coulrofóbica)


Reprodução: Google
"Quando as crianças começam a desaparecer na cidade de Derry, no Maine, as crianças do bairro se unem para atacar Pennywise, um palhaço malvado, cuja história de assassinato e violência remonta há séculos."
Assista ao trailer
Olá leitores!
Na semana passada eu tomei um pílula de coragem (lê-se comprei um ingresso) e fui assistir a adaptação de IT - A Coisa, filme derivado do livro escrito por Stephen King que leva o mesmo nome. Para aqueles que não sabem eu tenho uma certa fobia de palhaços. Não é apenas medo, mas, uma grande fobia desses "amigos" das crianças. Tudo isso por questões pessoais que ocorreram na minha pré-adolescência e por causa de um certo episódio de Supernatural que contribuiu ainda mais para a minha má experiência. 

É nesse momento que escuto vocês perguntarem: então por que se submeter ao medo e ir assistir a esse filme? Logo respondo: porque além das críticas estarem bastante positivas e animadoras, dizendo até mesmo que esse é o melhor filme de terror do ano, eu amo o gênero, então precisava conferir se todas essas opiniões eram realmente verdadeiras, pois nos últimos anos é raro encontrar um filme que explore bem o gênero terror e que me agrade (por isso tenho preferência pelos mais antigos/clássicos). Agora posso dizer que o hype é real e que IT - A Coisa está sim entre os melhores filmes de terror de 2017, isso se não for o melhor. Com toda a certeza é um dos melhores filmes desse gênero que eu já assisti, justamente por ser um entre os poucos que me fizeram tremer na base. 

Os únicos filmes que haviam me deixado com muito medo (e querendo correr do escuro) foram: Freddy vs Jason, que me traumatizou quando eu tinha uns 10 anos, quando minha mãe me colocou para assisti-lo junto com ela; e Espíritos - A Morte está ao Seu Lado, o qual assisti na época do ensino fundamental e lembro de ter ficado horrorizada com o espírito nas costas do homem. Agora depois de conferir IT - A Coisa posso dizer que ele me traumatizou muito mais do que os dois citados acima. Não é exagero e nem besteira, eu apenas nunca havia ficado com tanto medo antes. Muito provavelmente a minha fobia de palhaços contribuiu para essa experiência, mas, mesmo assim é difícil enxergar palhaços de uma forma positiva depois de assistir ao filme. Então, fica a dica: se você é coulrofóbico não assista a esse filme. Mas, aja por sua conta e risco.

Lembrando que esse post não tem spoilers! Podem ler à vontade.

Reprodução: Google
A história focará em um grupo de sete amigos, o qual se denominam como Clube dos Perdedores, que vão a procura da Coisa para matá-la e acabar com o desaparecimento das crianças da cidade de Derry. Ao decorrer da história saberemos como o grupo se formou, o início da amizade entre eles, e também saberemos um pouco sobre os casos de morte que cercam a cidade há anos e que acontecem em intervalos. O filme não retrata apenas sobre amizade, por mais que esse seja um dos pontos principais, mas, também explorará assuntos como: bullying, abuso, medo e perda.

Os pontos que mais gostei:
- A interpretação e conexão dos atores mirins:
Algo que me deixou fascinada foi a atuação dos atores mirins, que me deixaram emocionada nas cenas com cargas emocionais mais pesadas e também com medo quando estavam sob pressão do próprio medo. Outro ponto que também me surpreendeu foi a conexão entre eles, realmente você via o Clube dos Perdedores e sentia que a amizade ia crescendo a cada obstáculo e pesadelo enfrentados. Acredito até que os atores devam ter se tornado amigos, pois a amizade entre eles era evidente nas cenas. Eles são aqueles atores que você olha e logo fica curioso para conferir novos trabalhos. Acompanharei cada um mais perto a partir de agora.

- Efeitos, maquiagem e caraterização:
Por ser um filme de terror, logo pensamos que os efeitos visuais serão exagerados e, às vezes, mal feitos. Eu gosto dos filmes que utilizam de maquiagem para dar caracterização aos "vilões", fazendo com que os efeitos visuais sejam apenas uma complementação, e não o artifício principal a ser usado. Em IT - A Coisa a combinação de ambos resultou em uma caracterização incrível e de dar medo, não falando especificamente do Pennywise, mas, colocando no geral todos as cenas que exploram os medos das crianças, já que eles não se materializam apenas em forma de palhaço. Pensei que o Pennywise ficaria caricato com o tipo de maquiagem e roupa escolhidas, mas, não, muito pelo contrário, os dois só acrescentaram na atuação e incorporação do ator Bill Skarsgård, afinal, o Pennywise não é um personagem sério, tendo um sorriso (e boca) extremamente perturbador.

Richie como alívio cômico: 
O Richie, interpretado pelo ator Finn Wolfhard (conhecido por seu papel em Stranger Things), é o alívio cômico do grupo de amigos. Ver o Finn dando vida a esse personagem, que tem características opostas ao Mike de Stranger Things, foi uma surpresa muito boa porque toda vez que ele aparecia em cena com uma de suas piadinhas o ar da história ficava mais leve e "fácil" de ser suportado, digo suportado no sentido de ter muitas cenas pesadas e de susto. O personagem conseguiu encaixar-se nos momentos certos da história e trazer boas risadas e bordões para os telespectadores. São piadas totalmente plausíveis para crianças da sua idade e que fazem com que momentos tensos fiquem mais flexíveis. Isso também me agradou pelo alívio cômico vir do Richie, e não do Ben Hanscom, já que geralmente o amigo gordo é o "palhaço" do grupo.

- A exploração do medo:
É importante ressaltar que a Coisa não é um palhaço propriamente dito, mas, sim, a personificação do seu medo. Mais para a frente no filme fica claro o motivo pelo qual essa Coisa se mostra para todos como um palhaço, sendo justamente por conta do medo de um dos personagens. Essa exploração do medo foi um dos pontos que mais me chamou a atenção, tanto pelo modo como foi posto na história como também a maneira que se conecta com todos os personagens do grupo. As cenas dos pesadelos fazem com que você realmente fique com medo pelas crianças e sinta-se no lugar de cada uma delas.

- A atmosfera pesada de terror:
A história abordará alguns temas mais pesados, principalmente o bullying praticado pelos garotos mais velhos em cima do Clube dos Perdedores. O bullying não é leve e não se atenta a dar apelidos e amedrontar com o olhar, os garotos da The Bowers Gang utilizam de força, pancada e tentativa de homicídio. Citando apenas esses poucos elementos já deve dar para perceber o quanto o bullying é pesado nessa história, não é? Não se contentando em apenas abordar esses assuntos, assim como outros filmes de terror esse trará muitas cenas recheadas de gore e pedaços de pessoas. Logo na primeira cena do filme nós temos um momento chocante de assassinato pela parte do Pennywise e a maneira que ele comete o ato, sendo explícito e sem censura. Toda essa vibe mais pesada, com a ajuda de uma fotografia mais escura e com as mortes explícitas trazem um terror mais convincente e agonizador. Um filme que podemos chamar com todas as letras de um filme digno do gênero.

E o que eu não gostei:
- A falta de profundidade de alguns personagens: 
O Clube dos Perdedores tem personagens que são mais explorados do que outros, algo normal de acontecer em filmes onde os principais acabam sendo mais de uma pessoa. Infelizmente eu senti falta de um aprofundamento maior dos personagens Stanley e Mike, por mais que fique claro a relação deles com a família e com seus medos pessoais. Não foi algo que influenciou no meu afeto por eles, gostei de cada um de uma forma diferente e carinhosa, mas, é um ponto que eu gostaria de ver com mais visibilidade no próximo filme, já que a adaptação foi dividida em duas partes. Espero ter um gostinho a mais da história deles.

Reprodução: Google
Eu ainda não consegui tempo (e nem coragem) para ler o livro e assistir a antiga adaptação, a minissérie de 1990, mas, pretendo ao menos realizar o primeiro item citado. Por isso minha opinião baseia-se na experiência que tive exclusivamente com este filme de 2017, sem influência do que aconteceu no livro ou em adaptações anteriores.

Como já deve ter dado para perceber durante a minha agitação ao decorrer do post, eu gostei bastante do filme. Admito que eu não estava esperando que fosse tão bom, pois no começo fiquei com um pouco de receio com a caracterização do Pennywise e o ator escolhido para o papel. Ainda bem que posso dizer que estava errada, tanto a caracterização como o próprio ator se completaram, deixando o personagem absurdamente assustador, muito mais do que sequer imaginei. A história conseguiu me fisgar do começo ao fim, me deixando aflita com os personagens e, logo no início, me apegando a eles. O grupo de crianças é tão carismático que chega a ser impossível você não se identificar com um deles ou até mesmo gerar um grande carinho por cada um. São crianças que você gostaria de ter tido por perto quando tinha a mesma idade.

IT - A Coisa entrou com facilidade na minha lista de melhores filmes de terror, até mesmo conquistando um posto entre os favoritos (por mais que eu não saiba se um dia assistirei novamente). Se você é fã do gênero e/ou das obras do Stephen King vale muito a pena ir conferir o longa através das telonas de cinema, pois a atmosfera escura, o volume do som e o tamanho que o Pennywise ficará na sua frente farão você ter uma experiência amedrontadora completa. Pode acreditar em mim, ele te fará tremer na base nem que seja em apenas uma cena específica (e vocês saberão de qual estou falando). 

Mas, me conta: se A Coisa aparecesse para você, se materializando em seu maior pesadelo, o que você veria?

5 de setembro de 2017

#Clarice-se: O Ovo e a Galinha (AGOSTO)

Reprodução: Google


O Ovo e a Galinha
Autora: Clarice Lispector
Minha classificação: ★★★★ (4/5)
O conto
O Ovo e a Galinha não é uma história fácil de ser contada e/ou explicada, muito menos de ser resumida em uma resenha, já que tantos pontos são explorados e tantas vertentes são interligadas. Provavelmente um dos contos mais difíceis da Clarice de ser interpretado e entendido. Uma leitura que deve ser feita com a mente aberta e com a possibilidade de inúmeras interpretações, sem se ater ao que é certo ou errado, real ou imaginário. Apenas leia sem se prender a padrões e deixe a sua mente divagar sobre o significado do ovo e da galinha.

O conto é narrado em 1º pessoa. Enquanto faz o café da manhã, a narradora-personagem expressa seus devaneios sobre a pressão em cima daqueles que tem o dever de cuidar do ovo, uma missão dada para poucos, e também sobre como é ser uma galinha, um animal que é cuidado apenas para o seu real objetivo: chocar o ovo, viver em razão do ovo.
"Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio, é uma condição concedida exclusivamente para aqueles que, sem ele, corromperiam o ovo com a dor pessoal."
Minha opinião
Por ser um conto confuso e até mesmo um pouco longo, a leitura pode se tornar cansativa e chata. Não culpo quem teve essa impressão durante a leitura e aqueles que ao final só queriam deixar esse conto de lado, sem interesse de um contato futuro. Eu já fui com esse pensamento na cabeça, pois já havia ouvido alguns rumores sobre a dificuldade e confusão que esse texto traz ao leitor. Acredito que seja, talvez, por isso que eu tenha lido com a mente aberta e tenha acabado divagando sobre inúmeros assuntos e circunstâncias da história. Talvez essa seja a melhor alternativa: ler O Ovo e a Galinha sem nenhuma pretensão de entender algo magnífico ou de extrair um grande ensinamento, apenas ler.

Admito que gostei da leitura e que tive uma boa experiência com o conto, apesar de também ter ficado confusa no começo e em várias outras partes do enredo. Como eu tinha lido Uma Galinha alguns meses antes, acredito que acabei por relacionar as duas narrativas e dar um significado parecido para cada uma. E foi exatamente por essa relação que acabei vendo nas duas galinhas uma parte de nós mulheres, aquelas que nascem com o objetivo de "dar a luz" a uma criança e viver a vida em prol dela, cuidando-a e ensinando-a, apenas vivendo em função dela, assim como a galinha faz com o ovo. Seria uma ideia muito surreal ou faria todo o sentido pensar dessa maneira?

Bom, tratando-se de Clarice fica complicado saber se as interpretações fazem algum sentido ou se são apenas ideias da nossa cabeça, mas, acredito que toda interpretação é válida, independente de por qual lado você foi. Ultimamente eu tenho feito muitas pesquisas sobre a condição da mulher durante os séculos, então, meio que isso está enraizado na minha mente, influenciando cada leitura que faço. Não acho isso um ponto negativo, pelo contrário, acredito que essas pesquisas só enriquecem a minha visão dentro e fora da literatura. E é por isso que sempre vejo um traço da condição da mulher nos escritos da Clarice, sendo ou não esse o objetivo da escritora.

Não recomendo esse conto para quem está começando a ler Clarice. Na verdade, nem sei se há um bom momento para se aventurar nele, então, leia quando você se sentir a vontade e disposta, principalmente com o pensamento de que você pode ou não abandonar a leitura pela metade, porém, leia com calma e sem pressa. Leia para conhecer um pouco mais da Clarice. Leia para colocar a sua mente um pouco mais na ativa e se force a encontrar um meio dentro dessa narrativa, nem que seja apenas uma visão sobre um ovo e uma galinha. Leia para se sentir confusa, porém, não se sinta burra (isso jamais!). Leia para sair da sua zona de conforto. Leia apenas para ler.

Esse conto pode ser encontrado no livro Clarice Lispector - Todos os Contos, da editora Rocco, e na coletânea A Legião Estrangeira, também da editora Rocco. Espero vocês no nosso grupo de debate, não esqueçam de participar conosco e dividir opiniões sobre os textos dessa autora que tanto admiramos. Vamos Clariçar!
Participe do grupo!

1 de setembro de 2017

Resenha: "Por Trás das Grades" - Cynthia Lopes

Reprodução: Google


Por Trás das Grades
Autora: Cynthia Lopes
Publicação independente 
Ano: 2016
Minha classificação: ★★ (2/5)
* E-book cedido pela autora
Nicolas é matador profissional, um dos melhores no seu ramo de profissão, ficando apenas no mesmo nível que Wesley, seu grande rival. Um homem temido por todos, Nicolas tem como um de seus objetivos proteger a sua família, a esposa Bianca e o filho Guilherme, e fornecer para ambos a melhor vida que podem ter, tanto emocionalmente como também no sentido material.

Wesley procura por vingança e o seu alvo é Nicolas. Quando pequeno um acontecimento trágico rodeou sua família, sendo resultado de um ato terrível feito por Nicolas. Assim, um ódio irreparável cresceu com Wesley durante toda a sua vida, fazendo com que sua mente e o seu coração clamem por vingança e sangue.

Essa história irá explorar a infância de Nicolas e mostrará ao leitor o que fez tê-lo tamanho ódio e vontade de matar, inclusive como tudo isso começou. Do outro lado também haverá a infância e como surgiu a vontade de vingança de Wesley. Tendo três linhas de narração, cada uma em 1º pessoa, acompanharemos o lado pessoal e as emoções íntimas separadamente de Nicolas, Wesley e Bianca, tendo assim a versão da história na perspectiva de cada um. E é importante lembrar que Por Trás das Grades é um livro hot que contém cenas de sexo, não tão explícitas, mas descritivas.

Minha opinião
É com muito pesar que anuncio que, provavelmente, essa resenha será a mais negativa, até o momento, fiz aqui no blog. O que mais me incomoda enquanto eu escrevo essa resenha é lembrar que irei destrinchar e explorar negativamente alguns pontos do livro, fico triste porque já tenho um contato com a autora e sei o quanto essa obra está sendo gratificante para ela, mas, não posso forjar uma opinião/reação. Espero que a mesma não se zangue e nem se sinta ofendida pelas minhas observações. 
Primeiramente, vamos aos pontos positivos na minha visão. A história tem uma proposta boa e vertentes que, melhores explorados, formariam um ótimo livro de ação e, talvez, romance. A escrita da Cynthia é boa e fluida, faz com que você leia rápido e sem perceber o tempo passar, e acredito que por ser capítulos pequenos a leitura acaba fluindo naturalmente. Quando menos se espera você já está na metade do livro sem ao menos se dar conta. Porém, às vezes a autora utiliza termos repetitivos, fazendo com que a mesma informação seja passada várias vezes seguidas, algo que chega a ser desnecessário.
Quanto aos pontos negativos irei começar falando da problematização dos personagens masculinos Nicolas e Wesley. Ambos são machistas, possessivos e tratam a Bianca de maneira inferior e feita apenas para o sexo. Alguns podem dizer que o Nicolas, por ser marido de Bianca, a ama e a trata assim porque é o jeito dele. Porém, esse "jeito", na minha visão, é problemático e a desculpa de que ele sofreu durante a infância e de que é um matador profissional (e por assim dizer, frio) não colam. Aliás, isso só passa de desculpas para explicar o tal comportamento agressivo e abusivo. E, repetindo, na minha opinião, Bianca se encontra em um relacionamento abusivo com Nicolas e isso é comprovado em vários trechos da história, seja quando o homem impõe a esposa de fazer sexo apenas porque ele necessita (e tem uma cena em particular que EU considerei estupro) ou quando ele diz que a mulher é sua propriedade. Entendem a problematização que estou tentando esclarecer?
Essa necessidade, tanto do Nicolas como também do Wesley, de ter a Bianca como propriedade me incomodou durante toda a história. A cada diálogo em que um desses homens dizia que a Bianca era dele e de mais ninguém eu me sentia mal pela própria personagem. Dizer que a pessoa é só sua não é romântico, é possessivo e até mesmo psicótico. Dizer que a mulher não pode ser abraçada pelo próprio irmão porque ninguém pode tocar nela é doentio. E eu não quero ser chata ou taxada como a problemática, mas essas questões devem ser repensadas e analisadas antes de serem vendidas como um ato de amor. Chega a ser problemático até mesmo para os jovens e a nova geração que, justamente, deveriam crescer com o pensamento longe disso.
Também acredito que o tipo de narração escolhido para essa história não foi a melhor opção. Muitas vezes a impressão que a narração passou foi de que os personagens estavam escrevendo um diário, principalmente por causa das palavras usadas para se expressarem e/ou descrever. Talvez se a autora tivesse optado por uma narração em 3º pessoal, mais impessoal, a história fluiria de forma mais natural para mim.
Por mais que eu não tenha tido uma experiência muito agradável de leitura, deixo-a como recomendação para aqueles que gostam de literatura hot e que não se incomodam com os pontos citados por mim. Porém se, assim como eu, você se incomoda com personagens machistas que se sentem o centro do mundo e ainda querem justificar os seus atos possessivos dizendo que é amor, não aconselho que se arrisque na leitura, poderá te trazer apenas dores de cabeça e, infelizmente, irritação. No demais é importante darmos oportunidade a escritores nacionais iniciantes e nos atentemos a criticar construtivamente cada história. E repito: essa é a minha opinião baseada na minha vivência e nos meus pensamentos e ideais, se você sentir vontade de ler o livro apenas leia. Afinal, o seu pensamento poderá ser diferente do meu. O livro apenas não funcionou comigo.